Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

HONDURAS: TENAZ RESISTÊNCIA À TIRANIA!

Fonte: BLOG DO ALUIZIO AMORIM
Quinta-feira, Novembro 26, 2009


Lula ridicularizado num cartaz em Honduras: é apenas o começo!

A Folha de São Paulo desta quinta-feira vale pela foto de primeira página, que reproduzo aqui. E serve de mote para este meu artigo, meio longo, é verdade, mas necessário.

Embora a foto esteja perfeita, faz chamada para um despacho do enviado especial a Honduras, Fabiano Maisonnave, que dividia com Zelaya um dos cômodos da Embaixada brasileira em Tegucigalpa. Maisonnave pode ser identificado com o que se conhece na era lulística como um "jornalista imparcial" o que eu, particularmene não sou. Jamais utilizarei o instituto da imparcialidade privando-me de opinar em favor da democracia e das liberdade e denunciar tipos como Zelaya, um estafeta de Hugo Chávez que tentou pisotear a Constituição hondurenha. Maisonnave, por outro lado, continua designando o governo interino do presidente Roberto Micheletti de golpista. Se não é ele, é o editor da página.

Neste momento, Honduras está às vésperas da eleição presidencial marcada para este domingo. O enviado da Folha reporta os acontecimentos dessa pequena Nação que luta tenazmente contra a tentativa do Foro de São Paulo de implantar o socialismo bolivariano chavista no país.

Entretanto, Maisonnave jamais se refere a esse fato. Na sua matéria na Folha desta quinta-feira alude ao fato de que bombas e coquetéis molotov têm sido lançados contra prédios públicos e emissoras de televisão.

Se Maisonnave acompanha este blog, deve ter visto que a reação da bandalha comunista botocuda que atua em Honduras foi antecipada sutilmente pelo agente Top Top Garcia, o aspone de Lula para assuntos bolivarianos.

No texto, Maisonnave minimiza os efeitos da bomba lançada contra Suprema Corte:

"Em meio a chamados cruzados para apoiar e boicotar a eleição de domingo em Honduras, a Corte Suprema e um estúdio de TV foram atacados respectivamente com lança-granadas e uma bomba caseira ontem de madrugada, causando pequenos danos materiais." (grifo meu)

No parágrafo seguinte, atesta:

"O impacto do ataque ao órgão máximo do Judiciário, cuja segurança tem sido feita por soldados, abriu um buraco de cerca de um metro na parede externa e quebrou o vidro de três janelas, sem deixar feridos."

Mas a pérola vem a seguir, quando num parágrafo, digamos, um tanto contraditório descobre - bingo! - a possível intromissão da CIA! o órgão de inteligência americano:

"Segundo fontes militares, o explosivo foi lançado pelo lança-granadas antitanque russo RPG-7. O armamento, que não é usado pelas Forças Armadas, circula na América Central desde os anos 80, quando foi introduzido pelos "contras" da Nicarágua - mercenários recrutados pela CIA com a missão de derrubar os sandinistas - e pela guerrilha salvadorenha." (Assinante da Folha lê AQUI o texto completo de Maisonnave).


Dia desses a grande imprensa internacional veiculou seguidamente matérias a respeito de uma tal Carta de Hamburgo, quando jornais do mundo inteiro discutiram medidas para salvaguardar o direito dos véiculos de comunicação sobre o material jornalístico que produzem e que estaria sendo utilizado indevidamente através da internet.


Concordo que só as grandes empresas jornalísticas têm condições de produzir e apurar a notícia de forma correta e profissional e que para isso investem altos recursos em equipamento e pessoal qualificado e merecem a contrapartida econômica.


Tal iniciativa foi tomada pelos proprietários dos veículos que contabilizam prejuízos desde que começaram a oferecer esse material jornalístico em seus sites. Os jornais, alegam, perderam leitores e as vendas em banca e assinaturas caíram.


Entretanto, este é apenas um lado da história. O que se tem notado nos últimos anos é que a maioria dos jornais não inovou editorialmente e abriga em suas redações um batalhão de jornalistas que continua a cutivar valores, vamos dizer assim, vigentes durante a guerra fria agora embalados numa nova roupagem: o politicamente correto.


