Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Olavo de Carvalho: O Brasil perante os Conflitos da Nova Ordem Mundial
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
"Teorias da Conspiração": Clube Bilderberg e Diálogo Interamericano
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
A Nova Ordem Mundial, o sonho de sociopatas como Hitler, por exemplo
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
O guru da Nova Ordem Mundial
Do portal do OLAVO DE CARVALHO
3 de abril de 2006
CLIQUE AQUI E VOTE CONTRA A LEI QUE VAI ACABAR COM A LIBERDADE NA INTERNET BRASILEIRA
Alguns leitores estranham que, em plena ascensão do comunismo na América Latina, eu me desvie da atualidade explosiva para me empenhar, aqui e em outras publicações, num combate aparentemente extemporâneo contra Immanuel Kant e o iluminismo (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/060313dc.htm, http://www.olavodecarvalho.org/semana/060323jb.htm e sobretudo http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/opiniao/2006/03/29 /joropi20060329002.html, mais o artigo meu que saiu na Zero Hora de ontem, que no momento em que vocês lêem já deve estar reproduzido no meu website, www.olavodecarvalho.org, mas cujo endereço completo não sei ainda).
Há quem chegue a imaginar que criei birra do anãozinho corcunda de Koenisberg por sua semelhança física com o de Turim (Antonio Gramci). Mas nada tenho contra anõezinhos, exceto quando por dentro são monstros enormes. No artigo anterior descrevi brevemente o segundo. Seu antecessor alemão parece bem menos perigoso. Com freqüência, surge na mídia com as feições risonhas de um amante da paz e da liberdade. Ninguém pode negar que isso ele era realmente, mas em filosofia as palavras não valem pelo seu sentido-padrão dicionarizado, e sim pelo conceito específico e plenamente desenvolvido que nomeiam. Quando examinamos o que Kant entendia por paz e liberdade, sabendo que assim as entendem também os atuais candidatos a governantes do mundo, não podemos deixar de perceber que a parecença do filósofo com o fundador do Partido Comunista Italiano não é só anatômica, mas também moral, sobretudo na capacidade que ambos tinham de embelezar com uma linguagem idealística as mais feias realidades históricas que estavam plantando no solo do futuro.
De modo geral, a influência cada vez maior e mais organizada dos intelectuais nos centros de poder mundial e a adoção generalizada da “guerra cultural” como instrumento primordial de dominação tornam a política incompreensível a quem não consiga acompanhar de perto a marcha das idéias. É uma ilusão mortífera imaginar que ainda existe uma esfera “prática” separada do debate cultural, religioso e filosófico. Os políticos ou líderes empresariais soi-disant “pragmáticos”, que se gabavam de olhar com desprezo as discussões aparentemente bizantinas dos acadêmicos, são hoje uma raça em extinção. Para destrui-los, basta à intelectualidade ativista conceber estratégias que passem longe do horizonte de visão do seu imediatismo praticista. A vitória do gramscismo no Brasil explica-se, em boa parte, pela indolência intelectual dos líderes políticos e empresariais de fora da esquerda. Nos EUA, nada se debate no parlamento, se decide no judiciário ou se empreende no executivo sem ter passado, muito antes, pelo crivo dos think tanks, onde intelectuais de grosso calibre criam as categorias de pensamento que depois orientam toda a discussão subseqüente. Se você tenta acompanhar o desenrolar dos acontecimentos sem conhecer os pressupostos intelectuais mais remotos por trás dos conflitos de poder, acaba não entendendo nada. Um desses pressupostos é a filosofia de Kant. Exposta num estilo abstruso que repele até os estudantes de filosofia, ela é a última coisa pela qual um “homem prático” poderia se interessar. Por isto mesmo, ela vai se tornando realidade bem diante dos narizes deles, sem que tenham a menor idéia de para onde ela ameaça levá-los.
Umas poucas observações bastam para realçar a gravidade do assunto.
