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quinta-feira, 17 de maio de 2012

COMISSÃO DA VERDADE: Quando a suposta dialética da história vira discurso esquizofrênico. Ou: A grande falha lógica do discurso de Dilma. Ou: Conteste se for capaz!

 

REINALDO AZEVEDO

17/05/2012 às 6:29

 

Leitores me pediram para manter este texto no alto por mais um tempo. Aqui está.

Caras e caros, de braços dados com a história e a lógica, acho que escrevi o meu melhor texto sobre a Comissão da Verdade. Avaliem.
*
A presidente Dilma Rousseff realizou hoje a solenidade de instalação da dita “Comissão da Verdade” (ver post anterior). Escrevi nesta manhã um longo textoa respeito. Também a mim não me moveu o revanchismo! Até porque tomei algumas bordoadas na luta pela redemocratização do país e tive de aguentar um “agente do regime” no meu pé quando tinha meros 16 anos… Não fui torturado como Dilma nem me tornei o burguês das lutas alheias, como o companheiro “ApeDELTA”, que nunca sofreu, felizmente, um arranhão, embora receba pensão permanente por ter sido “molestado” pela ditadura. A grana deve andar, aí, em torno de R$ 6 mil por mês. Continuo o apaixonado de sempre pelos fatos — aos 16, a minha perspectiva era certamente outra, mas já me incomodava a ideia de que o Estado pudesse sufocar os indivíduos com as suas verdades, a despeito dos… fatos! Por isso me fiz, vamos dizer assim, um “rebelde”. Por isso continuo, vamos dizer assim, um “rebelde”.

Eu me dei conta esses dias de que fui crítico, a cada hora numa trincheira, de todos os governos de Geisel pra cá. E, hoje, costumo bater boca, ainda que indiretamente, com sumidades que apoiaram todos os governos — de Geisel pra cá!!! São mais inteligentes do que eu, claro! O “progressismo” já fez verdadeiros milionários no Brasil. Fui de esquerda quando dava prejuízo. Deixei de sê-lo quando passou a dar lucro! Sujeito burro!!!

Sim, o tempo foi me convencendo, e já há muito é uma convicção da qual não abro mão, de que a democracia é mesmo o pior regime de governo possível, com a exceção de todos os outros, como disse aquele do uísque com charuto… Não é o modelo perfeito, mas é o que permite, ao menos, tratar as diferenças sem ter de avançar no pescoço alheio. Na democracia, “pacta sunt servanda“. E fim de papo! Vale o combinado. Os acordos têm de ser cumpridos. Os contratos não podem ser desrespeitados.

É o contrário do que pensa boa parte — se é que não se fala da totalidade — das esquerdas. Costumam apelar à chamada “dialética da história” para sustentar que leis, mesmo democraticamente instituídas, podem e devem ser desrespeitadas se essa for “a vontade da sociedade”. Chamam de “vontade da sociedade” a pauta que elas próprias definem. Dos 16 aos, mais ou menos, 21, também cheguei a acreditar nisso. Quando descobri que era a porta de entrada de todos os males do mundo; quando me dei conta de que essa perspectiva correspondia à morte do humanismo — à medida que ela não comporta qualquer princípio inegociável —, caí fora! Constatei que se tratava de um mal superior àqueles outros que eu combatia (e que continuo a combater) porque, em nome da resistência e de um mundo alternativo, então tudo era possível. Se me era dado combater o que considerava “imoralidade alheia” com a ausência da moral (coisa de “burgueses”), então a diferença entre “nós” e “eles” é que o mal que preconizávamos não tinha limites. A nossa vantagem comparativa estava em surpreendê-los usando seus métodos detestáveis e indo muito além. É claro que passei a repudiar essa visão de mundo de modo absoluto.

Pois bem. Dilma instalou nesta quarta a Comissão da Verdade. Negou a perspectiva revanchista, embora as declarações de pelo menos três membros do grupo — Maria Rosa Cardoso da Cunha, Paulo Sérgio Pinheiro e Maria Rita Kehl — afrontem de forma clara o texto da lei. Dizem com todas as letras — e contra a letra legal, reitero — que o objetivo da comissão é apurar as transgressões aos direitos cometidas apenas por um dos lados. A Comissão da Verdade não reconheceria (e não reconhecerá), assim, as mais de 120 vítimas que as esquerdas também fizeram no país. É mentira, mentira absoluta, que toda a cadeia de comando que resultou nessas mortes tenha sido identificada. Ao contrário até: assassinos notórios, ou seus partidários, passaram a receber, diretamente ou por meio de familiares, indenização do estado. Não adianta me xingar, me ofender, nada disso. Se puderem, neguem a evidência. Se não puderem, tenham ao menos a coragem de defender que alguns são maus assassinos, e outros, bons assassinos.

No discurso de instalação da comissão, afirmou a presidente:
“Ao instalar a Comissão Nacional da Verdade, não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de forma diferente do que aconteceu, e sim a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem vetos. É a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando um caminho da democracia. O Brasil deve render homenagens a mulheres e homens que lutaram pela revelação da verdade histórica. O direito à verdade é tão sagrado quanto o direito de famílias de prantear pelos seus entes queridos. Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado e também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Parece bom, mas é a esquizofrenia histórica se fingindo de dialética. Se é mesmo uma história “sem ocultamentos”, então a verdade sobre alguns grupos tratados como defensores da democracia tem de ser devidamente caracterizada. Não é possível que organizações como Colina, VPR e VAR-Palmares, que a presidente conhece muito bem, sejam alçadas à condição de heroínas do regime democrático. Atenção! Nada, nada mesmo, justifica que um agente do estado resolvesse fazer “justiça” com as próprias mãos! Condenar esse expediente, no entanto, não muda a convicção daqueles que queriam uma ditadura socialista no Brasil. E, em nome disso, também mataram. Se a inocência não era um limite para os torturadores e agentes dos porões, foi, por acaso, limite para muitos daqueles militantes?