Dou dois exemplos: o caso de Honduras é emblemático. Não precisa ser nenhum iluminado para entender que a destituição de Zelaya não foi um golpe de estado nos moldes daqueles havidos nos anos 60. A ação das autoridades hondurenhas refletiu exatamente o que preconiza a Constituição do país. Tanto é que o governo interino assumiu e manteve o calendário eleitoral e em nenhum momento o presidente Micheletti pretendeu usurpar o poder para nele permanecer para sempre, como fazem Hugo Chávez, Correa, Evo Morales e o sandinista da Nicarágua.


Outro exemplo: o caso recente da visita ao Brasil de Ahmadinejad, o financiador do terrorismo e negador do Holocausto, não vi uma censura sequer a partir de escrito de um jornalista da grande imprensa brasileira, exceção ao Reinaldo Azevedo, de Veja. O único artigo a altura véiculado em jornal foi do governador de São Paulo, José Serra na Folha de São Paulo.


Entretanto, na edição desta quinta-feira a mesma Folha de São Paulo, pretendendo uma imparcialidade idiota, publica no mesmo espaço que cedeu a Serra, um artigo do agente bolivariano Top, Top Garcia, defendendo a miserável política externa lulística e a recepção ao antissemita terrorista do Irã.


Lêem jornais as pessoas verdadeiramente alfabetizadas e instruídas. Mas elas representam um extrato diminuto da sociedade. Na medida em que os jornais vão praticando essa política editorial camaleônica perdem esses poucos leitores.


Portanto, não é apenas por causa da internet que os jornais estão decaíndo. Toda essa crise da mídia impressa decorre de uma fatalidade que marca o século XXI: a prevalência da noção do políticamente correto, atrás da qual passaram a se abrigar as viúvas do finado comunismo. O politicamente correto constitui a maior estupidez por se constituir numa tricheira da guerra contra a evidência dos fatos.


E para finalizar: a internet é uma via de duas mãos. Blogs com o estilo editorial deste aqui, por exemplo, fazem diariamente dezenas de links para os sites dos grandes jornais! E são milhares de blogs ao redor do planeta tecendo a crítica, emitindo opinião, debatendo e discutindo o conteúdo gerados pelos jornais. Me refiro a blogs de profissionais e não de aventureiros. Aliás, esse tipo de gente sempre fez jornalismo barato na impensa tradicional e que no jargão das redações são identificados como picaretas.


Dito isto a conclusão só pode ser uma: a Carta de Hamburgo contém meia verdade. Os jornais precisam pensar neste aspecto que acabo de abordar nestas linhas a partir de um evento que ocorre num país pequeno, pobre e até mesmo desconhecido no mundo que é Honduras. Entretanto pode ser que nessa modesta Nação sul-americana esteja nascendo, finalmente, a resistência à tirania que ameça todo o continente.


Falta à imprensa tradicional dizer isto. Falta o seu firme compromisso com a democracia e o repúdio enérgico e permanente a todo e qualquer tipo de tirania.

Ministério da propaganda, por Sérgio da Costa Franco*

Fonte: ZERO HORA
15 de novembro de 2009

Entre os numerosos ministérios criados no governo do presidente Lula, com vistas a satisfazer inesgotáveis apetites dos partidos que compõem a “base aliada”, ainda não existe, segundo nos consta, um Ministério da Propaganda e da Informação. Falha do planejamento? Carência de imaginação? Não cremos. O governo que foi capaz de inventar até um Ministério da Pesca, num país onde inexiste pesca industrial, não deixaria de projetar uma pasta especializada em fazer autopropaganda e em divulgar informações de interesse do comando político.

Em verdade, tal ministério não representaria grande novidade. Durante o Estado Novo, o presidente Getúlio Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda, o famoso DIP, que despejava no país uma intensa e contínua publicidade do ditador e de seu governo, desde o difundir seu retrato em todas as repartições públicas, lojas, salas de aula e botequins do país, até o esparramar folhetos de doutrinação política e de divulgação de obras ou projetos do governo. Por via do DIP, o próprio presidente da República abandonou essa titulação convencional para ser chamado oficialmente de “chefe da nação”. O modelo não era criação nacional, nem sul-americana: procedia do Terceiro Reich, onde o eficiente Dr. Goebbels chefiava um ministério especializado na difusão das ideias nazistas e na propaganda do Führer.

