Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
Mostrando postagens com marcador traficante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador traficante. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Um negócio quase honesto

Do portal JB ONLINE
Por Olavo de Carvalho em 13 de abril de 2006

Ao mesmo tempo que o Exército Brasileiro comunicava a prisão de agentes das Farc na Amazônia, a IstoÉ de 12 de abril informava: documentos apreendidos com Fernandinho Beira-mar ''comprovam a antiga suspeita de que o bandido fornecia armamentos e munições às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em troca das toneladas de cocaína com que abastecia pontos-de-venda de droga no Brasil''. Uma agenda, preenchida pelo traficante com o registro de suas operações no ano 2000, ''é a prova cabal da aliança entre Beira-Mar e as Farc'', assegura a revista.

Beira-Mar não decerto é o principal amigo brasileiro dos delinqüentes colombianos. A Resolução número 9 do X Foro de São Paulo, de 7 de dezembro de 2001, condenou a repressão à narcoguerrilha como ''terrorismo de Estado'' e como ''verdadero plán de guerra contra el pueblo''. Entre as assinaturas estava a de Luiz Inácio Lula da Silva, então ainda presidente do Foro.

No mesmo ano, líderes das Farc foram recebidos como hóspedes oficiais pelo governo petista do Rio Grande do Sul.

Mas seria injusto dizer que a colaboração do PT com as Farc se limitou à troca de gentilezas. As duas organizações publicam juntas uma revista, America Libre, dirigida pelo sublime Emir Sader, na qual defendem seus interesses comuns contra o governo da Colombia e dos EUA, o Exército brasileiro e outras entidades malignas. Pelo menos até 2004, o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, estava no Conselho Editorial da publicação ao lado do comandante das Farc, Manuel Marulanda Vélez, o famigerado ''Tiro Fijo''. Lá estava também o impoluto deputado Greenhalgh - aquele mesmo que propunha controlar a criminalidade mediante o desarmamento geral das vítimas.

Quando o porta-voz das Farc, Olivério Medina, contou que a organização tinha dado dinheiro para a campanha eleitoral do PT, houve uma correria geral para persuadir o público de que tudo não passava de bravata. Mas, logo depois, a elite petista organizava um movimento de protesto para libertar da prisão o homem acusado de manchar a reputação do partido com fanfarronadas irresponsáveis. Em vez de enxergar algo de suspeito em tamanha incongruência, a nação preferiu acreditar que o PT era um partido cristianíssimo, que retribuia o mal com o bem.

Em 2002, três dos quatro concorrentes à presidência eram membros de partidos aliados às Farc no Foro de São Paulo, e o quarto, José Serra, informado de tudo, preferiu perder a eleição de bico fechado, provando fidelidade estóica às suas raízes esquerdistas. Enquanto a mídia local celebrava a lisura do pleito, o vencedor confessava ao Le Monde que a eleição tinha sido ''apenas uma farsa, necessária à tomada do poder'', sendo confirmado nisso pelo sr. Marco Aurélio Garcia em declaração ao jornal argentino La Nación de 5 de outubro de 2002. Em julho de 2005, o então já tarimbado presidente admitia ter tomado decisões de governo em reuniões secretas do Foro de São Paulo, longe do Congresso e da opinião pública.

A troca de cocaína pelas armas que Fernandinho Beira-Mar trazia do Líbano era feita na Tríplice-Fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai). Semanas atrás, o promotor do Distrito de Manhattan, Robert Morgenthau, conseguiu fechar um canal de dinheiro pelo qual US$ 3 bilhões de drogas, seqüestros, contrabando e outros crimes tinham fluído dessa região para organizações terroristas muçulmanas, por meio de um banco de Nova York. Quando a existência desse canal foi denunciada pela primeira vez, a esquerda brasileira protestou com veemência, dizendo que era tudo uma sórdida mentira imperialista.