Em primeiro lugar, a noção kantiana de “paz eterna”, tão própria a seduzir os sentimentais pela sua vaga ressonância bíblica, não significa outra coisa senão “governo mundial”. Num estudo importantíssimo (La face cachée de l’ONU, Paris, Ed. Sarment Fayard, 2000), o Pe. Michael Schooyans, filósofo belga que já lecionou no Brasil, mostra que as novas legistações uniformizantes que a ONU vem impondo ao mundo, como por exemplo o abortismo obrigatório a que me referi num dos artigos anteriores, são de inspiração diretamente kantiana. O governo global que a ONU está construindo com rapidez desnorteante é a tradução jurídica exata do que Kant entendia como “comunidade humana”. Essa comunidade, segundo o filósofo, emergia espontaneamente do fato de que os homens são todos dotados da mesma faculdade da “razão”. Mas a razão, para Kant, não é a mesma coisa que era para os antigos e medievais. Estes a entendiam como o simples dom da fala e do raciocínio coerente, reflexo longínquo da Razão divina que criou e sustenta o mundo. Graças a esse dom, o ser humano podia apreender algo da ordem divina e cósmica do mundo, ordenando por ela, na medida de suas limitadas capacidades, a vida da sua própria alma. Para Kant, ao contrário, a razão é a autoridade legisladora suprema e insuperável, que não tem satisfações a prestar nem a uma ordem divina pré-existente, nem a quaisquer fatos do mundo real que não se enquadrem na sua auto-regulação soberana. Os estudantes de história da filosofia não ignoram que o iluminismo, de um modo geral, se caracterizara pela apologia da universalidade abstrata, com pleno desprezo da variedade dos fatos singulares. Na Revolução Francesa, milhares de cabeças singulares foram decepadas para enquadrar as restantes na linda universalidade da razão. Kant adorou isso. A rigidez do seu moralismo abstrato não tinha limites. Imaginem agora o que pode resultar da transformação disso em princípio regulador da ordem mundial. Eliminar do mapa as nações que não se enquadrarem na perfeição da nova ordem global será tão fácil quanto guilhotinar dissidentes. Se a cultura colombiana, por exemplo, é refratária ao aborto por querer permanecer fiel às suas origens cristãs, corta-se o crédito internacional da Colômbia como outrora se cortou a cabeça do poeta André Chenier ou do físico Lavoisier. Isso está de fato acontecendo, e é uma solução tanto mais tentadora porque o governo colombiano move uma bem sucedida guerra contra o narcotráfico, que a ordem global em gestação preferiria, ao contrário, liberar como comércio legítimo (uma vasta campanha nesse sentido é subsidiada pelo sr. George Soros, que ao mesmo tempo investe pesadamente na construção da nova ordem e na compra de terras... na Colômbia). Para quem quer enquadrar o planeta num modelo jurídico uniforme, esmagando os adversos e recalcitrantes com a boa consciência de um apóstolo da paz eterna, nada mais inspirador do que os abstratismos de Kant.
Mas, muito antes de insuflar essas idéias malígnas nas cabeças dos burocratas de Genebra, Kant já havia feito um mal irreparável à inteligência humana. Ao consagrar o império da “razão” uniforme sobre a multiplicidade dos fatos, ele criou o dogmatismo cientificista que permite abolir continentes inteiros da realidade, sob o pretexto de que são refratários ao estudo científico, dando em seguida, a essa mesma ciência que admite sua incapacidade de estudá-los, a autoridade de declarar que não existem. Essa idolatria do método produziu resultados tragicômicos. A epidemia de charlatanismo antropológico no século XX esteve entre eles. Baseando-se na premissa kantiana de que de um juízo de fato não se pode deduzir um juízo de valor, nem do valor um fato, cientistas sociais bisonhos professaram abster-se asceticamente de proferir julgamentos de valor sobre as realidades culturais que estudavam e acabaram tirando desse voto de castidade a conclusão de que, nesse campo, as diferenças de valor não existiam mesmo. A igualdade das culturas perante a suprema Razão kantiana é hoje um dogma imposto a todas as nações pelos pedagogos politicamente corretos da ONU. É imensurável a bibliografia destinada a persuadir o mundo de que, por exemplo, os rituais astecas de sacrifícios humanos eram um costume tão decente quanto a caridade franciscana.
Quando o Prof. Peter Singer afirma resolutamente os direitos humanos das galinhas, estendendo às diferenças entre espécies animais o mesmo preceito que obteve tanto sucesso no que diz respeito às diferenças entre culturas, ele está sendo rigorosamente kantiano.