Parece claro que o presidente Lula não seguiria tal modelo, incompatível com a ordem democrática. Mas o nosso receio é que, sem criar um específico Ministério da Propaganda, o governo esteja cogitando de transformar o Ministério da Educação em pasta assemelhada.

Vimos nesta semana algumas das questões propostas aos estudantes de todo o país pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) e ficamos abismados pela deliberada simbiose de propaganda governamental com prova de habilitação escolar. Longe de ser questionado sobre temas de genérico interesse nacional, independentes da pauta específica do governo, o estudante é forçado a pronunciar-se sobre o assunto incerto e novíssimo do Programa de Aceleração do Crescimento, que pouca gente conhece e que provavelmente não passa de uma plataforma eleitoral. Planos mal conhecidos do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação são postos na mesa como se fossem regras constitucionais amplamente divulgadas. As próprias declarações do presidente Lula a respeito da crise financeira mundial, em contraponto com críticas que lhe dirigiu a imprensa, tornaram-se matéria de questionamento, evidentemente parcializado e apriorístico. E a questão 23 envolve, com reflexões dirigidas, claríssimas críticas aos veículos de comunicação e aos comunicadores, lançando o Ministério da Educação no rumo perigoso da hostilidade à imprensa independente, seguindo a orientação de Hugo Chávez, o novo guru da América do Sul.

Estaremos marchando para a ressurreição do DIP? E, desta vez, um DIP incorporado ao próprio Ministério da Educação?

CongressoEmFoco apela para defecação em símbolos e valores evangélicos e católicos

Fonte: JULIO SEVERO
30 de novembro de 2009


CongressoEmFoco apela para defecação em símbolos e valores evangélicos e católicos


Julio Severo


Fazendo verdadeiro abuso do direito de livre expressão, um tal de Marcelo Mirisola do site esquerdista CongressoEmFoco fez declarações patentemente anticristãs, dizendo:

Picaretagem chamada “Marcha para Jesus”.

Jesus: Nome maldito?


Têm uns que dissimulam ataques epiléticos, enrolam a língua e atribuem o “idioma” ao Espírito Santo. Só falam português claro na hora de enfiar a mão na carteira dos incautos. Inacreditável. E têm aqueles que usam cintos e sapatos brancos, que se dizem ex-pais de santo convertidos à palavra do Senhor. Sem falar nas versões pagode, rap, axé e o diabo a quatro que desfilaram na Marcha para Jesus. Que tristeza. Cadê o Ministério Público?

Igrejas, estádios de futebol, praças, ex-cinemas lotados. A “bispa” Sônia Hernandez e o seu marido, o “apóstolo Estevam”, são a síntese de todos eles.

Maldita bíblia que parece que foi escrita para ser mal interpretada.

E o pior de tudo: eles [os evangélicos] enfeiam suas mulheres, as destituem de tesão e as transformam em urubus encalacrados — extirpam o clitóris de suas almas submissas. Põem suas filhas para estudar nas Unibans da vida. O Jesus deles caminha sobre um mar de merda…

FRAUDE! Taí a lógica escarrada dos neopentecostais. Embora o Sudário seja uma relíquia (leia-se picaretagem católica), a engrenagem da trapaça é a mesma.

Em 20 séculos, repito, jamais as palavras de Jesus Cristo foi tão vilipendiada, jamais o filho de Maria foi tão filho da puta.

É bem fácil cuspir nos cristãos e em Jesus, pois os cristãos são muito tolerantes. Prova disso é que Mirisola e CongressoEmFoco não serão linchados nem sofrerão um ataque a bomba por suas palavras de baixíssimo nível moral contra evangélicos e católicos.

CongressoEmFoco tem toda liberdade de criticar quem quer que seja. Eu, como evangélico, também não apóio o mau testemunho do casal Hernandez e do Bispo Macedo e os critico em meu humilde blog. Mas nem por isso xingo os participantes da Marcha para Jesus, nem xingo Jesus. Aliás, penso que a Marcha para Jesus — tirando a presença de Marta Suplicy e outros políticos imundos — é um evento necessário para glorificar o nome de Jesus. Eu também não xingo Mirisola, nem Macedo, porque pessoas educadas sabem criticar sem apelar para a latrina.

