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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Por que o Nazismo era Socialismo e por que o Socialismo é Totalitário

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por George Reisman, 23 de maio de 2008

Minha intenção hoje é expor dois pontos principais: (1) Mostrar que a Alemanha Nazista era um estado socialista, e não capitalista. E (2) mostrar por que o socialismo, compreendido como um sistema econômico baseado na propriedade estatal dos meios de produção, necessariamente requer uma ditadura totalitária.

A caracterização da Alemanha Nazista como um estado socialista foi uma das grandes contribuições de Ludwig von Mises.

Quando nos recordamos de que a palavra "Nazi" era uma abreviatura de " der Nationalsozialistische Deutsche Arbeiters Partei" - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães - a caracterização de Mises pode não parecer tão notável. O que se poderia esperar do sistema econômico de um país comandado por um partido com "socialista" no nome além de ser socialista?

Não obstante, além de Mises e seus leitores, praticamente ninguém pensa na Alemanha Nazista como um estado socialista. É muito mais comum se acreditar que ela representou um forma de capitalistmo, aquilo que comunistas e marxistas em geral têm alegado.

A base do argumento de que a Alemanha Nazista era capitalista é o fato de que a maioria das industrias foram aparentemente deixadas em mãos privadas.

O que Mises identificou foi que a propriedade privada dos meios de produção existia apenas nominalmente sob o regime Nazista, e que o verdadeiro conteúdo da propriedade dos meios de produção residia no governo alemão. Pois era o governo alemão e não o proprietário privado nominal quem decidia o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem seria distribuído, bem como quais preços seriam cobrados e quais salários seriam pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado nominal receber. A posição do que se alega terem sido proprietários privados era reduzida essencialmente à função de pensionistas do governo, como Mises demonstrou.

A propriedade governamental "de fato" dos meios de produção, como Mises definiu, era uma conseqüência lógica de princípios coletivistas fundamentais adotados pelos nazistas como o de que o bem comum vem antes do bem privado e de que o indivíduo existe como meio para os fins do Estado. Se o indivíduo é um meio para os fins do Estado, então, é claro, também o é sua propriedade. Do mesmo modo em que ele pertence ao Estado, sua propriedade também pertence.

Mas o que especificamente estabeleceu o socialismo "de fato" na Alemanha Nazista foi a introdução do controle de preços e salários em 1936. Tais controles foram impostos como resposta ao aumento na oferta de dinheiro [N.T.] praticada pelo regime nazista desde a época da sua chegada ao poder, no início de 1933. O governo nazista aumentou a oferta de dinheiro no mercado como meio de financiar o vasto aumento nos gastos governamentais devido a seus programas de infra-estrutura, subsídios e rearmamento. O controle de preços e salários foi imposto em resposta ao aumento de preços resultante desta inflação.

O efeito causado pela combinação entre inflação e controle de preços foi a escassez, ou seja, a situação na qual a quantidade de bens que as pessoas tentam comprar excede a quantidade disponível para a venda.

As escassezes, por sua vez, resultam em caos econômico.Não se trata apenas da situação em que consumidores que chegam mais cedo estão em posição de adquirir todo o estoque de bens, deixando o consumidor que chega mais tarde sem nada - uma situação a que os governos tipicamente respondem impondo racionamentos. Escassezes resultam em caos por todo o sistema econômico. Elas tornam aleatória a ditribuição de suprimentos entre as regiões geográficas, a alocação de um fator de produção dentre seus diferentes produtos, a alocação de trabalho e capital dentre os diferentes ramos do sistema econômico.

Face à combinação de controle de preços e escassezes, o efeito da diminuição na oferta de um item não é, como seria em um mercado livre, o aumento do preço e da lucratividade, operando o fim da diminuição da oferta, ou a reversão da diminuição se esta tiver ido longe demais. O controle de preços proíbe o aumento do preço e da lucratividade. Ao mesmo tempo, as escassezes causadas pelo controle de preços impedem que aumentos na oferta reduzam o preço e a lucratividade de um bem. Quando há uma escassez, o efeito de um aumento na oferta é apenas a redução da severidade desta escassez. Apenas quando a escassez é totalmente eliminada é que um aumento na oferta necessita de uma diminuição no preço, trazendo consigo uma diminuição na lucratividade.

Como resultado, a combinação de controle de preços e escassezes torna possíveis movimentos aleatórios de oferta sem qualquer efeito no preço ou na lucratividade. Nesta situação, a produção de bens dos mais triviais e desimportantes, como bichinhos de pelúcia, pode ser expandida às custas da produção dos bens importantes e necessários, como medicamentos, sem efeito sobre o preço ou lucratividade de nenhum dos bens. O controle de preços impediria que a produção de remédios se tornasse mais lucrativa conforme a sua oferta fosse diminuindo, enquanto a escassez mesmo de bichinhos de pelúcia impediria que sua produção se tornasse menos lucrativa conforme sua oferta fosse aumentando.

Como Mises demonstrou, para lidar com os efeitos indesejados decorrentes do controle de preços, o governo deve abolir o controle de preços ou ampliar tais medidas, precisamente, o controle sobre o que é produzido, em qual quantidade, através de quais métodos, e a quem é distribuído, ao qual me referi anteriormente. A combinação de controle de preços com estas medidas ampliadas constituem a socialização "de fato" do sistema econômico. Pois significa que o governo exerce todos os poderes substantivos de propriedade.

Este foi o socialismo instituído pelos nazistas. Mises o chama de modelo alemão ou nazista de socialismo, em contraste ao mais óbvio socialismo dos soviéticos, ao qual ele chama de modelo russo ou bolchevique de socialismo.

O socialismo, é claro, não acaba com o caos causado pela destruição do sistema de preços. Ele apenas perpetua esse caos. E se introduzido sem a existência prévia de controle de preços, seu efeito é inaugurar este mesmo caos. Isto porque o socialismo não é verdadeiramente um sistema econômico positivo. É meramente a negação do capitalismo e seu sistema de preços. E como tal, a natureza essencial do socialismo é a mesma do caos econômico resultante da destruição do sistema de preços através do controle de preços e salários. (Eu quero demonstrar que a imposição de cotas de produção no estilo bolchevique de socialismo, com a presença de incentivos por todos os lados para que estas sejam excedidas, é uma fórmula certa para a escassez universal da mesma forma como ocorre quando se controla preços e salários.)

No máximo, o socialismo meramente muda a direção do caos. O controle do governo sobre a produção pode tornar possível uma maior produção de alguns bens de especial importância para si mesmo, mas faz isso às custas de uma devastação através de todo o resto do sistema econômico. Isto porque o governo não tem como saber dos efeitos no resto do sistema econômico da sua garantia da produção dos bens aos quais atribue especial importância.

Os requisitos para a manutenção do sistema de controle de preços e salários trazem à luz a natureza totalitária do socialismo - mais obviamente, é claro, na variante alemã ou nazista de socialismo, mas também no estilo soviético.

Podemos começar com o fato de que o auto-interesse financeiro dos vendedores operando sob o controle de preços seja de contornar tais controles e aumentar seus preços. Compradores, antes impossibilitados de obter os bens, estão dispostos, na verdade, ansiosos para pagar estes preços mais altos como meio de garantir os bens por eles desejados. Nestas circunstâncias, o que pode impedir o aumento dos preços e o desenvolvimento de um imenso mercado negro?

A resposta é a combinação de penas severas com uma grande probabilidade de ser pego e, então, realmente punido. É provável que meras multas não gerem a dissuasão necessária. Elas serão tidas como simplesmente um custo adicional. Se o governo deseja realmente fazer valer o controle de preços, é necessário que imponha penalidades comparadas àquelas dos piores crimes.

Mas a mera existência de tais penas não é o bastante. O governo deve tornar realmente perigosa a condução de transações no mercado negro. Deve fazer com que as pessoas temam que agindo desta maneira possam, de alguma maneira, ser descobertas pela polícia, acabando na cadeia. Para criar tal temor, o governo deve criar um exército de espiões e informantes secretos. Por exemplo, o governo deve fazer com que o dono da loja e o seu cliente tenham medo de que, caso venham a se engajar em uma transação no mercado negro, algum outro cliente na loja vá lhe informar.

Devido à privacidade e sigilo em que muitas transações no mercado negro ocorrem, o governo deve ainda fazer com que qualquer participante de tais transações tenha medo de que a outra parte possa ser um agente da polícia tentando apanhá-lo. O governo deve fazer com que as pessoas temam até mesmo seus parceiros de longa data, amigos e parentes, pois até eles podem ser informantes.

E, finalmente, para obter condenações, o governo deve colocar a decisão sobre a inocência ou culpa em casos de transações no mercado negro nas mão de um tribunal administrativo ou seus agentes de polícia presentes. Não pode contar com julgamentos por júris, devido à dificuldade de se encontrar número suficiente de jurados dispostos a condenar a vários anos de cadeia um homem cujo crime foi vender alguns quilos de carne ou um par de sapatos acima do preço máximo fixado.