Aos poucos, a verdade está aparecendo. Mas ela é ainda grande e feia demais para os olhos sensíveis de uma nação que se deixou enfraquecer por uma longa dieta de mentiras cor-de-rosa. O Brasil talvez precise de mais alguns anos para entender que, comparado à trama do Foro de São Paulo, o Mensalão é quase um negócio honesto.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Chávez e as FARC: "O governo da Venezuela deixa as Farc operarem livremente no país, pois têm os mesmos ideais bolivaristas do governo"

Do portal BBC BRASIL

A edição deste domingo do jornal britânico The Observer traz uma reportagem sobre uma possível cooperação do governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e com o tráfico de cocaína da Colômbia.
Em um texto longo, de duas páginas, o jornalista John Carlin explora a ligação do Exército venezuelano com a guerrilha e afirma que "as Farc há muito se distanciaram de suas raízes revolucionárias de esquerda e são mais conhecidas como uma 'narco-guerrilha'", diz o texto.


Segundo ele, apesar do pouco impacto revolucionário do grupo colombiano, em comparação com os Sandinistas na Nicarágua, as Farc podem "sobreviver como grupo armado por causa dos lucros que tem com os sequestros, extorsões e envolvimento com o tráfico de cocaína".

Carlin afirma ter entrevistado quatro ex-guerrilheiros das Farc, além de fontes diplomáticas, policiais e dos serviços de inteligência de pelo menos cinco países durante a sua investigação jornalística.

A reportagem ressalta que, segundo os entrevistados, "não fosse pelo tráfico de cocaína, as Farc já teriam se dispersado".

Conivência

Um dos ex-guerrilheiros, chamado pelo jornalista de Rafael, afirmou que a "rota mais segura para transportar a cocaína para a Europa é pela Venezuela".

"O governo da Venezuela deixa as Farc operarem livremente no país, pois têm os mesmos ideais bolivaristas do governo", diz Rafael ao jornal.

O jornalista cita ainda que todas as fontes que entrevistou concordam que as Farc e representantes do governo da Venezuela operam juntos em solo, onde as atividades militares coincidem com as atividades do tráfico de drogas.

Ele ressalta que nenhum de seus entrevistados acusou Chávez de estar diretamente relacionado com o tráfico de drogas. No entanto, segundo ele, nenhuma das fontes acha possível que o presidente não tenha conhecimento sobre a conivência das forças armadas de seu país com a liderança das Farc e do envolvimento da guerrilha no tráfico de drogas.

A reportagem traz dados de que 600 toneladas da cocaína contrabandeada da Colômbia todos os anos passa pela Venezuela e que o tráfico para a Europa rende cerca de 7.5 bilhões de libras (R$25,7 bilhões) por ano.

Armas

O texto cita uma declaração de uma fonte diplomática que afirma que a infra-estrutura proporcionada pela Venezuela ao tráfico de cocaína expandiu de maneira significativa durante os últimos cinco anos do governo Chávez.

O jornalista ressalta que, segundo os ex-guerrilheiros que entrevistou, o governo da Venezuela não apenas fornece proteção armada a pelo menos quatro acampamentos das Farc no país, como “não interrompem atividades das fábricas de explosivos e programas de treinamento de bombas que acontecem dentro dos acampamentos”.

Segundo um diplomata europeu citado pela reportagem, “este fenômeno pode corroer a Venezuela como um câncer”.

No texto, o ex-guerrilheiro Rafael afirma que, em alguns casos, a Guarda Nacional da Venezuela fornece granadas e material explosivo para a fabricação de bombas para as Farc.

Uma fonte citada pelo jornalista afirma que essas movimentações acontecem em larga escala. “O que vemos é que as drogas saem da Colômbia para a Venezuela e as armas, da Venezuela para a Colômbia”.

Impacto

O jornalista finaliza a reportagem citando uma fonte policial sobre a influência do governo da Venezuela no tráfico de drogas.

Segundo a fonte, “a verdade é que se a Venezuela colaborasse com a comunidade internacional, a diferença seria enorme. Poderíamos capturar duas toneladas de cocaína facilmente”.

De acordo com Carlin, a mesma lógica pode ser aplicada com relação aos seqüestros realizados pela guerrilha.

Ele cita uma fonte que afirma que Chavez poderia forçar as Farc a libertarem a refém Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência da Colômbia.