Seria muito interessante ver o “destemido” Marisola defecar palavrões nos maometanos e em Maomé. Ou então que ele defecasse nos comunistas de Cuba ou em Fidel Castro. E quem acha que ele teria coragem de incomodar gente que sabe responder à altura?

Mergulhar o cérebro e a língua no vaso sanitário para atacar os cristãos é comportamento típico de Maria-mole sem criatividade.

No entanto, declarar que “nenhum holocausto poderia ser comparado à lavagem cerebral praticada hoje em dia nas assembléias e templos dos meganhas de Jesus” é o cúmulo da insanidade, pois o Holocausto original foi perpetrado pelo governo nazista (um regime que odiava radicalmente os valores judaico-cristãos) contra os judeus, um povo marcado pela religião judaica. Num só texto, Mirisola denigre, avilta e agride evangélicos, católicos e judeus.

São ataques desse tipo, feitos por semeadores profissionais do ódio, que acabam gerando atrocidades.

Os cubanos comunistas têm os mesmos sentimentos de Mirisola sobre a religião cristã. Os soviéticos também tinham.

Dê a um Mirisola o governo de Cuba, e os cristãos vão parar no paredón. Dê a ele o governo de uma União Soviética, e os cristãos vão parar nos gulags de tortura e morte.

Ou, no próprio Brasil, dá para imaginar o “arrojado” Mirisola dando aos militantes homossexuais o mesmo tratamento que ele deu aos cristãos, falando de lavagem cerebral feita pela militância gay ou então mencionando Luiz Mott, o líder máximo do movimento homossexual brasileiro, como “nome maldito” ou “filho da ****”? Contudo, Mirisola não é homem para brincar com fogo! E por falar em militantes homossexuais, na segunda edição do artigo, ele mencionou:

Acorda, Luis Mott! Já que o Ministério Público não vai fazer nada mesmo, você poderia entrar com uma ação qualquer contra esse povo do pé quebrado, a coisa vai ficar feia pro lado de quem dá a bunda. Tô avisando. Aliás, vai ficar feia pra todo mundo que se negar a aceitar o “Senhor Jesus”, esse rebotalho fascista filho das trevas e da feiúra.

Mott, que é acusado de defesa à pedofilia e de modo covarde expôs publicamente em seu site o que seria o endereço e telefone pessoal de Julio Severo, é tratado com pena de ouro por Mirisola. Não por casualidade, seu texto recebeu o apoio de sua colega de trabalho no CongressoEmFoco, Márcia Denser, autora de contos eróticos. Some agora a boca e coração de latrina de Mirisola, apoiado por uma autora erótica, apoiando um defensor da pedofilia, e o que temos? Pura e simplesmente: alguém que detesta profundamente o Cristianismo, a decência e a moralidade.

Qual é a jogada dele ao atirar pedras nos cristãos e suas manifestações e ao atirar rosas para Mott? É a segunda vez que ele ataca a Marcha para Jesus em CongressoEmFoco.

Um ano e meio atrás, precisei refutar Mirisola, pois ele fingiu não ver nenhuma diferença entre a Marcha para Jesus e a parada gay de São Paulo. Sobre os dois eventos, ele disse: “todos iguais, ordeiros, pacíficos e coloridos”. Precisei coletar relatos de jornalistas esquerdistas para tentar enfiar na cabeça esquerdopata de Mirisola a verdade da violência, drogas e álcool na parada gay. Mas com ou sem fatos irrefutáveis, Mirisola está cego de amor — pela agenda gay. E ele está cego de ódio — por tudo o que se chame pelo nome de cristão, seja evangélico ou católico.

Os cristãos deveriam cruzar os braços enquanto o ódio fumega das entranhas da intolerância anticristã? Claro que não. Eles precisam se mobilizar contra a tradição ateísta que os tacha de trouxas e tolos com todos os tipos de palavrões pesados, pois assim começaram Hitler e Stálin, primeiro com os judeus, depois com os cristãos. Assim fazem hoje os Mirisolas: primeiro com palavrões e, depois, ações na primeira chance. Vamos esperar a progressão e culminação desse ódio irracional?