Da mesma inspiração vem aquela regra sublime de que, como a ciência genética não consegue perceber nenhuma diferença entre um ser humano e um chipanzé aos três meses de gestação, os seres humanos não são realmente diferentes dos chipanzés. Fortalecida pela autoridade de Kant, cada ciência se crê autorizada a proclamar que tudo aquilo que está fora do alcance dos seus métodos é perfeitamente inexistente. Qualquer faxineiro sabe que um embrião humano, uma vez crescido, pode se tornar Platão ou Michelangelo, e que nenhum embrião de chipanzé pode esperar um futuro igualmente promissor. Mas, como a embriologia não estuda nada do que sucede aos embriões depois que eles deixam de ser embriões, essa diferença é kantianamente abolida em prol da soberania do método. E há muito tempo a supressão dessa diferença deixou de ser uma pura especulação acadêmica; ela já virou lei, e as cabeças que sua aplicação vai arrancando pelo caminho não são de chipanzés nem de galinhas.
Outro malefício incalculável que o kantismo trouxe à humanidade é a separação rígida e estereotipada entre “ciência” e “religião”. Segundo Kant, a primeira diz respeito àquilo que podemos “saber”, a segunda áquilo que podemos apenas “esperar”, quer dizer, desejar e imaginar. Em suma, vigora aí a diferença entre “conhecimento” e “crença”. Uma teoria científica você prova ou contesta. Numa doutrina religiosa, você apenas crê ou não crê, sem possibilidade de arbitragem racional. Essa distinção impregnou-se tão profundamente na alma ocidental que acabou por determinar o uso diário das palavras respectivas na mídia, nas escolas, nas discussões públicas e privadas. Esse é talvez o dogma terminológico de maior sucesso em todos os tempos. Até no automatismo do inconsciente a religião tornou-se “fé”, e ponto final. Mas isso é um conceito pueril e insustentável, uma idiotice completa. Nenhuma religião do mundo começa com “crença”. Começa sempre com uma sucessão de fatos que assinalam a súbita e humanamente inexplicável penetração coletiva numa esfera de realidade mais alta, de onde toda a existencia aparece transfigurada por um novo sentido. Digo “fatos” porque é disso que se trata. A travessia do Mar Vermelho pode ter se transformado em objeto de “crença” para as gerações subseqüentes, mas, para aqueles que viveram o acontecimento, não foi nada disso. Jesus Cristo podia dizer ao cego e ao paralítico curados: “Tua fé te salvou.” Mas é pura metonímia: a cura, se fosse pura matéria de fé e não um fato da ordem física, seria fraude e nada mais. Com a passagem do tempo, esfumando-se a memória viva dos testemunhos, o acesso a esses fatos pode requerer alguma “fé”, mas não tem sentido confundir a natureza de um fato com o modo de conhecê-lo séculos depois. Ou esses milagres aconteceram, ou não aconteceram. E deslocar o problema para um passado remoto é só fugir do problema. Setenta e seis por cento dos médicos americanos acreditam hoje em curas miraculosas, porque as vêem acontecer diariamente e sabem que elas são até mais freqüentes do que a cura pelos meios terapeuticos usuais. O próprio Jesus Cristo, quando perguntaram se Ele era mesmo o enviado de Deus ou se seria preciso esperar por algum outro, não respondeu com uma “doutrina” para ser crida ou descrida, mas com fatos para ser confirmados ou impugnados (confira em Mateus, 11:1-6). As religiões só se transformam em matéria de “crença” para um público que está muito afastado, no espaço ou no tempo, das suas fontes originárias. O conhecimento direto e o estudo cientificamente responsável dos acontecimentos miraculosos são as únicas vias de acesso intelectualmente válido à religião. O resto é uma discussão oca entre ignorantes tagarelas sentados na periferia da realidade. Hoje em dia, porém, qualquer fato tido por miraculoso está afastado, automaticamente, da discussão oficial, a não ser quando é uma fraude ou uma ilusão, isto é, quando, precisamente por não ser miraculoso de maneira alguma, pode ser explicado por algum psicologismo ou sociologismo fácil. Expulsos os dados inconvenientes, a “razão” kantiana impera absoluta no seu buraco de toupeira. O kantismo, consagração da covardia intelectual que foge de tudo aquilo que não conhece, bloqueia a possibilidade de vir a conhecê-lo. Nenhum autoritarismo dogmático, ao longo da história, foi tão mesquinho e tão danoso quanto esse. Em artigos subseqüentes darei exemplos de seus efeitos desastrosos na cultura, na história e na vida moral.