“Se Hugo Chavez quisesse, poderia forçar as Farc a libertar Betancourt amanhã pela manhã. Era só dizer: ‘vocês a entregam ou o jogo acabou para vocês na Venezuela’. A dependência das Farc com os venezuelanos é tão grande que eles não poderiam dizer não”, conclui.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Digitais do Foro de São Paulo

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Olavo de Carvalho em 28 de janeiro de 2008

Nos documentos de fonte primária sobre o Foro de São Paulo, encontramos as seguintes informações:

1) Conforme afirmei desde o início, e contra todo o exército de achismos e desconversas, o Foro de São Paulo existe e é a coordenação estratégica do movimento comunista na América Latina (ver documento original em http://www.youtube.com/watch?v=VNPjm0qfByc e comentário em http://www.olavodecarvalho.org/semana/070824jb.html; outro documento original em http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr464-2@.doc e comentário em http://www.olavodecarvalho.org/semana/071213jb.html).

2) Ao longo de seus dezessete anos e meio de atividade, não se observa nas atas de suas assembléias e grupos de trabalho a menor divergência, muito menos conflito sério, entre as centenas de facções de esquerda que o compõem. Todas as declarações finais foram assinadas pela unanimidade dos participantes (cf. transcrição das atas e assinaturas em http://www.midiasemmascara.com.br/pop_foro.htm). Nenhuma das queixas e recriminações vociferadas pelos antipetistas de esquerda na mídia que eles mesmos chamam de direitista e burguesa foi jamais levada às discussões internas do Foro, o que prova que a esquerda latino-americana permanece unida por baixo de suas divergências de superfície, por mais que estas impressionem a platéia ingênua.

3) As ações do Foro prolongam-se muito além daquilo que consta das atas. Segundo confissão explícita do sr. presidente da República, os encontros da entidade são ocasião de conversações secretas que resultam em decisões estratégicas de grande alcance, como, por exemplo, a articulação internacional que consolidou o poder de Hugo Chávez na Venezuela (ver o documento oficial em http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr812a.doc e comentário em http://www.olavodecarvalho.org/semana/050926dc.htm). Estas decisões e sua implementação prática subentendem uma unidade estratégica e tática ainda mais efetiva do que aquela que transparece nas atas.

4) Segundo as Farc, a criação desse mecanismo coordenador salvou da extinção o movimento comunista latino-americano e foi diretamente responsável pela ascensão dos partidos de esquerda ao poder em várias nações do continente. (ver Comissão Internacional das Farc, “Saudação à Mesa Diretora do Foro de São Paulo, 16 de janeiro de 2007”, significativamente já retirado do ar, mas recuperável em http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/2008/01/correoadendo-ao-post-digitais-do-foro.html.

5) As declarações de solidariedade mútua firmadas no Foro de São Paulo entre partidos legais e organizações criminosas (ver por exemplo X Foro de São Paulo, “Resolução de Condenação ao Plano Colômbia e de Apoio ao Povo Colombiano”) não ficaram no papel, mas traduziram-se em ações políticas em que as entidades legais eram instantaneamente mobilizadas para proteger e libertar os agentes das Farc e do Mir presos pelas autoridades locais (explicarei isto melhor, com os documentos respectivos, num próximo artigo).

Na pesquisa histórica, na investigação policial, nos processos judiciais, na ciência política ou em qualquer discussão pública que se pretenda mais séria do que propaganda eleitoral ou conversa de botequim, o princípio mais elementar e incontornável é que os documentos de fonte primária são a autoridade absoluta, o critério último de arbitragem entre as hipóteses e opiniões.

Trinta anos de definhamento intelectual sem precedentes no mundo civilizado tornaram esse princípio inacessível e incompreensível às mentes dos formadores de opinião neste país, principalmente aqueles que a mídia considera mais respeitáveis e dignos de ser ouvidos.

A idéia mesma de “prova”, sem a qual não existe justiça, nem ciência, nem honestidade, nem muito menos a possibilidade da ação racionalmente conduzida, desapareceu do horizonte de consciência desses indivíduos, que se rebaixaram assim à condição de criancinhas mentirosas, apegadas a sonsos jogos de palavras para fazer desaparecer por mágica os fatos que as desagradam ou que por outro motivo qualquer desejam ocultar.

Não digo apenas que se tornaram desonestos: abdicaram por completo da capacidade de distinguir o honesto do desonesto, o certo do errado, o verdadeiro do falso. Uns fizeram isso por sacrifício voluntário no altar de suas crenças políticas, outros por presunção vaidosa, outros por comodismo, outros por mera covardia.