É possível criticar sem demonstrar ódio? Claro que sim. Meu blog faz críticas regulares a vários aspectos da Cristandade. O ponto de vantagem do Cristianismo é que, com toda a corrupção humana, um cristão é sempre levantado para fazer a diferença e mudar o curso, mesmo na corrupção da Cristandade. Mas quando o ateísmo reina, morre a esperança. Alguém já ouviu falar de um governo genocida ateu derrubado por outro ateu, que trouxe esperança para o povo? Os maiores regimes assassinos do mundo — como a ex-União Soviética — foram derrubados pelos esforços de cristãos como Ronald Reagan e Papa João Paulo 2.

É gente como Mirisola, defensor cego da parada gay, que hoje quer nos convencer de que o PLC 122/06 não representa nenhuma ameaça à liberdade e segurança dos cristãos. Se obtiverem êxito, eles rirão de nós e terão depois razões de sobra para nos chamar de trouxas. O ódio, desprezo e palavrões que eles usam agora é apenas uma amostra do que está para vir. Esse ódio não vai ficar para sempre somente em palavras.

Por duas vezes, o Apóstolo Paulo fez uso de seus direitos legais como cidadão romano para se defender de injustiças (cf. Atos 16:37 e Atos 22:25-28). Se não fizermos uso de nossos direitos constitucionais, correremos o risco de viramos trouxas diante do ódio dos Mirisolas, pois eles estão apenas esperando uma oportunidade para transformar seu ódio oficialmente em realidade. A aprovação do PLC 122/06 será um primeiro passo nessa direção.

Enquanto eles ainda não conseguiram poderes e leis para nos mandar para o paredón e para os gulags, é preciso lembrar a eles: a mesma Constituição que garante o direito de livre expressão de todos os cidadãos brasileiros de criticarem quem quer que seja também protege a todos os cidadãos brasileiros de ataques que, ultrapassando os limites da crítica e da decência, expressam desprezo, desrespeito e ódio a Jesus Cristo e aos seus seguidores evangélicos e católicos.

Leia mais:

Peña Esclusa le habla a los pueblos de América

30 Nov 2009






Con motivo de la clausura de la Cumbre de UnoAmérica, realizada en la Quinta de San Pedro Alejandrino, en Santa Marta, Colombia, Alejandro Peña Esclusa pronunció un breve discurso, proponiendo un ambicioso proyecto para alcanzar el verdadero sueño bolivariano, de lograr la integración iberoamericana.

AS ELEIÇÕES EM HONDURAS

Fonte: HEITOR DE PAOLA



ABSTENÇÃO: MENOS DE 40%


(SE DESCONTADOS OS 850 MIL ELEITORES FORA DO PAÍS, ENTRE OS RESIDENTES 78% COMPARECERAM ÀS URNAS)


PORFÍRIO LOBO (NACIONALISTA): 57,16%


ELVIN SANTOS (LIBERAL): 33,42%


(RESULTADOS PARCIAIS)


_______________________


HEITOR DE PAOLA


29/11/2009


Desde a destituição constitucional de Zelaya em 28 de junho voltei minha atenção para aquele pequeno país do istmo centro-americano, pois a meu ver, lá se jogava uma partida crucial para a reviravolta da dominação quase exclusiva do Foro de São Paulo em nosso continente. Nestes cinco meses produzi entre textos e noticiário 229 artigos, sendo 95 só de notícias quase diárias. Certamente negligenciei outros temas que me são caros, mas valeu a pena. Estou certo de que em nenhum outro lugar foram encontradas tantas informações sobre Honduras. E continuarei! Porque as eleições de hoje representam um lance muito importante, mas nunca o lance final. Usando a analogia que prefiro, com uma partida de xadrez, hoje haverá um Xeque muito importante, mas não o Mate.


A notícia mais importante será o número de abstenções. Em Honduras o voto não é obrigatório, como nos países realmente livres em que o voto é um direito, não um dever. Nas últimas eleições presidenciais a abstenção atingiu 45% dos eleitores. Hoje, no entanto, este número pode crescer ou diminuir sensivelmente, apesar do clima de entusiasmo e euforia que nos relata Peña Esclusa direto de Tegucigalpa (ver áudio abaixo) e que transparece nos principais jornais do país.


Uma abstenção abaixo de 20% ou 25% será um Xeque das azuis. Se for muito grande, será um Xeque das vermelhas. Mesmo com pouca abstenção e vitória do melhor colocado nas pesquisas, ‘Pepe’ Lobo do Partido Nacionalista os riscos continuarão enormes para a Iberoamérica, pois como disse Nivaldo Cordeiro com muita propriedade ‘Lula declarando que não reconhecerá as eleições próximas, porque seu aliado Zelaya não foi reconduzido ao poder (...) significa que provavelmente o Foro de São Paulo vai se engajar na derrubada do novo governo’.