Por enquanto, peço apenas que não me venham com aquela conversa mole de que Kant tinha a melhor das intenções, de que foi tudo culpa do zelo exagerado de discípulos incompreensivos. As conseqüências perversas do kantismo, como as do hegelianismo e do marxismo, não vieram séculos ou milênios depois: foram quase imediatamente subseqüentes. Um pensador que se acha capaz de virar do avesso o universo inteiro dos conhecimentos humanos não tem desculpa para ignorar os efeitos mais obviamente previsíveis da difusão de suas idéias. É indecente passar da arrogância intelectual suprema aos gemidos de inocência fingida. Não se pode conceder esse direito a Kant, como não se pode concedê-lo a Hegel, a Karl Marx ou mesmo a Nietzsche, malgrado o atenuante da loucura. Quem quer que anuncie ter compreendido o sentido integral da História humana tem a obrigação estrita de prever com acerto o próximo episódio, ao menos no que diz respeito ao seu próprio campo limitado de atuação pessoal. Se nem isso o cidadão consegue fazer, é porque não alcançou a plenitude da autoconsciência filosófica de um Platão, de um Aristóteles, de um Tomás de Aquino ou de um Leibniz. E, nesse caso, é só por devoção idolátrica que continuamos a considerá-lo um grande filósofo e não apenas um pensador interessante.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Quem nos governa, afinal?
Do portal do OLAVO DE CARVALHO Por Olavo de Carvalho em 05 de julho de 2008
O plano de transição para o governo mundial, que Arnold Toynbee expôs mais de meio século atrás e que mencionei brevemente nesta coluna, já está em avançadíssima fase de implantação, ao ponto de que não há nenhum exagero em dizer que a Nova Ordem globalista-socialista é um fato consumado, irreversível. Que a maioria dos seres humanos ignore isso por completo e ainda tenha a ilusão de poder interferir de algum modo no curso das coisas por meio do "voto", eis aí a prova de que Toynbee tinha toda a razão ao dizer que a nova estrutura de poder não seria democrática, nem democrática a transição para ela. Não há estado de sujeição mais completo do que ignorar a estrutura de poder sob a qual se vive.
É verdade que a mera complexidade crescente da administração estatal moderna já era, por si, conflitiva com as pretensões democráticas de transparência, informação acessível, "voto consciente", enfim, com as presunções da "cidadania". Mas o que vem acontecendo no último meio século é o aproveitamento deliberado e sistemático da complexidade burocrática para criar, acima do governo representativo, uma nova estrutura de poder que o domina, o estrangula e acaba por eliminá-lo. A maior parte das nações já vive sob o controle dessa nova estrutura global sem ter disso a menor consciência e acreditando que continua a desfrutar das garantias e meios de ação assegurados ao eleitor pelo antigo sistema de governo representativo, hoje reduzido a um véu de aparências tecido em torno do poder mais centralizado, abrangente e incontrolável que já existiu ao longo de toda a história humana.
Não só essa transição já aconteceu, mas ela foi realizada sob a proteção de um conjunto de pretextos retóricos altamente enganosos, criados para dar à população a idéia de que a mudança ia no sentido da maior liberdade para os cidadãos, da maior participação de todos no governo e de mais sólidas garantias para a empresa privada. Todos os termos-chave dessa retórica – "governo reinventado", "parcerias público-privadas", "terceira via", "descentralização" – significam precisamente o contrário do que parecem indicar à primeira vista.
Os dois diagramas que acompanham este artigo tornarão isso bastante claro. As flechas aí indicam a origem do poder e o objeto sobre o qual se exerce. No antigo sistema representativo, o eleitorado escolhia o governo segundo os programas que lhe pareciam os mais convenientes, e o governo eleito – executivo e parlamento – repassava esses planos aos órgãos da administração pública, para que os executassem. No novo sistema de "parcerias público-privadas", a administração pública é só uma parcela do órgão executor. A outra parcela é escolhida por entidades sobre as quais o eleitorado não tem o menor controle e das quais não chega às vezes a ter sequer conhecimento. Tal como apresentado na sua formulação publicitária, o novo sistema é mais democrático, porque reparte a autoridade do governo com "a sociedade". Mas "a sociedade" aí não corresponde ao eleitorado e sim a ONG's criadas sob a orientação de organismos internacionais não-eletivos – ONU, UE, OMS, OMC, etc – e subsidiadas por bilionárias corporações multinacionais cuja diretoria não é mesmo conhecida do público em geral.