Confiado neles, o Brasil cometeu suicídio intelectual, tornando-se um país incapaz de acompanhar sua própria história presente com aquele mínimo de consciência alerta cuja presença distingue a vigília do sono.

Jamais, na história da mídia mundial, tantos traíram ao mesmo tempo sua missão de investigar e informar.

Publicado no Diário do Comércio - 28/01/2008

Nota da editoria Endireitar.org
Para saber mais, leia a editoria sobre o Foro de São Paulo em: http://www.endireitar.org/content/view/230/1/content/category/1/1/76/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A Conexão Chávez

Do blog MÍDIA SEM MÁSCARA
por Manuel Marlasca e Luis Rendueles em 02 de dezembro de 2007


© 2007 MidiaSemMascara.org


O Fabio Gallipolli, um pequeno barco pesqueiro patroado por Juan José Mata, foi abordado pela polícia espanhola em águas do Cabo Verde em maio de 2006. Em sua adega levava quase três toneladas de cocaína. Seus tripulantes foram detidos e presos. O juiz de La Orotava (Tenerife) encarregado do caso escutou atônito as declarações de dois dos marinheiros-narcos. Eles lhe contaram que a droga lhes havia sido entregue em alto mar por uma patrulheira da Armada da Venezuela. No mesmo submarino dessa operação, chamada Butreque, a Polícia e a Guarda Civil escutaram uma conversa entre os narcos. Um deles mostrava seu temor em voltar à Venezuela para saldar uma dívida. O outro o tranqüilizava: “Agora o chefe é o irmão”, em alusão, segundo fontes da investgação, a Marcos Chávez, irmão do presidente venezuelano Hugo Chávez Frías, nomeado comisário geral da CICPC (Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas), o corpo policial de elite venezuelano encarregado, dentre outras coisas, de reprimir o narcotráfico.

No melhor dos casos, a negligência de Chávez e seu regime com os narcos é notória. Informes do CICO (Centro de Informação sobre o Crime Organizado) espanhol descobriram que 80 por cento da cocaína que chega à Espanha já procede da Venezuela. “Não parece que incomode a Chávez inundar de droga a juventude espanhola burguesa e podre, segundo seu discurso ideológico”, assegura um dos investigadores. Outro dos agentes espanhóis anti-droga lembra que antes de Chávez, “apenas 20 por cento da coca vinha da Venezuela; a maioria saía de praias colombianas caribenhas. Porém, com ele no poder, no mínimo se triplicou”. Agentes espanhóis estão esta semana na Venezuela tratando precisamente de melhorar a colaboração na luta anti-droga, quase órfã desde que Chávez expulsou a DEA, a toda-poderosa agência americana, em 2005.

É precisamente a DEA a autora de informes em poder da Polícia espanhola que afirma que a Armada venezuelana escolta com seus patrulheiros os barcos carregados de droga, enquanto sulcam o delta do rio Orinoco até a desembocadura. Os agentes espanhóis não confirmaram essa denúncia, porém relatam várias histórias: a do carregamento de 175 quilos de coca que agentes da Guarda Nacional haviam colocado no porto de Guaira. Esse mesmo grupo já havia enviado 1.300 qilos de droga que foram localizados pela Guarda Civil em Madri e Lisboa.

Os últimos barcos com coca até na cozinha, apreendidos pela Polícia e Guarda Civil desde 2003, passaram pela Venezuela. Foi o caso do Gallipolli e também do Caridad C (outras três toneladas) e do White Sands (3.100 quilos de droga). Este último tinha como destino o Senegal, onde os grandes narcos já têm infraestrutura. De fato, a Polícia espanhola detectou em alguns países africanos, como Marrocos e Togo, a presença de prováveis homens de negócios com passaportes venezuelanos dedicados na realidade ao tráfico de cocaína.