Dilma diz reverenciar os que “lutaram contra a truculência legal”. Certo! Quando Larmarca, volto ao caso, esmagou o crânio de um tenente da Polícia Militar, depois de um “julgamento” feito no meio do mato por seus pares de terror, ele estava lutando “contra a truculência legal”? Quando uma associação de grupos de esquerda decidiu jogar um carro-bomba contra um quartel, fazendo em pedaços um jovem de 18 anos — Mário Kozel Filho —, tratava-se tal ação de “luta contra a truculência legal”? Quando os próprios esquerdistas assassinaram alguns dos seus, suspeitos de colaboracionismo, era “luta contra a truculência legal”?

A linguagem trai
Como é mesmo? As palavras fazem sentido!!! A gramática existe não apenas para expor a ignorância do JEG. Também é um instrumento para aclarar pensamentos. Prestem atenção a este trecho da fala da presidente:
“Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado etambém reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Sabem os gramáticos — e preciso sempre tomar cuidado porque tenho um dos melhores entre meus leitores, Luiz Antônio Sacconi, dono de vastíssima obra na área — que a conjunção aditiva “e” pode ser empregada como conjunção adversativa, pode valer por um “mas”, a exemplo do que faz Dilma. Sua fala pode ser reescrita assim, sem que mude o sentido do que disse:
“Reverencio os que lutaram contra a truculência ilegal do estado, mastambém reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Resta evidente em sua peroração a existência de uma contradição entre “os que lutaram contra a truculência” e “os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”. Ao optar por esse discurso, ela se revela e se trai  também na esfera da linguagem. Ela se revela ao admitir que entende a Lei da Anistia como algo que caminhou no sentido contrário aos interesses daqueles supostos heróis “que lutaram contra a truculência”. Mas ela também se trai ao assumir que, satisfeita a visão de mundo daquela turma, certamente não se alcançariam os “pactos políticos que nos levaram à redemocratização”. Vale dizer, por dedução lógica inescapável: se a Lei da Anistia era incompatível com aquela turma, aquela turma era incompatível com a Lei da Anistia.

Não posso fazer nada: eu opero com categorias lógicas. Eu me nego a me deixar enrolar pela retórica oca, pela grandiloquência do… ocultamento!

Algum retórico do Planalto emprestou um coquetel de figuras de linguagem à presidente, que afirmou:

“A ignorância sobre a história não pacifica. Pelo contrário, mantém latentes mágoas e rancores. A desinformação não ajuda a apaziguar. O Brasil merece a verdade. As novas gerações merecem a verdade. Merecem a verdade factual também aqueles que perderam amigos e parentes. O Brasil não pode se furtar a conhecer a totalidade de sua história. Se tem filhos sem pais, túmulos sem corpos, nunca pode existir uma história sem voz”.

Perfeito! Se é o Brasil pacificado que instala essa “Comissão da Verdade”, então, por definição, toda a verdade tem de ser contada, também a das vítimas dos grupos terroristas — ainda que a “comissão” queira chamá-los “revolucionários” ou “amantes da democracia” (o que é mentira!). À diferença do que dizem os petralhas, aceito, sim, pontos de vista diferentes dos meus. Desde que se apontem as falhas lógicas ou as falsidades deste texto.

Texto publicado originalmente às 17h24 desta quarta-feira

Por Reinaldo Azevedo

Blogueiro Ricardo Gama responde a desqualificada da Cidinha Campos

 

Deputada Cidinha Campos xinga e até ironiza atentado que Blogueiro Ricardo Gama sofreu

Publicado em 15/05/2012 por 99239721rg

Vou ajudar a promover a DESQUALIFICADA da Deputada Cidinha Campos (PDT), a defensora número 1 do bandido do Sérgio Cabral, e divulgar o vídeo abaixo onde essa FANFARRONA fala um monte de mentiras, e me xinga.

Barbaridade !!!! Essa Deputada Cidinha Campos (PDT) é tão FANFARRONA e DESQUALIFICADA que chega ao ponto de ironizar o atentado que eu sofri, e que estou tendo que fazer uma nova cirurgia amanhã, chegando a dizer que eu estaria, agora, depois dos tiros que eu tomei com problemas na fala.

Muito bem, como não devo nada a ninguém, que o povo veja o que a Deputada FANFARRONA e DESQUALIFICADA da Cidinha Campos (PDT) falou ao meu respeito.

Dê PAUSE na rádio acima e assista ao vídeo.

Em tempo, essa FANFARRONA e DESQUALIFICADA dessa Deputada Cidinha Campos (PDT) deveria explicar por que ela da noite para o dia resolveu virar amiga e defensora de Sérgio Cabral ?

Em tempo 2, desculpe ter baixado o nível.

Em tempo 3, dizem que a FANFARRONA e DESQUALIFICADA da Cidinha Campos anda muito revoltada depois do chute que tomou na bunda da Rede Bandeirantes, e de não ter sido convidada pelo Sérgio Cabral para a FARRA na Europa, já que, convenhamos, ela é a que mais defende o Cabral.

Em tempo 4, eu nunca pedi emprego para essa FANFARRONA e DESQUALIFICADA da Deputada Cidinha Campos (PDT).

Em tempo 5, além de FANFARRONA e DESQUALIFICADA essa Deputada Cidinha Campos (PDT) é BURRA, desde quando pedir emprego é cometer crime de "extorsão" ?

Em tempo 6, quem publicou o vídeo no youtube, é gente ligada a essa FANFARRONA e DESQUALIFICADA da Deputada Cidinha Campos (PDT), e proibiu a publicação de comentários, mas eu já salvei o vídeo e vou postar no meu canal no youtube, para que as pessoas possam comentar a vontade.