No comentário de um leitor de MSM ao meu artigo GRAVE AMEAÇA À LIBERDADE!Fica claro que qualquer resultado que seja submetido ao rule of law será contestado pelo Foro de SP:


Prezado Heitor,


Muito bom o seu artigo. Mas dando continuidade ao que você abordou, chamo a sua atenção para um outro fato que favorece essas idéias totalitárias. Cada vez mais se amplia no discurso dos “juristas”, seja nas faculdades, seja nos congressos, seja na literatura, a idéia de que a tripartição de poderes precisa ser “repensada”. Cada vez mais se fala numa “interpenetração dos poderes”. Note, no entanto, que isso não significa reforçar o sistema do “check and balances”, mas sim reforçar o exercício das funções atípicas dos poderes, subvertendo-os. Daí temos juízes legisladores e o executivo legislando a partir de portarias (o que as desvirtua enquanto institutos de direito público). Nesse jogo, o poder mais prejudicado é o Legislativo, sustentáculo da democracia representativa. Não é por acaso que já se promovem “debates” sobre o fim do Senado. Primeiro extingue-se o Senado, em breve talvez a Câmara. Assim, repensam a tripartição de poderes extinguindo um desses, subvertendo as atribuições dos outros dois e criando, quiçá, um outro poder, o técnico-planejador.


É exatamente isto que está em jogo em Honduras. Zelaya foi apeado do poder executivo porque negou-se a obedecer os demais poderes que usaram os checks and balances do rule of faw, apelando para argumentos puramente democráticos: Qualquer impedimento do ‘eleito pelo povo’ é golpe de Estado!

O Xeque-Mate ainda demora e ninguém poderá ter certeza de que lado virá, independente do resultado das eleições!


ENTREVISTA DE ALEJANDRO PEÑA ESCLUSA A FERNANDO LODOÑO HOYOS

Quem é o "Filho do Brasil"

Fonte: PODCAST DIOGO MAINARDI
sábado, 21 de novembro de 2009 | 0:02


“O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez, tem de se arranjar com Franklin Martins”


Luiz Carlos Barreto, o Filho do Brasil.” Ele, Luiz Carlos Barreto, é um personagem um tantinho menos oco do que aquele outro, canonizado em sua última obra, Lula, o Filho do Brasil. Quem é Lula? Eu o resumiria numa única linha: um retirante maroto que sonha em se transformar em José Sarney. Ele é Vidas Secas sem Graciliano Ramos. Ele é Antônio Conselheiro sem Euclides da Cunha. Ele é, citando outra patetice sertaneja produzida por Luiz Carlos Barreto, quarenta anos atrás – os filhos do Brasil repetem-se tediosamente de quarenta em quarenta anos –, o cangaceiro Coirana, sem Antônio das Mortes.


Quem já assistiu a um cinejornal do “Istituto Luce” sabe perfeitamente o que esperar de Lula, o Filho do Brasil. Benito Mussolini, em Roma, conclamando as massas, é igual a Lula, no ABC, imitando Bussunda. O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez, tem de se arranjar com Franklin Martins, coordenador do MinCulPop lulista. Mas o fato é que, a cada dia mais, o “filho de Dona Lindu” macaqueia o “filho do ferreiro de Predappio” – só que num cenário mais indigente e embolorado.


Se o crack de 1929 consolidou aquilo que Benito Mussolini chamou de “estado empreendedor”, o crack de 2008 fez o mesmo com Lula. A economia fascista tinha IMI e IRI, bancos públicos que forneciam crédito à indústria italiana, privilegiando os aliados do regime. A economia lulista tem Banco do Brasil e BNDES, que desempenham um papel semelhante. Benito Mussolini era celebrado na propaganda oficial por ter “restringido as desigualdades sociais”. Lula? Também. Os triunfos italianos nas Copas do Mundo de 1934 e 1938 foram creditados ao Duce, que compareceu aos jogos finais, assim como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 foram creditadas a Lula. Recentemente, Lula arrumou até seu próprio ditador antissemita, que promete repetir o holocausto: o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, recebido com pompa na capital do lulismo. Os “anos do consenso” de Benito Mussolini duraram de 1929 a 1936. Quanto podem durar os de Lula?