Não apenas a Espanha tem se queixado de que Chávez faz vista grossa à droga. Também se queixou a Colômbia, local de saída da coca. Assim, um recente informe do Governo colombiano afirma: “A organização de empresas narcotraficantes formadas por redes de colombianos e venezuelanos, permitiu aproveitar a experiência acumulada na Colômbia para converter a Venezuela em exportador de drogas ilegais de primeira ordem para a Europa e Estados Unidos”. O diário colombiano El País informou em julho deste ano que a droga procedente da Venezuela para a Europa e México havia aumentado uns 500 por cento sob o mandato de Chávez. Segundo informação deste periódico, na Venezuela já há 117 pistas clandestinas no delta do Orinoco nas quais aterrizam aviões com coca para carregá-la nos barcos. Também o Governo mexicano se queixou da lassidão venezuelana com a cocaína e os vôos para seu país. Tampouco teve êxito.

Não é por acaso que Chávez também mantenha fluidas relações com as FARC, guerrilha colombiana financiada com a cocaína e com os seqüestros. Inclusive Chávez ofereceu-se para mediar com eles a libertação de alguns dos seqüestrados. Tampouco é por acaso que quase todos os grandes narcos tenham um passaporte venezuelano. A Polícia espanhola confirma que “os narcos colombianos compram passaportes venezuelanos em branco. Dessa forma, evitam ter que pedir visto para viajar para a Europa”. Foi o caso de Orlando Sabogal, codinome “Mono”, chefe do cartel do Norte del Valle, que foi detido pela Guarda Civil no ano passado em Madri.

O primeiro caso de um traficante de droga internacional com conexões diretas com o regime, foi o de Walter del Nogal, detido em setembro na Itália, por tráfico de cocaína, segundo publicou El Nuevo Herald. Del Nogal havia chegado a Milão desde a Espanha e era foragido da justiça suíça. Quando Chávez chegou ao poder, Del Nogal estava na prisão cumprindo condenação por assassinato. O presidente o indultou e Del Nogal converteu-se em um homem agradecido e que freqüentava festas dos vips do regime. Em uma dessas festas posou radiante junto do prefeito de Caracas, Juan Barreto.


Na estrutura do regime


Os serviços anti-droga espanhóis não estão nada contentes com Chávez, tampouco os grupos anti-terroristas. Por um lado, organizações fundamentalistas islâmicas violentas, como o Hamas e o Hezbollah, já têm escritório e simpatizantes na Venezuela. Por outro lado, mais estritamente espanhol, o assunto dos etarras que vivem na Venezuela, muitos desde os anos 80. “O que mudou com Chávez é que os etarras antes eram empresários privados que financiavam desde lá; agora, muitos estão integrados na estrutura do regime e se uniram com outros procedentes do México, desde que o Governo mexicano começou a colaborar conosco. Alguns cobram de governos e municípios controlados por chavistas, inclusive. E todos têm passaporte venezuelano”, assegura um agente anti-terrorista.

A cabeça visível dos etarras na Venezuela é Arturo Cubillas, acusado de três assassinatos entre 1984 e 1985, quando fazia parte do Comando Oker. Cubillas refugiou-se na Venezuela em 1989 e abriu um restaurante ao qual chamou - como seu grupo assassino, no qual compartilhava pistolas com Idoia López Riaño -, La Tigresa. Na Venezuela Cubillas casou-se com Goizeder Odriozola, filha de exilados bascos. Em 2005, o governo de Chávez o nomeou diretor de Bens e Serviços do Ministério da Agricultura. Sua esposa passou do mesmo ministério a converter-se em diretora geral do Despacho da Presidência, uma espécie de gabinete de Chávez. Ficavam para trás as extradições em 2002 de Sebastián Etxaniz – condenado por três assassinatos – e Juan Víctor Galarza. O Governo de Chávez retificou essas extradições de imediato e ofereceu pagar 325.000 euros de indenização, embora depois tenha anunciado que não o faria.

Na Venezuela vivem comodamente, segundo informes anti-terroristas espanhóis, Miguel Ángel Aldana, codinome Askatu – acusado de dois assassinatos -, María Arana Altuna, Carmen Albizu Etxabe... até uns quarenta etarras. Alguns, os mais afortunados, trabalham para bandos chavistas. Outros dirigem uma armaria e inclusive dão aulas de tiro e táticas de guerrilha aos círculos bolivarianos. “Eles podem ensinar muitas coisas de guerrilha e ‘kale borroka’ ao contrário a essa espécie de ‘somatén’ ou milícia que Chávez usa para destruir mobilizações da oposição”, afirmam fontes policiais espanholas. Os Círculos Bolivarianos reprimem com dureza, e com armas, as manifestações da oposição contra o projeto de Chávez de poder ser reeleito por toda a vida, previsto para 2 de dezembro.