Em tempo 7, estranho que eu estive na ALERJ e a casa disse que não tinha essas imagens, por que não postam o vídeo que eu dei um ESPORRO minutos antes no Deputado Estadual André Lazaroni (PMDB) ?

Em tempo 8, a FANFARRONA e DESQUALIFICADA da Deputada Cidinha Campos (PDT) adora o twitter, mandem mensagens sobre esse vídeo, fiquem a contade para elogiar ou riticar ela (clique aqui e acesse @cidinhacampos).

Blogueiro Ricardo Gama responde a desqualificada da Cidinha Campos

Publicado em 16/05/2012 por 99239721rg

Blogueiro Ricardo Gama responde a desqualificada da Cidinha Campos

quarta-feira, 16 de maio de 2012

FRAUDE NA REDE - Perfil usado como robô pelos petralhas para difamar a VEJA e que até concedeu “entrevista” desaparece do Twitter

 

REINALDO AZEVEDO

16/05/2012 às 15:24

 

O que faz esta imagem aqui? Já explico!

perfil-twitter-usado-como-robo

Nada como um dia depois do outro, com a verdade servindo de… link! A VEJA desta semana traz uma reportagem que desmascara o modo como alguns vigaristas estão criando correntes no Twitter e chegando aos chamados “trending topics”. Recorrem a um monte de perfis falsos, que não existem, e usam outros como robôs, replicando mensagens automaticamente. Como os participantes da rede ignoram esses métodos, trata-se, quando menos, de uma fraude do ponto de vista ético. NOTA À MARGEM: idiotas insistem em me atribuir a reportagem. Não é minha” Eu apenas publiquei aqui um trecho. É que essa gente me adora e não pode viver sem mim. Huuummm… Não posso culpá-la por isso.

Na reportagem, constatou-se, por exemplo, que o perfil “lucy_in_sky_” foi usado como um robô nas correntes que os petralhas fizeram contra a VEJA. Com base numa informação falsa — a de que um jornalista da revista teria trocado 200 telefonemas com Carlinhos Cachoeira —, deram início à satanização da revista. O objetivo: alcançar os “trending topics”.

A reportagem nem chegou a afirmar que o perfil não existia; sustentou que foi usado por um robô, o que é coisa diferente. O JEG (também conhecido por BESTA) tentou reagir. A revista teria cometido uma grande injustiça. O perfil pertenceria a uma pacata dona de casa, de 59 anos, que estava ofendíssima com a revista. Uma verdadeira heroína! A página de Luís Nassif, cuja reputação o precede e dispensa adjetivos — peço que vocês a eles não se dediquem; deixem o lixão e o esgoto para o lado de lá —, chegou a publicar uma “entrevista” com a mulher. Ela só não quis se identificar nem mostrar a cara. Mais uma vítima, pobrezinha!, desta revista terrível!

Pois bem! Fui acessar o tal perfil agora há pouco só por curiosidade. “Vamos ver o que andam dizendo… Vamos ver se aquela pacata dona de casa, que se dedica com tanto afinco a difamar uma publicação, continua lá, firme!, na sua militância doméstica”. E o Twitter me devolveu a mensagem que vocês veem acima! Aquela alma sensível caiu fora! Não está mais no Twitter. Vai ver a alma transmigrou!

Tinha tanto amor pela sua página, estava tão comprometida com os fatos e com a verdade, mas decidiu cair fora! Que peninha!

É o fim da picada! Essa gente perdeu o senso do ridículo. Já demonstrei aqui que a turma estava em polvorosa porque foi flagrada com a boca na botija. Essa gente não resiste a uma apuração mínima dos fatos, não suporta a luz do sol, só prospera nas trevas do truque e da malandragem.

Outras correntes virão porque eles são vigaristas e não desistem nunca! E a verdade insiste em se impor. Aliás, agora que as pilantragens começaram a ser desmascaradas, isso não para mais.

Como a falta de vergonha na cara conduz à ausência de limites, a rede suja na Internet está dizendo que “lucy_in_sky_” cometeu “tuitcídio” porque não suportou a campanha de difamação que teria sido lançada por mim — que sou mau como um pica-pau. Entenderam? Agora eu sou um “tuitcida”. Eu não sabia que apelidos criados para participar de difamação nas redes sociais eram tão sensíveis.

Daqui a pouco, um dos blogueiros sujos se apresenta na rede para imitar Flaubert: “lucy_in_sky_ c’est moi”… Se bem que não há esse risco. Eles nem sabem do que estou falando.

Por Reinaldo Azevedo

Militares reagem à declaração de que investigação não tem 2 lados

 

ESTADÃO

Após entrevista de diplomata ao ‘Estadão’, generais da reserva dizem que integrantes da comissão não são parciais

15 de maio de 2012 | 22h 36

Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

O foco de trabalho da Comissão da Verdade e as declarações dadas nesta terça-feira, 15, ao Estadão pelo diplomata Paulo Sérgio Pinheiro, um dos sete integrantes do grupo, desencadearam reações no meio militar.

Veja também:

link Comissão da Verdade inicia trabalhos com desaparecidos como prioridade
link TV ESTADÃO: "Comissão da Verdade ajuda a democracia"
link Comissão da Verdade quer apurar agentes do Estado
link Comissão da Verdade não vai punir, diz integrante

O general da reserva Marco Antônio Felício da Silva defendeu que "nenhum militar" se apresente para prestar depoimento à Comissão da Verdade, mesmo se convocado. Felício foi o autor do manifesto assinado contra a criação da comissão que foi endossado por 1.568 militares da reserva, sendo 130 generais, além de 1.382 civis.

Segundo o general Felício, a comissão "buscará de forma unilateral e sem a devida isenção, como prioridade primeira, o que chamam de verdade".