Em suma, a partir daí o requisito apenas para a aplicação das regulações de controle de preços é a adoção de características essenciais de um estado totalitário, nominadamente o estabelecimento de uma categoria de "crimes econômicos", na qual a pacífica busca pelo auto-interesse material seja tratada como uma ofensa criminosa grave, e o estabelecimento de um aparato de polícia totalitário repleto de espiões e informantes e o poder de prisões arbitrárias.

Claramente, a aplicação e fiscalização do controle de preços requere um governo similar à Alemanha de Hitler ou a Rússia de Stalin, no qual praticamente qualquer um pode ser um espião da polícia e no qual uma polícia secreta existe e tem o poder de prender pessoas. Se o governo não está disposto a ir tão longe, então, nesta medida, o controle de preços se prova inaplicável e simplesmente entra em colapso. O mercado negro, então, assume maiores proporções. (Incidentalmente, não se sugere que o controle de preços foi a causa do reino de terror instituído pelos nazistas. Estes iniciaram seu reino de terror bem antes do decretamento do controle de preços. Como resultado, o controle de preços foi decretado em um ambiente feito para a sua aplicação.)

As atividades do mercado negro exigem o cometimento de outros crimes. Sob o socialismo "de fato", a produção e a venda de bens no mercado negro exige o desafio às regulações governamentais no que diz respeito à produção e à distribuição, bem como o desafio ao controle de preços. Por exemplo, o governo pretende que os bens que são vendidos no mercado negro sejam distribuídos de acordo com seu planejamento, e não de acordo com o do mercado negro. O governo pretende, igualmente, que os fatores de produção usados para se produzir aqueles bens sejam utilizados de acordo com o seu planejamento, e não com o propósito de suprir o mercado negro.

Sobre um sistema socialista "de direito", como o que existia na Rússia soviética, no qual o ordenamento jurídico do país aberta e explicitamente tornava o governo o proprietário dos meios de produção, toda a atividade do mercado negro, necessariamente, exige a apropriação indébita ou o roubo da propriedade estatal. Por exemplo, considerava-se que os trabalhadores e gerentes de fábricas na Rússia soviética que tiravam produtos destas para vender no mercado negro estavam roubando matéria-prima fornecida pelo Estado.

Além disso, em qualquer tipo de estado socialista, nazista ou comunista, o plano econômico do governo é parte da lei suprema do país. Temos uma boa idéia de quão caótico o chamado processo de planejamento do socialismo é. O distúrbio adicional causado pelo desvio para o mercado negro de materiais e suprimentos para produção é algo que o estado socialista toma como um ato de sabotagem ao planejamento econômico nacional. E sabotagem é como o ordenamento jurídico dos estados socialistas se refere a isto. Em concordância com este fato, atividades de mercado negro são, com freqüência, punidas com pena de morte.

Um fato fundamental que explica o reino de terror generalizado encontrado sob o socialismo é o incrível dilema em que o estado socialista se coloca em relação à massa de seus cidadãos. Por um lado, o estado assume total responsabilidade pelo bem-estar econômico individual. O estilo de socialismo russo ou bolchevique declara abertamente esta responsabilidade - esta é a fonte principal do seu apelo popular. Por outro lado, o estado socialista desempenha essa função de maneira desastrosa, tornando a vida do indivíduo um pesadelo.

Todos os dias de sua vida, o cidadão de um estado socialista tem de perder tempo em infindáveis filas de espera. Para ele, os problemas enfrentados pelos americanos com a escassez de gasolina nos anos 70 são normais; só que ele não enfrenta este problema em relação à gasolina - pois ele não tem um carro nem a esperança de jamais ter um - mas em relação a itens de vestimento, verduras, frutas, e até mesmo pão. Pior ainda, ele é forçado a trabalhar em um emprego que não foi por ele escolhido e que, por isso, deve odiar. (Já que sob escassezes, o governo acaba por decidir a alocação de trabalho da mesma maneira que faz com a alocação de fatores de produção materiais.) E ele vive em uma situação de inacreditável superlotação, com quase nenhuma chance de privacidade. (Frente à escassez habitacional, hóspedes são designados a moradias; famílias são obrigadas a compartilharem apartamentos. E um sistema de passaportes e vistos internos é adotado a fim de limitar a severidade da escassez habitacional em áreas mais desejáveis do país.) Expondo suavemente, uma pessoa forçada a viver em tais condições deve ferver de ressentimento e hostilidade.

Contra quem seria lógico que os cidadãos de um estado socialista dirigissem seu ressentimento e hostilidade se não o próprio estado socialista? Contra o mesmo estado socialista que proclamou sua responsabilidade pela vida deles, prometeu uma vida de bençãos, e que é responsável por proporcionar-lhes uma vida de inferno. De fato, os dirigentes de um estado socialista vivem um dilema no qual diariamente encorajam o povo a acreditar que o socialismo é um sistema perfeito em que maus resultados só podem ser fruto do trabalho de pessoas más. Se isso fosse verdade, quem poderiam estas pessoas más serem senão os próprios líderes, que não apenas tornaram a vida um inferno, mas perverteram a este ponto um sistema supostamente perfeito?

A isso se segue que os dirigentes de um estado socialista devem temer seu povo. Pela lógica das suas ações e ensinamentos, o fervilhante e borbulhante ressentimento do povo deveria jorrar e engolí-los numa orgia de vingança sangrenta. Os dirigentes sentem isso, ainda que não admitam abertamente; e portanto a sua maior preocupação é sempre manter fechada a tampa da cidadania.

Conseqüentemente, é verdadeiro mas bastante inadequado dizer apenas coisas como que o socialmo carece de liberdade de imprensa e expressão. Carece, é claro, destas liberdade. Se o governo é dono de todos os jornais e gráficas, se ele decide para quais propósitos a prensa e o papel devem ser disponibilizados, então obviamente nada que o goveno não desejar poderá ser impresso. Se a ele pertencem todos os salões de assembléias e encontros, nenhum pronunciamento público ou palestra que o governo não queira poderá ser feita. Mas o socialismo vai muito além da mera falta de liberdade de imprensa e de expressão.

Um governo socialista aniquila totalmente estas liberdades. Transforma a imprensa e todo foro público em veículos de propaganda histérica em prol de si mesmo, e pratica cruéis perseguições a todo aquele que ouse desviar-se uma polegada da linha do partido oficial.

A razão para isto é o medo que o dirigente socialista tem do povo. Para se proteger, eles devem ordenar que o ministério da propaganda e a polícia secreta corram atrás do prejuízo. Um deve tentar desviar constantemente a atenção do povo da responsabilidade do socialismo, e dos dirigentes socialistas, sobre a miséria do povo. O outro deve desestimular e silenciar qualquer pessoa que possa mesmo que remotamente sugerir a responsabilidade do socialsmo ou de seus dirigentes - desestimular qualquer um que comece a mostrar sinais de estar pensando por si mesmo. É por causa do terror dos dirigentes, e da sua necessidade desesperada de encontrar bodes-expiatórios para as falhas do socialismo, que a imprensa de um país socialista está sempre cheia de histórias sobre conspirações e sabotagens estrangeiras, e sobre corrupção e mau gerenciamento da parte de oficiais subordinados, e por que, periodicamente, é necessário desmascarar conspirações domésticas e sacrificar oficiais superiores e facções inteiras do partido em gigantescos expurgos.

E é por causa do seu terror, e da sua necessidade desesperada de esmagar qualquer suspiro de oposição em potencial, que os dirigentes do socialismo não ousam permitir nem mesmo atividades puramente culturais que não estejam sob o controle do Estado. Pois se o povo se reúne para uma amostra de arte ou um sarau de literário que não seja controlado pelo Estado, os dirigentes devem temer a disseminação de idéias perigosas. Quaisquer idéias não-autorizadas são idéias perigosas, pois podem levar o povo a pensar por si mesmo e, a partir daí, começar a pensar sobre a natureza do socialismo e de seus dirigentes. Estes devem temer a reunião espontânea de qualquer punhado de pessoas em uma sala, e usar a polícia secreta e seu aparato de espiões, informantes, e mesmo o terror para impedir tais encontros ou ter certeza de que seu conteúdo é inteiramente inofensivo do ponto de vista do Estado.

O socialismo não pode ser mantido por muito tempo, exceto através do terror. Assim que o terror é relaxado, ressentimento e hostilidade logicamente começam a jorrar contra seus dirigentes. O palco está montado, então, para uma revolução ou uma guerra civil. De fato, na ausência de terror, ou, mais corretamente, de um grau suficiente de terror, o socialismo seria caracterizado por uma infindável série de revoluções e guerras civis, conforme cada novo grupo dirigente se mostrasse tão incapaz de fazer o socialismo funcionar quanto foram seus predecessores. A inescapável conclusão a ser traçada é a de que o terror experimentado nos países socialistas não foi simplesmente culpa de homens maus, como Stalin, mas algo que brota da natureza do sistema socialista. Stalin vem à frente porque sua incomum perspicácia e disposição no uso do terror foram as características específicas mais necessárias para um líder socialista se manter no poder. Ele ascendeu ao topo através de um processo de seleção natural socialista: a seleção do pior.