A orientação geral dessas ONG's reflete um conjunto de novas concepções socioculturais e políticas que jamais foram postas sequer em discussão, e que por meio delas são implantadas do dia para a noite, sem que o eleitorado chegue a saber nem mesmo de onde vieram. A própria velocidade das transformações é tamanha, que serve para reduzir as populações ao estado de passividade atônita necessário para tornar inviável não só qualquer reação organizada, mas até uma clara tomada de consciência quanto ao que está acontecendo. Paralelamente, muito do poder de decisão do parlamento é transferido aos órgãos burocráticos, que, agindo já não como braços do eleitorado, mas como agentes a serviço de parcerias controladas pelo triunvirato de ONG's, corporações e organismos internacionais, passa então a introduzir na sociedade mutações radicais que, no sistema de governo representativo, jamais seriam aprovadas nem pela população, nem pelo parlamento.
Ao desfazer-se de uma parte das suas prerrogativas, sob as desculpas de "privatização", "democratização", "descentralização", "desburocratização" etc., o governo não as transfere ao povo, mas a um esquema de poder global que escapa infinitamente à possibilidade de qualquer controle pelo eleitorado. As ambigüidades decorrentes, que desorientam o público, são então aproveitadas como instrumentos para gerar artificialmente novas "pressões populares", que não são populares de maneira alguma, mas que refletem apenas a vontade da chamada "sociedade civil organizada", isto é, da rede de ONGs criadas pelo próprio esquema de poder global.
Subsidiadas pelas grandes corporações e fundações, essas ONGs, prevalecendo-se da "parceria" que têm com órgãos do governo, passam então à parasitagem voraz de verbas públicas, somando aos recursos que as alimentam desde fora o sangue extraído do próprio eleitorado que as ignora e que elas falsamente representam. Essa nova estrutura de poder não é um plano, não é um objetivo a ser alcançado: ela já é o sistema de poder sob o qual vivemos, construído sobre os escombros do antigo governo representativo, que hoje em dia só subsiste como aparência legitimadora da transformação que o matou.
Uma ambigüidade especialmente irônica e por isto mesmo proveitosa da situação é que um dos instrumentos principais para a implantação do novo esquema reside na rede mundial de ONG's e movimentos esquerdistas, desde os mais radicais até os mais brandos e inofensivos em aparência. Ao mesmo tempo, como a violência e rapidez das mutações gera toda sorte de desequilíbrios, temores e insatisfações, essa rede de organizações esquerdistas é usada por outro lado como megafone para lançar a culpa de todos esses males no velho capitalismo liberal, apontado como beneficiário maior das mesmas transmutações que o esmagam. Os sintomas colaterais mórbidos da transformação servem eles próprios como pretextos para acelerá-la e aprofundá-la, canalizando em favor dela as dores que ela gerou.
Numa obra memorável, "Du Pouvoir. Histoire Naturelle de Sa Croissance", Bertrand de Jouvenel mostrou que a história da modernidade não é a história da liberdade crescente, como pretendia Benedetto Croce, mas a história do poder crescente do Estado avassalador.
Esse livro é de 1945. Desde então, o curso da História tomou um rumo que o confirma na medida mesma em que aparenta desmenti-lo. A "descentralização" dos governos nacionais, simulando em escala local uma vitória do liberal-capitalismo sobre as tendências centralizadoras e socialistas, foi posta a serviço da construção do Leviatã supranacional que, inacessível e quase invisível, controla dezenas de Estados reduzidos à condição de entrepostos da administração global. Não só o eleitorado foi submetido a essa gigantesca mutação sem a menor possibilidade de interferir nela ou de compreendê-la, porém até mesmo alguns dos mais intelectualizados porta-vozes do liberal-capitalismo, enxergando apenas o fator econômico e recusando-se a investigar a nova estrutura de poder político por trás da globalização comercial, colaboraram ativamente para que o processo de centralização mundial se implantasse pacificamente, sob a bandeira paradoxal da liberdade de mercado.