Para ele, a comissão (que será oficialmente instalada nesta quarta-feria, 16) busca comprovar uma nova história, "colocando-os como democratas e defensores da liberdade e dos direitos humanos quando, no passado, desejavam a derrubada do governo e a instalação de uma ditadura do proletariado por meio da luta armada, usando do terrorismo, assassinatos, roubos, sequestros e justiçamentos".

Marco Felício, depois de salientar que os militares não aprovam os nomes indicados pela presidente Dilma Rousseff, afirmou ainda que os representantes das Forças Armadas não devem comparecer à comissão para "evitar que o militar seja incriminado pelo que disser, seja execrado publicamente, desmoralizado, segundo ato de revanchismo explícito".

Ele criticou ainda as declarações do diplomata Paulo Sérgio Pinheiro ao Estadão, que afirmou que "nenhuma comissão da verdade teve ou tem essa bobagem de dois lados, de representantes dos perpetradores dos crimes e das vítimas".

Outras reações. Os ex-presidentes do Clube Militar, general Gilberto Figueiredo e Luiz Gonzaga Shroeder Lessa, também reagiram às declarações dos recém-nomeados integrantes da comissão da verdade.

Lessa disse ao Estadão que, "se a comissão só tem um lado, como diz Paulo Sérgio Pinheiro, é porque ele é tendencioso e a avaliação dele será parcial, o que compromete seu trabalho, que deveria ser isento". O general Lessa questionou ainda: "E os que foram assassinados por eles (militantes de esquerda), não conta?"

Já o general Figueiredo disse que "se ele (Paulo Sérgio Pinheiro) acha que não existem dois lados, mas apenas um, significa que os integrantes da comissão não vão investigar os justiçamentos feitos por suspeita de traição pela esquerda". E emendou: "Esta declaração compromete a isenção dele para a realização dos seus trabalhos, que é um pressuposto da comissão".

Ambos defendem ainda o acompanhamento dos trabalhos da Comissão da Verdade, por uma comissão paralela conjunta dos três clubes militares (Naval, Militar e Aeronáutica).

Será mesmo que o texto de Marta Suplicy de “combate à homofobia” é aceitável? Resposta: “não!”

 

REINALDO AZEVEDO

15/05/2012 às 18:27

 

Desculpem a demora. Estava fazendo algumas entrevistas. É da profissão. Adiante.

*

A dita lei anti-homofobia, mesmo na versão amenizada que está no Senado, é um coquetel de inconstitucionalidades. Isso não quer dizer que, se submetida à análise do Supremo, não vá ser considerada mais um primor do direito criativo, uma área em que o Brasil está virando craque. No post anterior, lemos que a senadora Marta Suplicy quer pressão da sociedade para aprovar a tal lei. “Pressão da sociedade” significa a organização de grupos da militância gay em favor da lei — e, obviamente, o silêncio de quem é contra o texto. E é evidente que se pode ser contra não por preconceito contra os gays, mas porque a lei ofende o bom senso e cria uma casta de aristocratas sob o pretexto de combater a homofobia.

Como sempre faço, exponho a lei que está sendo discutida, em vez de escondê-la, como faz a maioria. Abaixo, segue em azul a proposta que está no Senado, relatada pela senadora Marta Suplicy. Atenção! O que vai em vermelho aparece no texto da lei na forma de reticências porque remete a artigos do Código Penal. Incluí aí para que fique claro do que estamos falando. Se quiser, veja a íntegra antes de ler o comentário que faço.

PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 122, DE 2006
Define os crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero, altera o Código Penal e dá outras providências.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei define crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
Art. 2º Para efeito desta Lei, o termo sexo refere-se à distinção entre homens e mulheres; orientação sexual, à heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade; e identidade de gênero, à transexualidade e à travestilidade.
Art. 3º O disposto nesta Lei não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião de que trata o inciso VI do art. 5º da Constituição Federal.

Discriminação no mercado de trabalho
Art. 4º Deixar de contratar ou nomear alguém ou dificultar sua contratação ou nomeação, quando atendidas as qualificações exigidas para o posto de trabalho, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem, durante o contrato de trabalho ou relação funcional, confere tratamento diferenciado ao empregado ou servidor, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

Discriminação nas relações de consumo
Art. 5º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Discriminação na prestação de serviço público
Art. 6º Recusar ou impedir o acesso de alguém a repartição pública de qualquer natureza ou negar-lhe a prestação de serviço público motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Indução à violência
Art. 7º Induzir alguém à prática de violência de qualquer natureza, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.

Art. 8º O Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 61
São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:
I - a reincidência;
II - ter o agente cometido o crime:
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagemde outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso quedificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso oucruel, ou de que podia resultar perigo comum;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, decoabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da leiespecífica;
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida;
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública,
ou de desgraça particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
m) motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 121
Matar alguém:
Pena — reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos.
(…)
§ 2º
Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
(…)
VI - motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

“Art. 129
Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
§ 12. Aumenta-se a pena de um terço se a lesão corporal foi motivada por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 136
Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
Pena - detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
§ 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, ou é motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.”

“Art. 140
Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena — detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa, além da penacorrespondente à violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

“Art. 286
Incitar, publicamente, a prática de crime:
Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa.
Apologia de crime ou criminoso
Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço quando a incitação for motivada por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero”

Art. 9º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Voltei
Muito bem! A lei já enrosca numa questão de linguagem no Artigo 2º. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra, sim, “transexualidade” e “travesti”, mas não abriga a “travestilidade”, seja lá o que isso queria dizer na linguagem militante ou no vocabulário da senadora.

Um homem que não seja habitualmente um “travesti” pode estar em “situação de travestilidade” transitória, por exemplo. Sei lá, deu na veneta do sujeito, ele vestiu um tubinho listrado e saiu por aí; em vez de Parati, resolveu tomar chá com torrada; em vez do canivete no cinto, um leque na mão… Lembram-se do cartunista Laerte, que é homem (sexo), diz-se bissexual (orientação) e, vestido de mulher, tentou usar um banheiro feminino (naquele dia, dividia o ambiente com uma criança do sexo feminino)? Aquilo era exercício de “travestilidade”? Sigamos.