Luiz Carlos Barreto, em 1966, produziu um curta-metragem de propaganda para José Sarney. O curta-metragem foi dirigido por um conhecido marqueteiro: Glauber Rocha. Desde aquele tempo, Luiz Carlos Barreto, “o Filho do Brasil”, é quem melhor sintetiza o caráter nacional. Durante a ditadura militar, ele tomou conta da Embrafilme. No período de Fernando Henrique Cardoso, ele fez propaganda para a Embratur e para o BNDES. Quando o lulismo foi desmascarado, em 2006, ele disse: “O mensalão não era mensalão. Era uma anuidade. Faz parte da ética política. E a ética política é elástica”. A ética cinematográfica é igualmente elástica. E, no caso de Luiz Carlos Barreto, é uma anuidade.


Luiz Carlos Barreto, homenageado no Senado por Roseana Sarney, que o chamou de “grandalhão dócil e amável do cinema brasileiro”, agora planeja filmar o romance Saraminda, de José Sarney. É dessa maneira que Lula passará para a história: como uma mera anuidade no intervalo entre o José Sarney de 1966 e o José Sarney de 2010.


Por Diogo Mainardi

O MENINO DO MEP - Artigo de César Benjamin na Folha de S. Paulo

Fonte: TERRA MAGAZINE


Artigo de César Benjamin publicado na sexta-feira, 27/11, na Folha de S. Paulo e, desde então, republicado em blogs e páginas de Twitter por toda a web:


Os filhos do Brasil


César Benjamin


A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.

Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.


Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".


Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.


Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes - "sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.


Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.


Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato.


Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.


Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.


Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.


Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.


Lembro-me com emoção - toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado - do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.


Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.


Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.


São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.


Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.


Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.


Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".


Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.


Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.


O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.


Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.


Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.


Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.


A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.


O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.


Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.


CÉSAR BENJAMIN
, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.


Terra Magazine

O MENINO DO MEP. OU: SILVIO TENDLER PARA MINISTRO DA PIADA

Fonte: BLOG REINALDO AZEVEDO
domingo, 29 de novembro de 2009 | 7:40

Algumas conclusões se podem tirar do caso “Menino do MEP”. A primeira e mais óbvia é que o Lula não poderia mesmo processar César Benjamin: a conversa aconteceu. Se o publicitário Paulo de Tarso, aquele que tem contrato de R$ 300 milhões com o governo, disse que não se lembrava do fato e discordava do “conceito” (???) do texto de Benjamin, o cineasta Silvio Tendler, numa entrevista extremamente agressiva, atacando o articulista, confirmou o relato. Só que ele diz que tudo não passava de uma “piada”. Já volto a esse ponto. Sigamos nas coisas que são dadas. Outra evidência é que Franklin Martins, desta vez, perdeu o rebolado: mostrou-se perdido, sem reação possível. E, bem…, ficamos sabendo que o “Menino do MEP”, afinal de contas, existiu.


Voltemos agora a Tendler, já que sua entrevista se tornou uma chave para entender essa história. Em entrevista a um site, afirmou o valente, atacando César Benjamin:

“Era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era um marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara… Só um débil mental, um cara rancoroso e ressentido como o Benjamin, guardaria dessa forma dramática e embalada em rancor, durante 15 anos, uma piada, uma evidente brincadeira…”


Fazendo documentário, Tendler parece bem melhor em matéria de ficção. Eu não sei se Lula tentou estuprar ou não o “Menino do MEP”, o que sei, agora com certeza, pela voz de um amigo e defensor, é que ele disse que tentou. Segundo Tendler, era uma piada, que Lula fazia para chocar o americano, a “vítima do dia”. Huuummm… Quem será que vertia para o inglês a “história engraçada”? A propósito, Tendler fica nos devendo uma explicação: por que aquilo era engraçado? O que há de graça numa tentativa de estupro, ainda que fosse inventada? E por que a “vítima” era o americano? E, bem, não custa informar: outras pessoas já ouviram esse mesmo relato. Parece que há certa predileção por brincadeiras dessa natureza e sempre com a mesma personagem: o “Menino do MEP”.