É preciso antecipar um possível mal-entendido em relação à minha teses de que o socialismo é totalitário por natureza. Diz respeito aos países supostamente socialistas dirigidos por social-democratas, como a Suécia e outros países escandinavos, que claramente não são ditaduras totalitárias.

Neste caso, é necessário que se entenda que não sendo estes países totalitários, não são também socialistas. Os partidos que os governam podem até sustentar o socialismo como sua filosofia e seu fim último, mas socialismo não é o que eles implementaram como seu sistema econômico. Na verdade, o sistema econômico vigente em tais países é a economia de mercado obstruída, como Mises definiu. Ainda que seja mais obstruído do que o nosso em aspectos importantes, seu sistema econômico é essencialmente similar ao nosso, no qual a força motora característica da produção e da atividade econômica não é o governo, mas sim a iniciativa privada motivada pela perspectiva de lucro.

A razão pela qual social-democratas não estabelecem o socialismo quando estão no poder, é que eles não estão dispostos a fazer o que seria necessário. O estabelecimento do socialismo como um sistema econômico requer um ato massivo de roubo - os meios de produção devem ser expropriados de seus donos e tomados pelo Estado. É virtualmente certo que tais expropriações provoquem grande resistência por parte dos proprietários, resistência que só pode ser vencida pelo uso de força bruta.

Os comunistas estavam e estão dispostos a usar esta força, como evidenciado na União Soviética. Seu caráter é o dos ladrões armados preparados para matar se isso se mostrar necessário para dar cabo dos seus planos. O caráter dos social-democratas, em contraste, é mais próximo dos batedores de carteira, que podem falar em coisas grandes algum dia, mas que de fato não estão dispostos a praticar a matança que seria necessária, e então desistem ao menor sinal de resistência séria.

Já os nazistas, em geral não tiveram que matar para expropriar a propriedade dos alemães, fora os judeus. Isto porque, como vimos, eles estabeleceram o socialismo discretamente, através do controle de preços, que serviu para manter a aparência de propriedade privada. Os proprietários eram, então, privados da sua propriedade sem saber e, portanto, sem sentir a necessidade de defendê-la pela força.

Creio ter demonstrado que o socialismo - o socialismo de verdade - é totalitário pela sua própria natureza.

Atualmente nos Estados Unidos não temos nenhum tipo de socialismo. E não temos uma ditadura, muito menos uma ditadura totalitária.

Não temos também, ainda, fascismo, ainda que estejamos indo nesta direção. Entre os elementos essenciais que ainda faltam estão o sistema unipartidário e a censura. Ainda temos liberdade de expressão e imprensa e eleições livres, ainda que ambas venham sendo minadas e sua existência não possa ser garantida.

O que nós temos é uma economia de mercado obstruída que está se tornando mais e mais obstruída por uma intervenção governamental cada vez maior, caracterizada por uma crescente perda da liberdade individual. O crescimento da intervenção econômica governamental é diretamente relacionado com a liberdade individual pois significa uma crescente iniciação de violência para fazer com que as pessoas façam o que não escolheriam fazer voluntariamente ou para impedí-las de fazer o que voluntariamente escolheriam fazer.

Já que o indivíduo é o melhor juiz dos seus próprios interesses, e ao menos em regra é do seu interesse evitar aquilo que afeta negativamente seus interesses, segue que quanto maior a intervenção governamental, mais os indivíduos são impedidos de fazer aquilo que os beneficiariam, sendo compelidos, em vez disso, a fazer o que lhes causam perdas.

Hoje, nos Estados Unidos, os gastos governamentais no âmbito federal, estadual e municipal somam quase a metade da renda do conjunto de cidadãos que não trabalham para o governo. Quinze gabinetes de ministérios federais, e um número ainda maior de agências regulatórias federais, juntos, na maior parte das vezes com seus correspondentes no âmbito estadual e municipal, costumeiramente intrometem-se em virtualmente todas as áreas da vida do cidadão. Este é, de inúmeras maneiras, taxado, forçado e proibido.

Os efeitos desta pesada interferência governamental são desemprego, aumento de preços, queda de salários reais, necessidade de se trabalhar mais tempo e mais pesado e uma crescente insegurança econômica. Soma-se a isso o crescente ódio e ressentimento.

Embora a política governamental de intervenção na economia fosse o seu alvo lógico, o ódio e o ressentimento sentidos pelas pessoas acabam, em vez disso, sendo direcionados aos empresários e aos ricos. Trata-se de um equívoco alimentado em grande parte pela inveja e ignorância da imprensa e do establishment intelectual.

Em conformidade com esta atitude, desde o colapso da bolha do mercado de ações, que foi na verdade gerada pela política de expansão do crédito implementada pelo Fed e depois "furada" pelo abandono temporário de tal política, o ministério público tem adotado o que parece ser uma política particularmente vingativa contra executivos acusados de desonestidades financeiras, como se as suas ações fossem responsáveis pelas extensas perdas resultantes do colapso da bolha. Neste sentido, o ex-presidente de uma das maiores empresas de telecomunicações foi sentenciado recentemente a 25 anos de prisão. Outros executivos de ponta passaram por situação parecida.

De maneira ainda mais preocupante, o poder governamental de obter o mero indiciamento criminal se tornou equivalente ao de destruir uma firma, como ocorreu no caso da Arthur Andersen, uma grande firma de contabilidade. A simples ameaça do uso deste poder foi suficiente para forçar grandes corretoras de seguros nos Estados Unidos a mudarem sua administração ao gosto do Procurador-Geral de Justiça do Estado de Nova York. Não há outra maneira de descrever tais acontecimentos senão como condenação e punição sem julgamento e como extorsão governamental. Estes têm sido os principais passos de um caminho muito perigoso.

Felizmente, ainda há suficiente liberdade nos Estados Unidos para desfazer todo o estrago que foi feito até agora. Há, antes de mais nada, liberdade de elencar e denunciar publicamente tais fatos.

Além disso, existe a liberdade de se analizar e refutar as idéias que sustentam as políticas destrutivas que vêm sendo adotadas ou que possam vir a ser adotadas. E isso é muito importante, já que o fator fundamental de sustentação do intervencionismo e, é claro, também do socialismo, seja nazismo ou comunismo, é nada mais do que idéias equivocadas, sobretudo equivocadas econômica e filosoficamente.

Existe agora uma ampla e crescente literatura que apresenta idéias sólidas nestes dois campos vitais, Na minha opinião, os dois autores mais importantes desta literatura são Ludwig von Mises e Ayn Rand. Um abrangente conhecimento dos seus escritos é um pré-requisito indispensável ao sucesso na defesa da liberdade individual e do livre-mercado.

Este instituto, o Ludwig von Mises Institute, é o líder mundial na disseminação das idéias de Mises. Apresenta uma corrente constante de análises baseadas nas suas idéias, análises que aparecem em jornais acadêmicos, livros e períodicos e em artigos diariamente publicados no website do instituto, tratando de questões atuais. O Mises Institute educa estudantes secundaristas, universitários e jovens professores nas idéias de Mises e nas idéias próximas de outros membros da Escola Austríaca de Economia. Faz isto através do Mises Summer University, do Austrian Scholars Conference, e uma variedade de outros seminários.

Duas maneiras princpais de se lutar pela liberdade são educar a si mesmo ao ponto de tornar-se apto a falar e escrever de maneira articulada em sua defesa, como o fazem os acadêmicos associados a este instituto, ou, na ausência de tempo ou inclinação para dedicar-se a tais atividades, apoiar o instituto em seu trabalho vital da maneira que for possível.

É possível virar a maré. Nenhuma pessoa sozinha pode fazê-lo. Mas um número amplo e crescente de pessoas inteligentes, educadas na causa da liberdade econômica, falando e debatendo em sua defesa sempre que possível, é capaz de formar gradualmente a postura da cultura e, assim, da natureza do sistema econômico e político.

Vocês na platéia já estão envolvidos neste grande esforço. Espero que todos continuem e intensifiquem este compromisso.

* Este artigo é fruto de uma palestra dada no seminário "The Economics of Fascism, Supporters Summit 2005", no Mises Institute. O copyright © 2005 pertence a George Reisman. É dada a permissão para reprodução e distribuição eletrônica e impressão, exceto como parte de livro. (Notificação por email necessária).Todos os direitos reservados.

** George Reisman, Ph.D., é professor de economia (aposentado) na Graziadio School of Business and Management da Pepperdine University, em Los Angeles, e é o autor de Capitalism: A Treatise on Economics (Ottawa, Illinois: Jameson Books, 1996), do qual partes deste artigo foram retiradas. Seu website é www.capitalism.net. Contate-o, veja o seu Arquivo de Artigos Diários, e comente no seu blog.