O Artigo 3º — e os militantes xiitas já ficaram bastante irritados com ele — tenta minimizar a reação negativa da “bancada cristã” no Congresso. Especifica que o que vai na lei não se aplica à “manifestação pacífica do pensamento” em razão da crença, religião etc. Huuummm… A questão é saber quando um pensamento é considerado “pacífico” ou não. Ocorre que a agressão à liberdade religiosa, minimizada no texto do Senado, era apenas um dos problemas da lei. Os outros continuam.

Peguemos a questão da “discriminação no mercado de trabalho”. O diretor ou diretora de uma escolinha infantil, por exemplo, que rejeite um(a) professor(a) que se encaixe no grupo da “transexualidade” ou da “travestilidade” pode pegar até três anos de cadeia. Em caso de denúncia, o diretor ou diretora da escolinha teria de provar que só não contratou a tia Jehssyka — que, na verdade, era o tio Waldecir — por motivos técnicos. A eventual consideração de que uma criança de quatro ou cinco anos não está, digamos, preparada para entender a “travestilidade” — que nem o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa abriga — não pode, evidentemente, ser levada em conta.

Nessa e nas demais situações previstas da lei, a pessoa acusada terá de produzir a chamada “prova negativa” — vale dizer, demonstrar que não agiu movido pelo preconceito. Vamos adiante.

Que tal pensar um pouquinho no Artigo 5º? Transcrevo:
“Art. 5º Recusar ou impedir o acesso de alguém a estabelecimento comercial de qualquer natureza ou negar-lhe atendimento, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.”

Leio e me contam que são cada vez mais frequentes as lojas de roupas femininas sem provadores. Como é um ambiente para mulheres, elas vão pondo e tirando peças por ali mesmo, entre as araras e os armários, ficando nuas ou seminuas (pare de ficar sonhando, leitor heterossexual reacionário!). Mas nada de impedir o Laerte (tomo-o como uma metonímia) — aquele que, em situação de travestilidade, quis dividir o banheiro feminino com uma mulher e uma criança — de fazer o mesmo, entenderam? Se ele quiser ficar pelado ali no meio da mulherada, expondo os seus balangandãs, estará protegido por uma lei! Ou é isso ou cana de três anos! E se, sei lá eu, por qualquer razão, o homem (sexo), bissexual (orientação) e travesti (identidade) tiver uma ereção, ainda que involuntária (vocês sabem, isso acontece), em meio a calcinhas e sutiãs? Um pênis, como a rosa de Gertrude Stein, é um pênis é um pênis. Nem Marta Suplicy consegue mudar isso! O sujeito em situação de “travestilidade” poderá ser acusado de assédio, por exemplo, ou isso também seria discriminação de identidade?

Código Penal
O texto muda ainda seis artigos do Código Penal. Se aprovada a proposta de dona Marta Suplicy, o Brasil estará dizendo ao mundo que matar um gay é coisa muito mais grave do que matar um heterossexual — ou, se quiserem, o contrário: matar um heterossexual é coisa muito menos grave do que matar um gay.

Vejam lá: qualquer crime, segundo a redação proposta para o Artigo 61, terá pena agravada quando praticado em razão da orientação ou identidade sexual, valendo, com já disse, mesmo para o caso de homicídio (Artigo 121).  Ofender a integridade ou a saúde de alguém (Art. 129) dá de três meses a um ano de cana. No caso de ser um gay, um terço a mais de pena. Ou mesmo vale para o caso de expor uma pessoa a riscos (Art. 136) ou injúria (Art. 140). Em suma, tudo aquilo que já é crime passa a ser “ainda mais crime” caso se acuse o criminoso de ter agido em razão do preconceito.

Pressão
Marta pede a “pressão popular” — que, na verdade, é pressão da militância porque sabe que, caso a lei seja conhecida em seus detalhes e implicações, não seria aprovada de jeito nenhum. Os tempos são favoráveis a reparações dessa natureza. A imprensa é majoritariamente favorável ao texto e tende a satanizar os que o criticam, como se fossem porta-vozes do mundo das trevas — e não da velha e boa igualdade dos homens e mulheres perante a lei (pouco importa o que façam de sua sexualidade). Se há preconceito e discriminação, é preciso resolver a questão com educação, não com a aprovação de uma Lei de Exceção, que cria uma casta de indivíduos especialmente protegidos.

Fantasia estatística
Ocorre que a militância gay consegue vender fantasias como se fossem provas irrefutáveis de que o Brasil é o país mais homofóbico do mundo. Uma delas é o tal “número de homossexuais assassinados por ano”. Em 2010, segundo os próprios militantes, foram 260. Duvido que esse dado esteja correto! DEVE SER MUITO MAIS DO QUE ISSO. Sabem por quê? Em 2010, mais de 50 mil brasileiros foram assassinados. Dizem os militantes que são 10% os brasileiros gays. Logo, aqueles 260 devem ser casos de subnotificação. O que é um escândalo no Brasil é o número de homicídios em si, isto sim, pouco importa o que o morto fazia com o seu bingolim quando vivo.

Mas seria interessante estudar mesmo esse grupo de 260. Aposto que a larga maioria era composta de homens. O assassinato de lésbicas é coisa rara. Houvesse um preconceito tão arraigado a ponto de se matar alguém em razão de sua orientação, haveria um quase equilíbrio entre os dois grupos. Mas não há! A maioria é composta de homens homossexuais assassinados por… michês! Que também são homossexuais — ou, por acaso, não são? Muitos dos crimes atribuídos à chamada homofobia são praticados por… homossexuais. Eu diria que são ocorrências que se encaixam em outro escaninho da experiência humana: a prostituição.