O camponês antigo, o servo da gleba e até mesmo o escravo romano gemiam sob o tacão de um poder incontrastável, mas pelo menos tinham uma idéia clara de quem mandava neles e compreendiam perfeitamente o funcionamento do sistema que os governava. O cidadão da "democracia de massas" está cada vez mais submetido a decisões que não sabe de onde vieram, implantadas por um sistema de governo que ele nem conhece nem compreende. O globalismo é a apoteose do processo de centralização do poder, centralizando até o direito de conhecer o processo.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
O Governo Ideológico do Crime Organizado
Por Jorge Serrão, domingo, Junho 01, 2008
O principal desafio da humanidade neste Terceiro Milênio é a Defesa e Conservação da Privacidade. Os direitos e garantias individuais são mandados para o saco pelos promotores da Nova Ordem Mundial. Sem respeito à liberdade individual, a ordem pública fica ameaçada, a paz social inviabilizada e a democracia obstaculizada. Teremos condições de sobreviver, humanamente, em um “Estado Sem Direito”? Depois leia: A ditadura do crime é uma realidade
A resposta é Não! O sistema globalitário tem uma regra cruel. Manda quem pode e obedece quem não tem juízo de valor sobre a realidade do poder. Ou se submete quem não tem condições de perceber o “poder das idéias ou regras impostas”. As ideologias ou ideocracias cumprem o papel de mecanismos de controle, dominação e manipulação social. Presenciamos a negação do processo político, com a imposição forçada de consensos e pensamentos únicos.
São “pensamentos únicos” ou “unificantes”: a Globalização ou neoliberalismo; os Socialismos ou comunismo; os Neonazismos ou fascismos; os Fundamentalismos religiosos e os dogmas radicais de toda espécie. Os “ismos” só servem para criar divisões e conflitos artificiais que facilitam as estratégias de controle, manipulação e dominação das sociedades – sobretudo as mais subdesenvolvidas e ignorantes.
Pelo visto, as cúpulas das chamadas “esquerdas” são manobradas de forma idêntica às chamadas “direitas”, em nome de interesses maiores dos “negócios” mundiais. Neste processo, as ideologias são simples instrumentos de dominação. Os ideocratas fazem de otários o resto dos militantes ideológicos, que se transformam em agentes conscientes ou inconscientes no trabalho para a corporocracia global.
A corporocracia é o “governo ou poder das grandes empresas transnacionais”. A corporocracia ocorre quando os mecanismos de Estado e o governo formal de uma sociedade são reféns de agentes políticos que tomam decisões favoráveis às “grandes corporações”.
A “corporocracia” verdadeira surge quando os três poderes de sustentação do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) tornam legal ou legítimo, em termos jurídicos e institucionais, um sistema de corrupção junto com os políticos para que eles defendam, nessas respectivas instâncias, as posições defendidas pelos “controladores” (que podem ser os administradores das grandes empresas ou quem eestiver acima deles na hierarquia).
Nesta situação, os políticos tendem a se tornar títeres (isto é, marionetes políticas) dos administradores, muito mais que dos proprietários das ações das grandes empresas. Por este conceito, através do mecanismo de extração de renda monopolística ou oligopolística, as grandes empresas seriam capazes de definir a agenda política nacional dos países e o tipo de governo que as pessoas comuns (o povo) pensam ser uma democracia.
O modelo consiste em fazer com que a maioria da população acredite que o regime governamental continua baseado uma democracia representativa. Mas tal noção é fruto de puro jogo de cena político na manipulação do Poder. Na verdade, os políticos passam a fazer e promulgar leis adequadas aos interesses dos “controladores”. Mas como os cidadãos elegem os políticos (por mecanismos de escolhas) têm a ilusão de que eles os representam. Na realidade, os políticos representam seus “controladores”.
Em resumo, corporocracia é sinônimo de gestão ideológica do crime organizado. Pratica-se um intervencionismo estatal em favor dos pequenos grupos poderosos e em detrimento das sociedades locais. Tudo operacionalizado pela classe política – geralmente aquela mais desqualificada para o trato da “coisa pública”.