[N.T.] Do original " inflation of the money supply"

Tradução de Fábio M. Ostermann

Lula corre risco de ser desestabilizado pelas forças ocultas globais, por causa da defesa dos biocombustíveis

Do blog ALERTA TOTAL
Por Jorge Serrão em sexta-feira, 23 de maio de 2008

No curtíssimo prazo, o chefão Lula da Silva tem tudo para cair em desgraça com os banqueiros internacionais que hoje lhe dão sustentação. Talvez Lula nem perceba, em sua ignorância do processo de globalitarismo, mas já deve se preparar para enfrentar “forças ocultas” por causa da sua insistente defesa internacional dos biocombustíveis. Se não mudar o discurso messiânico, Lula pode se transformar, rapidamente, em um político “descartável” para o Poder Real Mundial. Outros presidentes no Brasil já caíram por muito menos, de forma misteriosa.

A Oligarquia Financeira Transnacional, que tem no setor de petróleo e energia sua principal fonte de ganhos reais e especulativos, empreende uma campanha global para atrasar, ao máximo, a implantação de fontes de energia e combustíveis alternativos. A estratégia do Poder Real Mundial ficou cristalina a partir de ontem no discurso do novo relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação. Olivier De Schutter apelou para que norte-americanos e europeus abandonem suas metas de expansão do etanol como forma de ajudar a lidar com a crise na alta dos preços de alimentos.

A ONU, que é instrumento de poder da Oligarquia Financeira Transnacional, condena a produção de biocombustíveis na Europa e nos Estados Unidos. O representante das Nações Unidas no interesse do setor financeiro transnacional pede o fim da expansão, dos investimentos e dos subsídios nos programas de biocombustível nos países do Primeiro Mundo. O argumento cara de pau de Schutter é que, ao abandonar as metas, o mundo estará mandando uma "mensagem forte" contra a especulação no setor de commodities.

Na verdade, tal especulação (sobretudo com o petróleo, mas também com os alimentos) é promovida pelos banqueiros que controlam e manipulam as principais Bolsas de Mercadorias & Futuros do mundo. Ontem, o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o líbio Abdallah Salem el-Badri, advertiu que a cotação do barril de petróleo (que bate recordes diários) não tem qualquer relação com a demanda ou a oferta. Segundo a Opep, a especulação financeira pela escalada dos preços da commodity no mercado internacional.

No caso do etanol brasileiro, cujo processo de produção e comercialização a Oligarquia Financeira Transnacional já escalou “laranjas” para controlar, via compra de terras e usinas, o relator da ONU preferiu não condenar “ainda”. Olivier De Schutter quer informações da parte de especialistas para declará-lo como "inocente" ou não na atual crise de aumento do preço das commodities – sobretudo os alimentos. O chefão Lula que se cuide, pois vem chumbo grosso contra si, de onde menos ele espera, porque não sabe como toca a banda da economia globalitária.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

ÍNDIOS BRASILEIROS SELVAGENS ATACAM ENGENHEIRO COM FACÃO!

Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO


O engenheiro da Eletrobrás, Paulo Fernando Rezende, foi convidado para apresentar os estudos sobre o impacto da usina Belo Monte em Altamira, Pará. A palestra era assistida pela população, e por cerca de 600 índios de 24 etnias, a maioria de caiapós. Quando Rezende terminou de falar, os índios atacaram com socos e com golpes de facão. Uma índia ameaçou com um facão o engenheiro José Antônio Muniz, hoje presidente da Eletrobrás. A confusão foi acompanhada por policiais militares, que não intervieram. O engenheiro foi ouvido pela PF e fez exame de corpo delito. Ninguém foi preso. O Ministério Público Federal pediu à PF a abertura de inquérito para apurar o caso. Em nota, a diretoria executiva da Eletrobrás afirma que tomará todas as providências necessárias para que os responsáveis pela agressão sejam punidos.



FUNAI: AGRESSÃO NÃO TEM RELAÇÃO COM CONFLITO EM RR

O presidente da FUNAI, Márcio Meira, negou que a agressão ao engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, coordenador dos estudos de Belo Monte, em Altamira, no Pará, tenha relação com o conflito existente na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Rezende agredido por índios da etnia Caiapó. É uma situação especifica não tem a ver com Raposa Serra do Sol", disse Meira, em entrevista à rádio CBN. Redação terra

COMENTÁRIO

O mundo inteiro assistiu a cena mais terrível e selvagem quando os índios atacaram o engenheiro a socos e golpes de facão. Estou fora do país, e assisti horrorizada como os demais estrangeiros.

Amigos, não existe em parte alguma desse mundo, criminosos iguais aos nossos, com esse teor de brutalidade e cinismo. Considerar os índios como "incapazes" é pura insensatez. Os índios brasileiros são ricos e formados, e se aproveitam da Constituição que diz que eles precisam de tutela do Estado, para exercer impunemente sua selvageria sob o comando do núcleo duro comunistóide da FUNAI.

Atualmente, temos índios por toda parte agredindo. Claro, que eles estão sendo usados assim como são os trombadinhas, pelos criminosos, porque os interessados nessa barbárie sabem que eles não serão punidos pela nossa Constituição.

Ora, esses vagabundos são "incapazes"? Vagabundo é um adjetivo elogioso para esses assassinos ideológicos que estão sendo orientados a cometer as piores atrocidades diante das câmeras de TV. Por que ninguém foi preso no ato? Por que a PF se manteve imobilizada sem fazer nada diante desse horror? Não adianta esses malditos que hoje ocupam cargos no Poder, querer falar do passado do regime militar, porque nunca nada foi igual a este pesadelo que o Brasil está vivendo. É o prenúncio de vermos nossas casas sendo invadidas pelos "incapazes" logo mais.

O nosso conforto ao engenheiro Paulo Fernando Rezende, cuja família deve ter ficado em prantos, insegura e horrorizada, como todos nós os civilizados ficamos ao ver tamanha selvageria. Que esses índios fiquem “mocozados” nos seus buracos, pois lá, é o lugar apropriado para quem faz jorrar sangue como espetáculo.

Enfim, Lula da Silva devia ser o presidente da reserva indígena e não o presidente do Brasil. É isso que dá ter um selvagem na presidência. Por Gabriela/Gaúcho

O MUNDO DO BIG BROTHER

Por Arlindo Montenegro, publicado simultaneamente no blog ALERTA TOTAL do Jorge Serrão.

As pessoas, as nações, as idéias, como os frutos que a natureza nos oferece, têm um tempo próprio para amadurecer/evoluir. Um tempo certo para as transformações características de vegetais, animais e humanos.

As revoluções implicam em transformações que ignoram os movimentos naturais, como meter um alimento num forno de micro ondas ou enfiar idéias políticas, econômicas e sociais goela abaixo, de modo forçado. Submeter pessoas, nações, contrariando a natureza para mudar o mundo.

O mundo, as nações, os parâmetros de uma sociedade amadurecem como frutos da convivência ativa, produtiva e harmônica. Fala-se muito em capitalismo selvagem como causador de todos os males. O comunismo causou males e sofrimentos bem mais profundos e continuados onde foi implantado. As seqüelas estão bem à vista.

O que interessa não é defender este ou aquele sistema de poder e ferramental bélico ou influencia para manter a dominação. Soldados, exércitos, regulamentos e armas são idênticos. O que nos interesse apreciar é o modelo de produção que cada sistema desenvolve. É o que move a gente para o trabalho e a geração de riqueza e bem estar.

No sistema comunista o Estado super poderoso domina todas as propriedades, bens de produção, distribuição e comercialização. Um só agrupamento ideológico, um só homem durante decênios, uma espécie de paizão determina, comanda a vida da coletividade, decide tudo, decide por todos.

Como tudo sobre a vida é imposto a cada cidadão, como tudo quanto se produz no campo ou na indústria obedece ao padrão determinado pelo “plano”, a competitividade, a vontade e a iniciativa das pessoas mingua. Ninguém quer ser escanteado por pensar ou querer fazer diferente. Inexiste a ferramenta principal a diferença no produto final: a vontade individual de fazer melhor.

A competitividade como instrumento democrático de produção, marcou a construção da mais rica nação, bem como a que mais avançou na utilização de mecanismos democratizantes de modo exemplar: os EUA. O império norte americano ergueu-se com alguns fundamentos diferenciados. Algumas características que devem ser lembradas.

Os colonos ingleses, que desembarcaram nos EUA em 1620 (mais de cem anos depois do “descobrimento” do Brasil) eram grupos familiares de protestantes, fugindo de uma Inglaterra perseguidora. Estavam determinados a criar uma sociedade fundamentada na crença de que o trabalho dignifica o homem.
Aquelas famílias eram todas alfabetizadas e bem educadas na tradição protestante da leitura da Bíblia.