Reitero: o que é um escândalo, o que é inaceitável, o que é um absurdo é haver mais de 50 mil homicídios por ano no país, incluindo o de homossexuais, sim, que certamente não se limitam a 260, dado o número provável de gays no país. Mas convém não tomar como expressões do preconceito algumas ocorrências que decorrem do estilo de vida. Se a sexualidade não é uma escolha, o estilo é.

Não é correto tomar comportamentos que são marginais — que se situam à margem, entenda-se — como parâmetro para elaborar políticas públicas. A chamada lei de combate à homofobia constitui, isto sim, uma lei de concessão de privilégios. Não será pela via cartorial que se vai reeducar a sociedade. Seu efeito pode ser contraproducente: a menos que haja imposição de cotas nas empresas, aprovada a lei da homofobia, pode é haver restrições à contratação de homossexuais em determinados setores da economia — em alguns, eles já são maioria. Afinal, sempre que um homossexual for demitido, haverá o risco da acusação: “Homofobia”! E lá vai o acusado ter de provar que não é culpado.

Só as sociedades totalitárias obrigam os indivíduos a provar que não têm culpa!

Por Reinaldo Azevedo

Marco Feliciano e Reinaldo Azevedo criticam Marta Suplicy

 

GOSPEL PRIME

Para ambos a senadora está mentindo para a sociedade

por Michael Caceres

Marco Feliciano e Reinaldo Azevedo criticam Marta Suplicy

O PLC 122/2006 volta a debate nesta quarta-feira (16), quando acontece a Marcha Nacional contra a Homofobia em Brasília. A senadora Marta Suplicy (PT-SP) pediu nesta terça-feira (15) o apoio da população para pressionar pela aprovação da “lei da mordaça”. Marta, que é relatora do projeto de lei, disse que a parcela dos brasileiros que não é homossexual precisa respaldar o texto, que já foi aprovado na Câmara, mas enfrenta resistência no Senado.

A senadora ainda afirmou que há, entre seus colegas parlamentares, uma “maioria silenciosa” favorável ao projeto, ou pelo menos neutra, que não se posiciona por receio de desagradar eleitores. “Essa maioria silenciosa vai se posicionar se a população civil se posicionar a favor do projeto”, disse Marta.

Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, crítica à postura de Marta Suplicy e diz que “muitos dos crimes atribuídos à chamada homofobia são praticados por homossexuais”.

O deputado federal, Pastor Marco Feliciano, também se manifestou sobre os preparativos, do que seria, a tentativa final em aprovar o Projeto de Lei. Ele disse através de sua conta no Twitter que sente “muito, muito mesmo pelos 260 assassinatos de gays nesse país. Mas me angustio também pelos outros 49.740 assassinatos”, comentou.

Além disso, o deputado disse que nesta terça-feira (15) acompanhou a movimentação no Senado e na Câmara. Reuniões entre ativistas gays, que segundo ele, “hostilizavam quem era contrário” a prática.

“Existe uma conspiração global para desestabilizar a família, desmerecer os valores e criar uma nova ordem mundial onde o moral deve ser abolido. Os ativistas gays encabeçam essa trama, percebam que falo dos ativistas e não dos homossexuais em geral. Mas sim dos que odeiam o cristianismo. Pois o cristianismo expõe a verdade, toca em suas vidas promiscuas, grita contra suas sodomias e como espelho mostra suas falácias. E abre os braços para ama-los aceita-los como seres que precisam de ajuda. O cristianismo ama o homossexual, mas não ama a pratica homo”, conclui o pastor.

Leia o comentário de Reinaldo Azevedo aqui.

Fonte: http://noticias.gospelprime.com.br/marco-feliciano-e-reinaldo-azevedo-criticam-marta-suplicy/#ixzz1v3KJOfjX

A finalidade da Comissão da Verdade

 

Publicado em 15/05/2012 por nivaldocordeiro

Dois integrantes da Comissão da Verdade, recém nomeada, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Cunha vieram a público hoje dizer que o único alvo da dita Comissão é a "Ditadura", ou seja, os militares que deram combate aos guerrilheiros e os venceram. Sabíamos disso, mas eles dizendo as cortinas de fumaça desaparecem. Querem mesmo é constituir um tribunal para enxovalhar os heroicos combatentes das forças militares.

Câmara aprova projeto sobre crimes cibernéticos

 

CÂMARA DOS DEPUTADOS

15/05/2012 18:33

O Plenário aprovou, simbolicamente, o Projeto de Lei 2793/11, do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e outros, que tipifica crimes cibernéticos.

A matéria teve parecer favorável, em Plenário, dos deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Nelson Pellegrino (PT-BA) pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, respectivamente.

O atentado contra Fernando Londoño

 

MÍDIA SEM MÁSCARA

 

ESCRITO POR EDUARDO MACKENZIE | 16 MAIO 2012

NOTÍCIAS FALTANTES - FORO DE SÃO PAULO

As FARC acreditam que com este ato bárbaro que custou a vida de três pessoas e feriu 49 mais, intimidará os colombianos, os jornalistas e os congressistas.

O covarde atentado contra o ex-ministro Fernando Londoño Hoyos, do qual saiu, por sorte, com vida, mostra que as FARC passaram para uma fase nova de sua ofensiva geral contra a democracia colombiana.

É óbvio que as FARC atingiram um estado operacional novo, no qual podem realizar gravíssimos atentados na capital da República contra personalidades políticas de primeiro plano, posto que o governo de Juan Manuel Santos abandonou a política de segurança democrática sem substituí-la por um esquema coerente de luta contra a expansão das organizações terroristas.

O atentado de hoje (15.05) procurava acabar com a vida de Fernando Londoño, o adversário mais valente, livre e eloqüente de uma reforma constitucional em curso de deliberação no Congresso que poderia ser nefasta para o país [1].