Nessa neolibertinagem, os controladores administram, nas sombras, os três principais mecanismos de controle social no mundo: a oferta de dinheiro (via monetarismo), os meios de comunicação de massa e “o crime organizado” (sinônimo de violência, terrorismo e corrupção). Tudo é justificado por convenientes teorias econômicas, políticas, jurídicas, psicossociais ou organizacionais.
A difusão da ignorância e da desinformação são os instrumentos básicos de dominação e controle do Império Global. Cabe ressaltar que os meios de comunicação são hoje as armas mais eficazes de difusão ideológica e de apelo ao consumismo especulativo.
Afinal, a dominação só é possível se dirigentes e dirigidos partilham dos mesmos valores que inspiram a norma jurídica e a motivação ideológica que consagram a dominação. O dogma da “globalização inevitável” é o fator unificante de idéias, padrões, comportamentos e procedimentos. O mundo se resume a uma rede de obediência que não deve ser contestada.
Doutrinariamente, os controladores viabilizam a dominação, manipulação e controle através de quatro instrumentos.
1) As ideocracias (que vendem pretensas soluções, “bandeiras de luta”, felicidade, sonho e utopia na forma de ideologias);
2) os conflitos de diferenças (sejam regionais, econômicos, sociais, religiosos, raciais e jurídicos);
3) No caso extremo, a violência e sua degeneração radical: o terrorismo.
4) As legislações, as padronizações organizacionais ou as regras “globais” impostas aos cidadãos e interpretadas conforme o “Direito Alternativo” – que dá interpretação subjetiva às conseqüências do julgamento.
Os ordenamentos jurídicos – cada vez mais totalitários e interpretados subjetivamente – e as confusões ideológicas - para gerar cada vez mais divisão e menos cooperação – são práticas de violência política-econômica para fazer com que as pessoas façam o que não escolheriam fazer voluntariamente. Também servem para impedi-las de fazer o que voluntariamente escolheriam fazer, se tivessem Liberdade (palavrinha fundamental para a verdadeira Democracia).
Em resumo, quanto maior a intervenção governamental, mais os indivíduos são impedidos de fazer aquilo que os beneficiariam, sendo compelidos, em vez disso, a fazer o que lhes causam perdas, em mundo global cada vez mais especulativo e repleto de valores voláteis.
O Poder Real Mundial emprega quatro forças para exercer seu poder - principalmente nas sociedades subdesenvolvidas ou na periferia do poder.
1) Os Agentes de Influência: que são a Mídia, as ONGs, os Movimentos Populares, as Seitas e os Sindicatos;
2) O Partido Político no Poder (força motriz da ideocracia);
3) As Forças de Sustentação (o Governo Formal, através dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, englobando também o aparelho repressivo do Estado: Ministério Público, a Máquina de Arrecadação, as Forças Policiais e as Forças Armadas).
4) As Forças Subterrâneas, promotoras de ações táticas criminosas.
O “quarto elemento” é formado pelas máfias que exploram diferentes negócios, pelas facções criminosas, por grupos paramilitares e por agentes terroristas preparados para ações de guerrilha urbana ou rural, com fins pretensamente “revolucionários”. O chamado quarto elemento é apenas a face mais visível do crime organizado. Mas não é a hegemônica, que lidera o processo criminoso.
Sempre é fundamental destacar a doutrina: sem a presença da máquina do Estado e da classe política que o aparelha, o crime não se organiza. A corporocracia só se viabiliza neste sistema de “parceria” ou “simbiose”. Quando essas quatro forças formam uma aliança sistêmica com o aparelho do Estado forma-se o Governo Ideológico do Crime Organizado.
A regra é clara e simples. Governo do Crime Organizado é a associação, para fins delitivos, entre as classes política e empresarial, membros dos três poderes (Executivo, legislativo e Judiciário) e agentes marginais de toda espécie, com a finalidade de usurpar o poder estatal, praticando o roubo, a corrupção, a violência e o terror.
Até quando deixaremos o Poder Real Mundial e seu Governo Ideológico do Crime Organizado mandarem em nós?
Reagir é preciso, democraticamente. Vamos defender e conservar nosso Direito à Privacidade!
Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://www.alertatotal.blogspot.com e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal
wibiya widget
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.