O capitalismo em sua essência brotou do trabalho familiar, do respeito entre famílias, da competitividade com respeito humano para merecer as bênçãos, (prêmios divinos) pela competência. Para ser mais merecedor, a condição era o estudo e capacitação, que os conduzia à pesquisa e modos diferenciados de fazer a mesma coisa e fazer coisas novas.

A coroa inglesa explorava aqueles colonos cobrando taxas e impostos, além de lucrar com os recursos minerais e vegetais que não existiam na Europa. Isto aconteceu até 1776, quando foi redigida a Declaração de Independência (quase meio século antes do Brasil).

Dez anos depois, 1878, os EUA tinham sua Constituição garantindo a propriedade privada, os direitos e garantias individuais dos cidadãos. Franceses, espanhóis e holandeses também estiveram presentes naquela história. Houve guerras, escravidão e a reforma agrária mais democrática: os lotes eram assinalados e quem chegasse primeiro numa corrida a cavalo, era titulado.

Rememorando: famílias alfabetizadas, religiosidade, propósito, estudo, competência. Independência sem rei terrestre. A autoridade divina em primeiro lugar. Competitividade, gratificação e orgulho, como fundamentos do desenvolvimento capitalista. O maior lucro obtido do menor custo produtivo e pelo diferencial da oferta competitiva.

Nossa educação histórica no Brasil, fundamentou-se em crenças menos rígidas, menos religiosas, primando pelo paternalismo e autoridade do homem representando a autoridade divina. No 7 de Setembro de 1822, ganhamos a Independência “como reino irmão de Portugal”. E o rei proibindo qualquer tipo de indústria no Brasil. Dificultando a autonomia da colônia, impedindo a possibilidade de um desenvolvimento econômico independente. Preservando os lucros comerciais para a metrópole. Até a proclamação da República em 15 de novembro de 1889, por iniciativa de um grupinho e declaração de um Marechal.

Rememorando: Independência dependente do Reinado, República resultante de uma conspiração, colonos obedientes aplaudindo as autoridades. Um berço esplêndido para uma democracia amorfa e paternalista. Um paternalismo que instaurou famílias oligarcas no poder perpetuando a exploração do trabalho e impedindo a iniciativa, a educação, a reforma agrária, a maturidade e emancipação do povo.

Resultado: um capitalismo de Estado selvagem explorando a gente mantida na ignorância da essência das liberdades democráticas, mantida na ignorância de valores como a família, a religiosidade, o saber. Um povo mantido na ignorância do significado de uma missão de vida, participação ativa e responsabilidade patriótica.

Um povo que não conquistou nada, que historicamente foi conduzido de modo enviesado para receber as esmolas do rei, do imperador, do fazendeiro, do governo, do padrinho e até de Deus.

E assim chegamos ao ambiente histórico ideal para o capimunismo, para o capitalismo selvagem do Estado na exploração de uma nação. Se Deus quiser eu ganho na mega sena, no jogo do bicho, na loteria da tv ou sou escolhido para a casa do big brother e ganho um milhão ou minha filha fica bem gostosa, posa nua para uma revista e garante minha velhice.

terça-feira, 20 de maio de 2008

GRAMSCI E A ESTRATÉGIA ATUAL DAS ESQUERDAS

Do portal GRUPO INCONFIDÊNCIA

Palestra realizada pelo general José Saldanha Fábrega Loureiro, no Círculo Militar/BH, dia 31 de outubro de 2001 e divulgada no Jornal do Grupo Inconfidência, em 4 partes.

parte 1

“A crise do ‘Socialismo Real’ compromete uma específica interpretação de Marx, mas não o patrimônio categorial do marxismo, expresso nos textos clássicos... O que se esfacela com esta crise é o marxismo-leninismo, utilizado como pseudônimo do stalinismo, que empobreceu o aporte teórico de Marx e a própria leitura de Lenine... A esperança revolucionária não se esgotou somente porque o comunismo entrou em colapso no Leste Europeu”.

Estas são palavras de um conhecido intelectual marxista, o Sr Nelson C. Coutinho, e servem para nos alertar sobre precipitadas afirmações, comumente difundidas, tais como: o comunismo acabou, a era das ideologias está finda, a proposta marxista está superada e o mito da revolução já não empolga as massas. Será verdade? Não é demais lembrar que as ideologias entram em crise mas não desaparecem facilmente - mesmo porque, como ensina Daniel Bell, “o fim da ideologia não deve representar o fim da utopia”.

A queda do muro de Berlim encerra apenas um ciclo da história, mas não representa evidentemente seu final. É um grande equívoco acreditar que o comunismo morreu somente porque a “praxis” marxista-leninista, na ex-URSS, redundou num contundente fracasso. Mas o que é inegável, em verdade, é que o comunismo ingressa no século XXI com o seu prestígio abalado e com a sua proposta transformadora sob questionamento. Porém o mais surpreendente é que, paradoxalmente, isso tudo, muito pouco afetou a situação das esquerdas no Brasil. A muitos intriga e surpreende, em primeiro lugar, a rápida e eficiente recuperação do espectro comunista, após a derrota acachapante que as forças democráticas da nação lhe impuseram, nas décadas de 1960/70. Em segundo lugar, a situação inusitada, em termos de participação, reapresentação e influência política, alcançada, hoje, pelas correntes de esquerda no Brasil, em contraste com o desprestígio vivido pela proposta comunista, em nível internacional. Certamente, em nenhum outro período, desde a fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1922, o segmento comuno-tupiniquim desfrutou de tão consistente e privilegiada situação, no espaço sócio-político brasileiro, como atualmente. Isto tudo, porém, não aconteceu por acaso.

Para este quadro paradoxal, muito contribuiu um fato importante, que por muito tempo escapou da nossa observação. É que após a contundente derrota na luta armada, portanto, cerca de 15 anos antes da queda do Muro de Berlim, as esquerdas brasileiras iniciaram a catarse do leninismo e seus derivados (maoísmo, castrismo, foquismo, etc.) - o tradicional paradigma estratégico da III Internacional - e uma nova opção estratégica para a tomada do poder no Brasil, começa a surgir; agora porém, sob a influência e a liderança do segmento sócio-marxista mais intelectualizado, dando cumprimento, assim, a um aceitável axioma que recomenda: uma estratégia derrotada tende a ser, prudentemente, substituída e não, imprudentemente, repetida.

De nossa parte, é preciso reconhecer que, se por um lado, fomos suficientemente competentes para derrotar todas as tentativas do marxismo-leninismo durante 40 anos, por outro, custamos a perceber que no âmbito do próprio marxismo haviam outras alternativas estratégicas que possibilitavam a continuidade da sua luta pela tomada do poder. E entre tais alternativas - talvez a mais original de todas - destacava-se, nos textos do neomarxismo italiano, a proposta teórico-estratégica de Antônio Gramsci, que a ortodoxia de Prestes e companhia sempre repeliu e nós, os vencedores de 1964, com algum retardo fomos perceber.

Justamente, é com base nas concepções de Gramsci “o mais original pensador neomarxista italiano” que o segmento intelectual comuno-brasileiro vai encontrar inspiração e suporte, seja para superar a incômoda situação a que fora submetido, em face da inclemente derrota nos anos de 1970, seja para definir o rumo da sua inserção no processo político que, sob novos moldes, já se delineava no horizonte dos últimos governos da Revolução de 1964. Assim podemos dizer que Gramsci é, hoje, o grande “guru” das esquerdas brasileiras e o inspirador da estratégia que modula as suas ações na luta pela conquista do poder. Aliás, luta esta que vem incluindo um discurso que se caracteriza por falar de uma tal “democracia radical” e que enfatiza como legenda maior a LUTA PELO SOCIALISMO NO BRASIL, sem contudo especificar, de modo claro e insofismável, qual a forma de LUTA que pretende empreender e qual o TIPO DE SOCIALISMO que pretende implantar. Bem! A ambigüidade e o mimetismo são velhas e conhecidas armas do arsenal persuasivo das esquerdas.

Uma estratégia derrotada tende a ser, prudentemente, substituída e não, imprudentemente, repetida. Gen. Fábrega

parte II

A revolução triunfará através da estratégia de "Guerra de Posição", mediante a qual se desgasta o inimigo penetrando nas "casamatas" e "fortificações" da "Sociedade Civil". Antônio Gramsci

Mas quem é Gramsci ?

Antônio Gramsci nasceu em Ales, na Sardenha em 1891. Desde cedo exerceu intensa atividade intelectual e política, tendo sido um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI) em 1921.

Por sua militância política e ferrenha oposição ao fascismo foi preso em NOV/1926, aos 35 anos de idade, e condenado a 24 anos de prisão. Nesta ocasião era deputado ao Parlamento Italiano e principal dirigente do PCI. Após cumprir 11 anos de prisão, devido ao seu precário estado de saúde, foi posto em liberdade, em 20.04.1937, vindo a falecer, sete dias após, numa clínica em Roma.