O chamado “marco legal para a paz” é um dispositivo que deveria ser rechaçado e arquivado definitivamente, pois em vez de abrir vias para a paz, permitirá cobrir com um manto de impunidade os crimes, inclusive os mais atrozes, cometidos pelos chefes e membros das FARC e do ELN nos últimos cinqüenta anos.

É uma reforma constitucional que, ademais, retiraria da justiça ordinária a competência para julgar esses criminosos e tiraria do Congresso a capacidade de legislar acerca dos processo de paz na Colômbia. Esse é um projeto que não tem antecedentes em nenhum outro país democrático.

Não foi uma casualidade que o atentado contra o ex-ministro Fernando Londoño Hoyos tenha sido cometido no mesmo dia em que a Câmara de Representantes se preparava para fazer a última discussão para a aprovação ou o rechaço desta lamentável iniciativa governamental.

Se havia dúvidas entre os parlamentares sobre as intenções das FARC a respeito do “marco legal para a paz”, essas intenções foram desnudadas por elas mesmas com o terrível atentado de hoje.

As FARC acreditam que com este ato bárbaro que custou a vida de três pessoas e feriu 49 mais, intimidará os colombianos, os jornalistas e os congressistas.

O chamado “marco legal para a paz” mesmo antes de nascer já está marcado com o sangue de colombianos inocentes. Pelo futuro democrático da Colômbia, pelo respeito às vítimas do terrorismo, o Parlamento colombiano deveria meditar muito bem antes de aprovar essa estranha reforma constitucional.

Nota da tradutora:
[1] O autor escreveu esse artigo antes de se ter o resultado da votação da referida lei que só terminou ontem à noite. Entretanto, dos 127 congressistas apenas 4 deram seu voto contra, sendo assim aprovada a lei mais aberrante que já se criou na Colômbia, seja do ponto de vista jurídico, seja do ponto de vista moral ou mesmo do ponto de vista de justiça para com as incontáveis vítimas do terrorismo.

Tradução: Graça Salgueiro

LIVRO: A Tragédia do Euro

 

MÍDIA SEM MÁSCARA

ESCRITO POR JESUS HUERTA DE SOTO | 15 MAIO 2012

ARTIGOS - ECONOMIA

Euro

Prefácio da obra A Tragédia do Euro, novo lançamento da Vide Editorial.

“Este livro provê poderosas ferramentas que ajudam no entendimento da história do euro e de seu perverso arranjo institucional”, afirma o economista Jesús Huerta de Soto.

É para mim um grande prazer apresentar este livro escrito pelo meu colega Philipp Bagus, um de meus mais brilhantes e promissores alunos. O livro surge em um momento extremamente oportuno e mostra como o arranjo intervencionista criado pelo sistema monetário europeu levou à atual situação calamitosa.

A atual crise da dívida soberana europeia, com vários países ameaçando dar o calote em suas dívidas, é resultado direto da expansão da moeda e do crédito feita pelo sistema bancário europeu. no início dos anos 2000, o crédito foi expandido principalmente nos países periféri-cos da União Monetária Europeia (UME), como Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha. As taxas de juros desses países foram substancialmente reduzidas em decorrência tanto da expansão creditícia feita pelo seu sistema bancário quanto da queda das expectativas inflacionárias e dos prêmios de risco (taxa embutida nos juros de um empréstimo quando existe a chance de que tal empréstimo não seja pago).

A acentuada queda nas expectativas inflacionárias foi causada pelo prestígio do então recém-criado Banco Central Europeu (BCE), o qual foi concebido como uma cópia do Bundesbank, o Banco Central alemão.  Os prêmios de risco dos países periféricos foram artificialmente reduzidos em decorrência do apoio dado ao arranjo pelas nações mais fortes. O resultado foi uma expansão econômica artificial.  Houve o surgimento de várias bolhas nos preços de ativos, como uma bolha imobiliária na Espanha e na Irlanda. O dinheiro recém-criado foi inicialmente injetado nos países da periferia, onde ele foi utilizado para financiar o consumismo e os investimentos errôneos e insustentáveis, principalmente nos setores automotivo e da construção civil, ambos exageradamente sobredimensionados.  Ao mesmo tempo, a expansão do crédito ajudou também a financiar e expandir estados assistencialistas insustentáveis.

Em 2007, começaram a surgir aqueles efeitos micro-econômicos que revertem qualquer expansão econômica artificial que foi financiada pela mera expansão do crédito e não pela genuína poupança (a abstenção do consumo que permite a formação de capital para ser investido). Os preços dos meios de produção, tais como commodities e salários, começaram a subir. As taxas de juros também aumentaram devido às pressões inflacionárias, as quais fizeram com que os bancos centrais tivessem de desacelerar suas políticas monetárias expansionistas. Finalmente, os preços dos bens de consumo começaram a subir em relação aos preços oferecidos aos fatores de produção. Foi se tornando cada vez mais óbvio que muitos desses investimentos não eram sustentáveis devido à falta de poupança real. A maioria desses investimentos ocorreu no setor da construção civil.

O setor financeiro ficou sob pressão à medida que as hipotecas foram sendo securitizadas, indo parar direta ou indiretamente nos balancetes das instituições financeiras. As pressões culminaram no colapso do banco de investimentos Lehman Brothers, evento esse que levou pânico completo aos mercados financeiros. 

Em vez de deixar que as forças de mercado seguissem seu curso, liquidando e expurgando todos os investimentos ruins, os governos infelizmente optaram por intervir no necessário processo de ajustamento dos mercados (a recessão).  Foi essa lamentável intervenção que não apenas impediu uma recuperação mais rápida e mais completa, mas que também produziu, como efeito colateral, a crise da dívida soberana, que explodiu no primeiro semestre de 2010. Os governos tentaram estimular os setores sobredimensionados, aumentando os gastos públicos. Eles forneceram amplos subsídios para a compra de carros novos com o intuito de estimular a indústria automotiva. Além disto, os governos também incorreram em vários programas de obras públicas para estimular a agora combalida construção civil, bem como o setor que havia concedido empréstimos a essas indústrias: o setor bancário.