Os etarras vivem na Venezuela nos estados Falcón, Sucre, Nueva Esparta e Aragua, segundo os informes anti-terroristas espanhóis, que acrescentam com preocupação que alguns etarras conseguiram ser eleitos diretores das euskaletxea (casa basca), verdadeiro centro nevrálgico da emigração. São os casos de Barcelona, Puerto La Cruz, Anzoátegui, Sucre e Falcón. Além de militantes do ETA, Chávez mima seus simpatizantes e entorno próximos, especialmente a organização Askapena (Libertação), que afirma em seus documentos fazer parte do Movimiento de Liberación Nacional Vasco (MLNV), a forma em que o ETA e seu entorno se auto-definem. Membros do Askapena mantêm excelentes relações com o regime chavista e participaram lá, do mesmo modo que o dirigente de Batasuna, Joseba Álvarez, no Fórum Social Mundial que celebrou-se em Caracas no ano passado. O Askapena também colaborou na inauguração da emissora de rádio de apoio a Chávez chamada “Al son del 23”.

No verão passado, um grupo de jovens independentistas bascos viajou à Venezuela com o nome de Brigada. Em suas crônicas afirmaram que iam “transmitir o que é a Euskal Herria, nossa luta e nosso projeto”. Foram entrevistados na emissora, também na rádio estatal venezuelana e visitaram várias coordenadoras chavistas. Um fotografia na internet mostra vários dos voluntários da Askapena posando sob um enorme retrato de Simón Bolivar e com um cartaz no qual se reclama o regresso à casa (etxera) dos presos etarras. Outro membro da Askapena, Luismi Uharte, assina artigos de apoio a Chávez como “professor ad honorem da Universidade Central da Venezuela”.

Chávez e seus aliados empregaram membros da Askapena para se defender, inclusive, de problemas locais. Desse modo, integrantes da Askapena viajaram à Bolívia no verão passado e deram entrevista coletiva de imprensa em 23 de agosto em El Alto. O Governo de Evo Morales passa por dificuldades ante a mobilização popular majoritária no estado de Santa Cruz, que reclama um estatuto de autonomia similar ao basco ou ao asturiano. Morales vem sofrendo massivas manifestações contra si.

Os brigadistas bascos chegaram até aqui para explicar, segundo suas próprias palavras, que a “Euskal Herria é uma nação sem Estado sob o domínio do Estado espanhol e francês”, que “o nosso é um povo que foi colonizado; quando em 1512 [data da incorporação de Navarra à Espanha] os colonizadores espanhóis chegavam à Bolívia, começava também a última ofensiva contra a soberania de nosso povo”. Após a heróica história, o chamamento aos bolivianos: “A autonomia significou a concessão à oligarquia local de quotas de poder para defender seus interesses econômicos e administrar seus negócios. Este regime autonômico é um obstáculo no caminho para a recuperação de nossa soberania”. Quer dizer, nada de autonomia para a Bolívia. A fluidez de relações entre o regime chavista, seu “irmão mais novo” Morales e alguns setores independentistas radicais bascos mostra-se também com a existência em Bilbao, desde 2004, do Círculo Bolivariano La Puebla, que se define a si mesmo como “conformado por bascos/as, venezuelanos/as e outros/as interessados/as em apoiar a Revolução Bolivariana que se está levando a cabo na Venezuela” e faz fincapé nas raízes bascas de Bolívar.

Não estranha que, com tanta comunicação ideológica, quando Chávez protagonizou o incidente com o Rei de Espanha a televisão pública venezuelana tenha entrevistado José María Esparza, ex-editor de Gara, para que desse sua opinião: “O Rei não tem maior representatividade do que a que lhe condece o ditador Francisco Franco... O povo basco e o catalão jamais votaram pela permanência do Rei” .

Fonte: http://www.interviu.es

Tradução: Graça Salgueiro

wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".