Sua obra de maior relevo e repercussão está consubstanciada nos denominados "CADERNOS DO CÁRCERE", escritos na prisão entre 1929 e 1935. São 33 cadernos manuscritos que perfazem um total de 2.500 páginas. Segundo Giovani Reale destacado filósofo e historiador italiano...."a obra de Gramsci constitui uma das mais notáveis reelaborações do marxismo, no século vinte, tanto por suas referências aos problemas sociais, culturais e políticos, mas também por sua tentativa de integrar o marxismo na história italiana..."

Os escritos de Gramsci só vieram a ser conhecidos após a Segunda Guerra Mundial (1945). Até então eram totalmente ignorados uma vez que foram, por inteiro, produzidos no interior da prisão.

Vale acrescentar que o pensamento de Gramsci não constitui unanimidade dentro da ortodoxia marxista-leninista, que sempre identificou nas suas propostas um acentuado viés revisionista.

Daí explicar-se a dificuldade de aceitação e penetração do gramscianismo nos centros irradiadores do Movimento Comunista Internacional (MCI) e, também, da sua tardia difusão fora da Itália.

Entretanto a leitura atenta da sua obra demonstra, insofismavelmente, que os seus estudos, reflexões e propostas têm como fundamento essencial e ponto-de-partida os referenciais básicos oferecidos pelo marxismo teórico - a "filosofia da praxis" - isto é : o materialismo dialético, o materialismo histórico, a luta de classes, o mito da revolução etc. etc. Isto significa dizer que o comprometimento total da sua proposta inovadora está dirigido, essencialmente, para a consecução da "revolução socialista", cujo propósito maior é a superação da sociedade burgueso-capitalista e a conseqüente edificação da sociedade proletária.

Percebe-se, porém, que certos autores gramscianos, propositadamente, procuram omitir ou esmaecer o sectarismo e o revolucionarismo marxista consubstanciados na proposta de Gramsci, apresentando-a, eufemisticamente, como uma forma mitigada (de marxismo) de passagem do capitalismo ao comunismo, atitude que representa um claro desvirtuamento dos propósitos da obra do pensador italiano. Gramsci, manteve-se sempre fiel à essência do projeto comunista, embora, tenha proposto formas e caminhos mais consentâneos com o mundo do seu tempo, mas sem perder a referência essencial da teoria marxista.

Qual a essência da proposta teórica de Gramsci ?

O desenvolvimento da teoria de Gramsci buscou motivação na necessidade de encontrar respostas e alternativas ao inconteste fracasso em que se transformara a aplicação do paradigma revolucionário bolchevista (Revolução Russa/1917) nos países capitalistas desenvolvidos da Europa.

Gramsci convenceu-se de que o mencionado fracasso resultara, primordialmente, da inadequação da estratégia bolchevista ("Guerra de Movimento") às condições histórico-políticas e culturais daqueles países, que, evidentemente, se revelavam flagrantemente distintas das condições vigentes na Rússia em 1917. Percebeu, também, que o ponto focal desta distinção residia, sobretudo, no grau de desenvolvimento e organização da "Sociedade Civil", numa e noutra formação social, e, fundamentalmente, na dinâmica das relações entre "Sociedade Civil" e Estado ("Sociedade Política"). Isto evidenciava, nitidamente: a importância do processo histórico-cultural dos países-alvos, o elevado significado estratégico da "Sociedade Civil" e a necessidade de formulação de uma nova estratégia, adequada ao universo sócio-político de tipo europeu. A partir daí, Gramsci construiu a sua teoria sobre a estratégia da "Guerra de Posição", destinada à conquista do poder numa Sociedade de tipo "Ocidental". Este termo tem um sentido meramente metafórico e não necessariamente geográfico como pode parecer. Para explicitar a sua teoria, o autor criou um corpo conceitual próprio, hoje conhecido e designado como "Categorias de Gramsci", cuja originalidade terminológica e de suporte analítico constitui uma especificidade no seio do marxismo.

Por exemplo: Sociedade Civil, Sociedade Política, Hegemonia, Consenso, Senso Comum, Intelectual Orgânico, Domínio, Direção Cultural, Bloco Histórico, Oriente e Ocidente, Crise Orgânica, etc. etc., são categorias de Gramsci , freqüentemente utilizadas no proselitismo ideológico das esquerdas, sem que a audiência leiga, muitas vezes, perceba o vinculo categorial desses termos.

Mas, vejamos como se referiu Gramsci sobre as estratégias da "Guerra de Movimento" e da "Guerra de Posição":

No "Oriente" o Estado era tudo e a "Sociedade Civil" era primária e gelatinosa. Neste caso a "Guerra é de Movimento", isto é, caracterizada pelo ataque frontal e direto à Cidadela do Poder.

No "Ocidente" entre Estado e "Sociedade Civil" havia uma adequada e equilibrada relação e quem pretendesse flanquear o Estado encontraria, de imediato, a robusta estrutura da "Sociedade Civil". O Estado não era mais que uma trincheira avançada, atrás da qual havia uma sólida cadeia de fortificações e casamatas... Em tais circunstâncias, a revolução não pode triunfar no "Ocidente" através de um choque frontal contra as trincheiras do Estado, porque estas se encontram bem consolidadas e protegidas. Neste caso, a revolução triunfará através da adoção da estratégia da "Guerra de Posição", mediante a qual se desgasta o inimigo penetrando nas fortificações e casamatas da Sociedade Civil. Este é o único caminho que pode levar o Partido Comunista ao Poder nos países de perfil "Ocidental".

A "Guerra de Posição", concebida por Gramsci para a conquista do "Poder no Ocidente", tem como referência e fundamento a dinâmica das inter-relações dialéticas (ação recíproca) entre a "Sociedade Civil" e a "Sociedade Política" (Estado no sentido estrito), característica essencial das sociedades tipo "Ocidental". Lenine, por exemplo, em 1917, empregou a "Guerra de Movimento", atacando, de modo frontal e direto, o Estado Russo, porque lá o Estado era tudo e não havia uma "Sociedade Civil" organizada, participativa e dinâmica, que fizesse o contraponto relacional com a "Sociedade Política" (Estado).

Já no "Ocidente", essa inter-relação dialética é decorrência de um processo hegemônico continuado e desenvolvido ao longo da história, que, por sua vez, gerou uma concepção de mundo própria (ideologia), consubstanciada, hoje, no que a linguagem gramsciana chama de "Senso Comum" da Sociedade burguesa . O "Senso Comum" é representado pela incorporação, comunhão e prática de valores, princípios, procedimentos, tradições, costumes, história, civismo, vultos, próceres, etc, enfim, a própria Cultura.

"Gramsci manteve-se sempre fiel à essência do projeto comunista, embora propondo formas e caminhos mais consentâneos com o mundo do seu tempo."

parte III

Por oportuno, desejamos iniciar esta Parte III, com a seguinte OBSERVAÇÃO: Por reconhecer que a teoria de Gramsci apresenta um certo grau de complexidade, sobretudo conceitual, pedimos escusas antecipadas por algum excesso teórico-didático, presente na nossa abordagem sobre a “Guerra de Posição”. Vale dizer, entretanto, que o nosso propósito maior, no caso, é facilitar ao máximo a compreensão do assunto e, principalmente, oferecer aos caros leitores mais um instrumento teórico-auxiliar, para a leitura dos fatos que perfilam a nossa complexa realidade atual (dominada pelo mimetismo, pela ambigüidade e pelas manipulações das esquerdas, em geral) e máxime para identificar os seus fatores de comandamento, de modo a constatar o inequívoco e perceptível avanço da estratégia de Gramsci no nosso país.

No diagnóstico gramsciano, o “Senso Comum” é uma visão de mundo acrítica, difundida (pelas classes dominantes) no seio das classes subalternas (proletariado urbano e rural), constituindo-se, assim, num eficaz instrumento de dominação ideológico-cultural e, ipso fato, de afirmação da “Hegemonia” burquesa. Este entendimento harmoniza-se com um clássico conceito marxista, que sublinha: “as idéias dominantes, em todas as épocas, sempre foram idéias da classe dominante”. Há um texto de I. Simionatto (Ed.Cortez/95), bastante ilustrativo que complementa esta parte: ....“a “Hegemonia” cria a subalternidade (social) de outras classes, não apenas pela submissão à força, mas também pela submissão às idéias... A classe dominante repassa a sua ideologia (concepção de mundo) e realiza o controle do “Consenso” através de uma rede articulada de aparelhos culturais – que Gramsci chama de “Aparelhos Privados de Hegemonia” e o ilustre Professor Jorge Boaventura, da ESG, muito apropriadamente, denomina de “Centros de Prestígio e de Irradiação Cultural”. Estes aparelhos (que correspondem às “casamatas” e “fortificações” da “Sociedade Civil”) compreendem: Escolas, Universidades, Igrejas, Mídia (Rádio, TV, Jornais, Revistas, etc), Associações Intelectuais, Culturais, Corporativas, Sindicatos, Editorialismo, Literatura, Crítica, Cinema, Artes em geral, ONGs, etc. “Através desses aparelhos é que é imposta às classes subalternas a submissão passiva e feito o repasse ideológico (isto é, o próprio “Senso Comum”)”.