Alguns homens são dados a conversas meio cafajestes. Mas saibam as mulheres que não são usuais relatos, mesmo inventados, de tentativa de “pegar” um “companheiro”. À força, então, é absolutamente impensável até como piada. Eu nunca ouvi. Não tive esse estranho privilégio de Tendler. Acho que a esmagadora maioria dos leitores não tem notícia de algo parecido. Admita-se que, num rasgo de humor à moda Lula, ele tivesse dito algo como: “Pô, eu tava lá sem mulher e tentei pegar um companheiro, mas ele resistiu…” Ok, piada, todos ririam — lá entre eles, claro! Vocês sabem: esse tipo de coisa que provoca gargalhadas em Silvio Tendler. Mas não! A história tinha uma personagem, que efetivamente estava na cela: o “Menino do MEP”. “Menino” que outros presos também tinham na memória — especialmente os próximos a Lula. Um sindicalista lembrou, 29 anos depois, que o agora presidente acertou uma bolada de basquete no rapaz. Outro sabia seu nome. Um terceiro tinha em mente suas características físicas.


Assim, resta evidente que Cesinha narrou a verdade em seu artigo. O máximo de que pode ser acusado é de não ter aquele refinado senso de humor de Silvio Tendler, que gargalhou ao ouvir que o interlocutor tentara estuprar alguém na cadeia. Por alguma razão, a coisa lhe pareceu engraçada.


Num outro trecho de sua entrevista, indaga o cineasta: “E você acha que, se isso fosse, soasse, verdadeiro, todos nós não ficaríamos chocados? Todos ali da esquerda, com amigos presos, ex-presos e tudo mais, você acha que nós ouviríamos aquilo com tom de verdade, se assim fosse ou parecesse, e não reagiríamos, não ficaríamos chocados?”


Que coisa! Chocado estou eu! Vejam que moral superior tem o esquerdismo! “Como homens de esquerda”, eles ficariam chocados porque os amigos — também de esquerda, entende-se — estavam presos. Compreendo. Se a pessoa “abusada” fosse “de direita”, isso faria alguma diferença? Mais: por acaso, inexistem molestadores de esquerda? Aí não dá! A moral de muitos esquerdistas condescende com milhões de cadáveres. Por que não poderia condescender com um estupro? Lula até podia estar brincando, como assevera Tendler, mas a suposta superioridade moral da audiência não tem nada a ver com isso. E não posso deixar de reverenciar, uma vez mais, a memória de Tendler para as piadas de Lula. Trinta anos depois, tem a história e as circunstâncias na ponta da língua.


Os petistas passaram os últimos dias, entre indignados e perplexos, tentando arranjar uma boa justificativa para a coisa toda. A mais desastrada, acho eu, é a de Silvio Tendler. Mesmo pessoas que não são ligadas ao partido falam em “baixaria”, perguntam se faz sentido publicar aquele artigo e indagam se não há mistura entre vida privada e vida pública. Se eu considerasse tratar-se de assunto pessoal, seria o primeiro a ignorar o caso.


Ocorre que isso nada tem de “pessoal”. Quase todos os presos que estavam naquela cela — Lula inclusive — recebem pensão como vítimas da ditadura militar. A do presidente, sem dúvida, é a mais indecente. Aquele evento ajudou a criar a rede de mistificações que deu a Lula a Presidência da República, trajetória que será coroada com o tal filme. São os próprios esquerdistas que sustentam que se construía lá uma parte da história do Brasil e da moral profunda do “presidente operário”. NÃO HÁ RIGOROSAMENTE NADA DE PRIVADO NESSE IMBRÓGLIO. Nada!


Quem mantém certa relação privada, mas aí é com o filme, é Silvio Tendler, tio de um dos roteiristas, Daniel Tendler, que é casado com Júlia Barreto, filha de Fábio, diretor de “Lula, O Filho do Brasil“.


Eu sei que os neo-aristocratas brasileiros ficam irritados com o fato de haver quem entenda que o Brasil é uma República, não lhes concedendo os direitos especiais de que gozavam os antigos aristocratas. Pois é! República é assim mesmo: existe para expor seus podres continuamente. E o faz para que possa continuar a ser uma República.


Lula deve nomear Silvio Tendler para o Ministério da Piada e da Gargalhada.

wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".