Gramsci, por seu turno, destaca que “a supremacia (Hegemonia) de um grupo social se manifesta como “Domínio” ou como “Direção” Intelectual e Moral” (cultural). O “Domínio” pressupõe o acesso ao Poder, o uso da força e a coerção. A sede do “Domínio” é o Estado (“Sociedade Política”). Já a “Direção”, que corresponde à “Hegemonia” propriamente, é exercida na “Sociedade Civil” e é alcançada mediante a persuasão, o proselitismo, a doutrinação, a adesão, enfim pela obtenção do “Consenso”. A “Hegemonia” se conquista e se exerce no universo aliado; o “Domínio”, por sua vez, é imposto sobre o universo antagônico.

Esta visão conceitual levou Gramsci a concluir que: “um grupo social pode e deve ser dirigente, antes mesmo de ser dominante, significando dizer que: antes de ter o Poder Governativo, um grupo social pode conquistar a “Direção” ideológica e cultural, na Sociedade como um todo. Tal entendimento evidencia, claramente, a posição de relevo que a “Hegemonia” (e por extensão o “Senso Comum”) ocupa na formulação estratégica da “Guerra de Posição”, corroborada, também, numa conhecida sentença de Gramsci: “jamais existiu um Estado sem “Hegemonia” e, em substância, a luta entre duas classes que se disputam o poder é, antes de tudo, uma luta entre duas “Hegemonias”. Por outro lado, cabe frisar que a “Hegemonia” só se completa com a eliminação do “Senso Comum” da classe dominante e com a conseqüente imposição de um “Novo Senso Comum”. Nesta oportunidade, vale mostrar aos caros leitores como este processo já está em curso no país, recorrendo, para isso, a um exemplo apresentado pelo General Sérgio A. Coutinho, que destaca alguns aspectos pragmáticos, que se enquadram nas técnicas do gramscianismo, com vistas à mudança do “Senso Comum”, vigente na nossa Cultura: “Sociedade nacional x sociedade civil organizada; direito positivo x direito alternativo; desenvolvimento x ecologia; vulto histórico x líder popular; vontade nacional x opinião pública; tradição x atraso; organismo público x comunidade; invasão x ocupação; legal x legítimo; casamento x união civil de parceiros – formalidade x informalidade”.

Retomando, pode-se aduzir que toda esta elaboração teórico-conceitual, até aqui apresentada, está imbricada na grande premissa estabelecida por Gramsci que: considerou a fórmula maximalista, adotada por Lenine em 1917, como superada, levando, em conseqüência, o pensador italiano a fixar-se na concepção de que a luta revolucionária, no “Ocidente” deve ser travada, substantivamente, no plano das idéias e da cultura, afastando-se, deste modo, do economicismo estrutural, próprio do marxismo clássico.

Neste contexto, portanto, a “batalha cultural” assume um papel preponderante, na rota para a conquista do Poder, apresentando-se, no caso, como “fator decisivo no processo de luta pela “Hegemonia”, na conquista do “Consenso” e da direção político-ideológica, por parte das classes subalternas”. O espaço estratégico nesta contenda é representado pelas “casamatas” e “fortificações” da “Sociedade Civil” – (que na visão gramsciana compreende o conjunto das relações políticas, sociais, ideológicas, culturais, religiosas, intelectuais, etc. e, como tal, é cenário da luta de classe, do repasse do “Senso Comum” e palco dos fatos históricos) – e pelos estamentos da “Sociedade Política” (Estado).

A guisa de síntese e recorrendo a uma linguagem mais formatada, tipo “conceito de operação”, podemos dizer que: Na estratégia da “Guerra de Posição”, a luta revolucionária se caracteriza, em essência, pela disputa da “Hegemonia” (direção política, ideológica e cultural) e conseqüente obtenção do “Consenso” (adesão, concordância, aceitação voluntária), nas “casamatas” e “fortificações” da “Sociedade Civil”, a fim de neutralizar (pela desinformação, desgaste, desvirtuamento, etc) o repasse da ideologia burguesa e impor um “Novo Senso Comum”, criando, ato continuo, as condições subjetivas e objetivas necessárias para investir sobre os estamentos da “Sociedade Política” (Estado), conquistar o Poder burguês (“Domínio”), elevar o proletariado à condição de classe dominante e implantar uma “nova ordem”, calcada nos cânones do marxismo.

Percebe-se, assim, que a “Sociedade Civil” funciona como a grande plataforma de manobra, tanto para a conquista da “Hegemonia” num primeiro tempo, quanto para o investimento sobre a “Sociedade Política”, quando constituirá a própria base estratégica. A tática de luta repousa, por excelência, na “Penetração Cultural”, levada a efeito, como já ressaltado, nos espaços da “Sociedade Civil” e do Estado (“Sociedade Política”). A penetração nos estamentos deste último, opera-se, na verdade, de forma concomitante com a disputa pela “Hegemonia” na “Sociedade Civil” e é dirigida, basicamente, sobre as instâncias e organizações dos Serviços Públicos, Justiça, Legislativo, Executivo, Procuradoria, Promotoria, Defensoria, TCU, Empresas Estatais, Autarquias, Forças Armadas, Polícias, Universidades e Escolas Públicas, Hospitais, Associações de Funcionários, Sindicatos etc.etc.

Um exemplo inequívoco do processo de penetração do gramcianismo nos estamentos do Estado brasileiro e na “Sociedade Civil” é a “Operação Marabá”, levada a efeito por motivação ideológica e conduzida por funcionários da “Sociedade Política”: policiais e procuradores federais, em íntima ligação com jornalista --estes últimos, funcionários pertencentes a uma "casamata" de "Sociedade Civil" (integrantes da parcela "araponga" da mídia "hegemonizada") -- A citada operação, vale recordar, foi realizada contra instalações da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Marabá/PA.

Esta forma de atuação, inaceitável e sem precedentes é bastante reveladora de que na Procuradoria Geral da República e na Polícia Federal, já vige, hoje, um "Novo Senso Comum" que, ideologicamente, inspira e baliza as suas ações e procedimentos institucionais, sendo que, no presente caso, tiveram propósito de inibir e neutralizar a atuação das Forças Armadas na Segurança Interna, objetivo buscado insistentemente pelas esquerdas derrotadas.

“Jamais existiu um Estado sem “Hegemonia” e, em substância, a luta entre duas classes que se disputam o poder é, antes de tudo, uma luta entre duas “Hegemonias”

parte IV (final)

Gramsci dedica um apreciável espaço na sua obra para realçar o papel decisivo e estratégico reservado aos “Intelectuais” e ao Partido Político, na “Guerra de Posição”.Dadas as peculiaridades e, sobretudo, o caráter da luta visualizada na proposta gramsciana de tomada de poder – que muitos identificam como uma modalidade da estratégia indireta, tipicamente de desgaste e de aplicação a longo prazo – pode-se admitir que a “Força de Manobra Revolucionária”, na “Guerra de Posição” está centrada, basicamente, na tropa de “Intelectuais Orgânicos” e no Partido Político (o Comando), que Gramsci também denomina de “Intelectual Coletivo” e de “Moderno Princípio”, este por inspiração maquiaveliana.

O texto gramsciano destaca que: “uma massa humana não se distingue e não se torna independente, por si, sem organizar-se; e não existe organização sem “Intelectuais”. O Partido Político é o novo e eficiente instrumento para enfrentar os grupos dirigentes, na luta pela conquista da “Hegemonia”. Ele será o “parteiro”de uma nova sociedade, realizando a elevação cultural das massas (reforma intelectual e moral) e movendo as suas vontades à ação político-revolucionária. (G.Staccone – Vozes/95)

A teoria de Gramsci, na verdade, considera duas categorias de “Intelectuais”: os “Orgânicos” e os “Tradicionais”. Os primeiros se caracterizam, antes de tudo, pela função organizadora e militante que exercem, em prol da causa revolucionária e não, necessária e obrigatoriamente, por possuírem um elevado nível cultural ou de conhecimento, ou mesmo pelo exercício efetivo da atividade intelectual. Os “Intelectuais Orgânicos” distinguem-se, de fato, por serem os artífices da organização, da doutrinação ostensiva e subliminar e do repasse do “Novo Senso Comum”.

Por exemplo, o Sr. José Rainha e sua esposa dona Deolinda, membros do MST, são considerados “Intelectuais Orgânicos” do mesmo modo como o são Frei Beto, o Senador Roberto Freire e o Sr. Chico Buarque de Holanda. Os “Intelectuais Tradicionais”são os que realmente exercem atividades intelectuais, possuindo as qualificações devidas e reconhecidas como tais. Em princípio, constituem um grupo autônomo adaptado à convivência com a ideologia dominante.

Habitualmente são alvo de cooptação ideológica, até mesmo pelo afago às suas vaidades e, via de regra, são pressionados e patrulhados pelos “Intelectuais Orgânicos” para aderirem ou colaborarem com a causa revolucionária.

Não será difícil para os caros leitores identificar um e outro tipo de “Intelectual”, no universo brasileiro, onde os “orgânicos” já desfrutam de posições consolidadas na mídia, na educação, nas igrejas, na cultura, nos sindicatos, nas associações de profissionais liberais, no serviço público, nos movimentos ditos populares, nas ONG(s), etc. A acelerada penetração ideológico-cultural e a concomitante disseminação do “Novo Senso Comum”, no nosso espaço sócio-político, têm estimulado a incorporação de novos segmentos sociais (inclusive classe média) ao espectro ativista-participativo e militante das esquerdas em geral, indicando o surgimento de um esdrúxulo “proletariado ampliado” e, por via de conseqüência, a moldagem de uma nova “identidade de classe”. Tal fenômeno tem feições próprias do atual processo sócio-político brasileiro, mas certamente deve ser encarado, também, como produto das transformações , sobretudo sociais, trazidas pela dinâmica da nova “Sociedade de Serviços”, cuja tardia percepção na União Soviética levaram-na á completa desintegração, como indica F.Fukuyama.

Por outro lado, ao contrário do que ocorreu em relação aos pólos irradiadores do marxismo-leninismo (detetados e conhecidos), os centros de irradiação do gramscianismo, hoje no Brasil, são bastante difusos, não permitindo, ainda, a sua precisa indicação.

Entretanto, poder-se-ia dizer que, atualmente, o gramscianismo atua e propaga-se por capilaridade ideológica, valendo-se dos partidos de esquerda, em geral, e da rede militante menos radical do espectro marxista no país.

Do ponto-de-vista teórico-estratégico, o quadro final que a “Guerra de Posição” pretende configurar é o da geração de uma crise irreversível nos domínios do Estado burguês, motivada pela ruptura do equilíbrio nas relações entre a “Sociedade Política” e a “Sociedade Civil”. Segundo Gramsci, nas Sociedades “ocidentalizadas” o Estado se “ampliou”, isto é: o Estado (lado sensu) é concebido como um conjunto composto de dois elementos indissociáveis: a “Sociedade Política” (Estado stricto sensu) e a “Sociedade Civil”. Isto significa que o Estado, em si, detém, ao mesmo tempo, as funções de Domínio (coerção) e de Direção (“Hegemonia”) – “Hegemonia revestida de coerção”.

A crise final se instalará, justamente, quando o “Estado Ampliado” perder a “Hegemonia” (Direção) na “Sociedade Civil”- o que significa perder a legitimidade – ficando destarte reduzido aos estamentos da “Sociedade Política” (Estado stricto sensu) e ao exercício do Domínio (coerção). Isto ocorrerá porque nos espaços da “Sociedade Civil” já terão sido implantados, de fato, um “Novo Senso Comum” e uma nova “Hegemonia”, sob a liderança das classes subalternas que, em conseqüência, terão adquirido a condição de “classe dirigente”, mas não ainda a de “classe dominante”, que só se produzirá com a conquista da “Sociedade Política”, isto é com a obtenção do “Domínio” (o Poder).

Tal situação retrata um quadro caótico, em que uma classe tem o “Domínio” e a outra classe a “Direção” a (“Hegemonia”) indicando, pois, a inevitabilidade do confronto e da ruptura final. Esta antevisão caracteriza o que Gramsci denomina de “Crise Orgânica” e que está sintetizada numa frase sua: “o velho está morto e o novo não pode nascer”.

O que os democratas devem ter presente é que o impasse da “Crise Orgânica” será resolvido inclusive pela “Guerra de Movimento”, se necessário. Gramsci nunca negou esta possibilidade. Eis o porquê da generosidade do tratamento concedido ao MST, pelas esquerdas no Poder.

O “novo” nascerá seja de parto normal seja pela ação “cesária” das armas; mas nascerá de qualquer maneira, porque o seu nascimento representa o caminho único para a edificação do Estado Comunista.

Segundo o insuspeito Norberto Bobbio, Gramsci, como todo bom marxista, não fugiu à regra e, na sua obra, ocupou-se somente dos aspectos relativos à tomada do Poder, revelando-se omisso e silente com relação aos problemas do exercício da democracia e dos limites do Poder do Estado, não explicitando, seriamente, como a nova classe deveria exercer a “Hegemonia” e o “Domínio”, na transição para alcançar a “Sociedade Regulada”, isto é: “a sociedade sem classes”, a utopia.
Seu silêncio, no caso, representa uma coonestação ou referendo à ditadura do proletariado – Caros leitores ! cuidado com a pregação de uma tal “democracia radical” que vem sendo feita, espertamente, pelos mesmos pregadores da UTOPIA.

Tenhamos sempre presente o alerta que nos faz o grande filósofo Giovani Reale: “Cuidado! Em todo utópico costuma esconder-se um totalitário”.

“O nosso compromisso é com a Pátria”.
* CURRICULUM VITAE

- Natural de Itaqui/RS
- Turma de Formação:
- AMAN/1954 – Cavalaria
- Cursos:
- Possui todos os regulares do Exército e o da Escola Superior de Guerra
- Principais funções desempenhadas como oficial:
- Instrutor da AMAN – EsAO e EsCEME
- Adjunto da Missão Militar Brasileira de Instrução no Paraguai
- Oficial de Gabinete do Ministro do Exército
- Adjunto do Estado-Maior do Exército
- Comandante do 3º Regimento de Carros de Combate (3º RCC - Realengo/RJ)
- Subchefe do Exército do Gabinete Militar da Presidência da República
- Assistente do Secretário de Economia e Finanças
- Comandante da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (2ªBda C Mec-Uruguaiana/RS)
- Assistente do Exército no Comando da Escola Superior de Guerra
- Condecorações:

  • Possui 9 (nove) condecorações nacionais e 5 (cinco) estrangeiras

“Uma massa humana não se distingue e não se torna independente, por si, sem organizar-se; e não existe organização sem “Intelectuais”

Caros leitores!
"Cuidado com a pregação
de uma tal “democracia radical” que vem sendo feita, espertamente, pelos mesmos pregadores da UTOPIA".

OBSERVAÇÃO

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A REVOLUÇÃO GRAMSCISTA NO OCIDENTE”

Autor: Gen Sérgio Augusto de Avellar Coutinho

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Militares advertem em manifesto ao STF que é inaceitável reexaminar soberania, auto-determinação e fronteiras

Do blog ALERTA TOTAL
Por Jorge Serrão na terça-feira, 2o de maio de 2008

Antes de formar seu juízo constitucional sobre o caso da Reserva Indígena Raposa do Sol e suas conseqüências para a homologação de “nações autônomas” ou “ilhas” dentro do território brasileiro, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, deveria ler, com toda atenção, o memorial que lhe foi enviado pelo Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, no último dia 9 deste mês. O ministro Gilmar deve saber que o texto é a expressão do pensamento da maioria dos oficiais-generais brasileiros da ativa e da reserva. É mais um recado democrático das legiões – a exemplo da mensagem do General Heleno, que tanto irritou o chefão do Palácio do Planalto.

O texto do Cebres – uma entidade dedicada a estudos e pesquisas sobre a problemática político-estratégica, nacional e internacional – recomenda aos 11 ministros do STF que “há que Repelir qualquer `Interpretação´ da Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas (13.09.2007), que Viole a Soberania do Estado brasileiro sobre o Território e suas Riquezas, e que Intente Restringir a Atuação das Forças Armadas, no Cumprimento de sua Missão Constitucional”. O Cebres também adverte que “há que Repelir qualquer Tentativa de Demarcação da Amazônia brasileira, por Ação das ONGs”.

Junto com o memorial, o Cebres enviou ao STF outros seis anexos contendo denúncias e posicionamentos sobre a “problemática geoestratégica da Amazônia Brasileira”. O Cebres adverte aos ministros do STF sobre os riscos de um “inaceitável reexame de conceitos substantivos, como soberania, auto-determinação e fronteiras”. O documento assinala: “Nosso ‘destino manifesto’ é de índole integracionista, soberano, auto-determinado de autêntico Estado-nação. Nossa Estratégia é Nacional e da Conciliação, da Concórdia, jamais Estratégia do Medo”.

O documento do Cebres condena todas as pressões de fora (de Governos, ONGs, Poderes Oligárquicos e Financeiros Internacionais) – pela criação, de criminosamente, “inconstitucionais e anti-nacionais”, “nações indígenas”, “territórios livres”, “reservas indígenas”. Diante do quadro que se desenha, o Cebres indaga ao ministro Gilmar Mendes: “Em síntese, senhor presidente, como ficará a ordem constitucional brasileira?”.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".