Ademais, os governos deram sustento direto ao setor financeiro ao dar garantias aos seus passivos e ao estatizar bancos, comprando seus ativos ou uma fatia de suas ações. Ao mesmo tempo, o desemprego disparou em decorrência da rigidez e da alta regulamentação do mercado de trabalho. As receitas dos governos oriundas do imposto de renda e das contribuições previdenciárias despencaram. Gastos com seguro-desemprego dispararam. As receitas dos impostos sobre empresas, receitas essas que estavam artificialmente infladas em setores como o sistema bancário, a construção civil e a indústria automotiva durante o período do crescimento artificial, foram quase que completamente aniquiladas. Com receitas em queda e gastos em alta, os déficits e as dívidas dos governos foram às alturas, como consequência direta das respostas governamentais a uma crise causada por uma expansão econômica que não tinha base na poupança real.

O caso da Espanha é paradigmático. O governo espanhol subsidiou a indústria automotiva, a construção civil e o setor bancário, os quais foram acentuadamente expandidos durante o boom da expansão do crédito. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho altamente inflexível fez com que as taxas de desemprego pulassem para 20%. O resultante déficit público começou a apavorar os mercados e os outros países membros da União Europeia, os quais finalmente pressionaram o governo a anunciar algumas tímidas medidas de austeridade, com o intuito de fazer com que ele — o governo espanhol — pudesse continuar adquirindo empréstimos. Sob esse aspecto, o fato de o euro ser uma moeda única mostrou uma de suas «vantagens». Sem o euro, o governo espanhol certamente teria recorrido ao artifício de desvalorizar sua moeda, como fez em 1993, imprimindo dinheiro para reduzir seu déficit. Isso teria gerado uma revolução na estrutura de preços da economia espanhola e um imediato empobrecimento da população, uma vez que os preços dos produtos importados iriam disparar.  Ademais, ao desvalorizar a moeda, o governo poderia continuar gastando sem ter de fazer quaisquer reformas estruturais. Com o euro, o governo espanhol (ou qualquer outro governo em apuros) não pode desvalorizar sua moeda, imprimindo dinheiro diretamente para pagar sua dívida. Consequentemente, tais governos tiveram de incorrer em medidas de austeridade e em algumas reformas estruturais após sofrerem pressão da Comissão Europeia e de estados-membros, como a Alemanha. Com isso, é bem provável que o segundo cenário delineado por  Philipp Bagus neste seu livro  venha a ocorrer. O Pacto de Estabilidade e Crescimento pode vir a ser reformado e colocado em vigor. Como consequência, os governos da União Monetária Europeia teriam de continuar e intensificar suas medidas de austeridade e reformas estruturais com o intuito de obedecer ao Pacto de Estabilidade e Crescimento. Pressionados por países mais conservadores, como a Alemanha, todos os membros da União Monetária Europeia seguiriam o caminho das tradicionais medidas anticrise, com corte de gastos.

Em contraste à União Monetária Europeia, os Estados Unidos estão seguindo à risca a receita keynesiana contra recessões.  Na visão keynesiana, durante uma crise o governo tem de contrabalançar uma queda na «demanda agregada» aumentando os gastos. Com isso, o gover-no dos EUA optou por incorrer em gastos deficitários e em políticas monetárias extremamente expansionistas, tudo com o intuito de «revitalizar» a economia.  Talvez um dos efeitos benéficos do euro tenha sido o de empurrar toda a UME rumo ao caminho da austeridade. Com efeito, certa vez argumentei que uma moeda única seria um passo na direção correta, dado que ela iguala as taxas de câmbio entre todos os países da Europa, acabando assim com o nacionalismo monetário e com o caos das taxas de câmbio flutuantes manipuladas pelos governos — principalmente em épocas de crise.

Meu caro colega Philipp Bagus, entretanto, desafiou-me em relação a essa minha visão positiva sobre o euro. E isso desde a época em que ele era meu aluno. Ele corretamente apontou as vantagens da competição entre moedas. Seu livro A Tragédia do Euro pode ser lido como uma elaborada exposição de seus argumentos contra o euro. Ao passo que, do ponto de vista teórico, uma moeda única extingue o nacionalismo monetário na Europa, a questão permanece: quão estável é na realidade a moeda única?

Bagus lida com essa questão por dois ângulos, fornecendo ao mesmo tempo as duas principais façanhas e contribuições do livro: uma análise histórica das origens do euro e uma análise teórica do funcionamento e dos mecanismos do sistema do euro.  Ambas as análises apontam para a mesma direção. Na análise histórica, Bagus lida com as origens do euro e do Banco Central Europeu, mostrando como os interesses dos governos nacionais, dos políticos e dos banqueiros foram fundamentais no processo de implementação da moeda única.

Considerando os interesses políticos, a dinâmica e as circunstâncias que levaram à introdução do euro, torna-se claro que o euro pode de fato ser um passo na direção errada; um passo em direção a uma moeda pan-européia, de curso forçado e inflacionária, com o objetivo de abolir os limites que a concorrência e a política monetária conservadora do Bundesbank haviam imposto antes. A análise teórica de Bagus deixa o propósito inflacionário do eurossistema ainda mais claro.  No livro, o eurossistema (formado pelo Banco Central europeu e pelos bancos centrais dos diversos países membros da zona do euro) é exposto como um arranjo autodestrutivo que gera uma maciça redistribuição de riqueza por toda a UME, com incentivos para que os vários governos nacionais recorram ao BCE como forma de financiar seus déficits. 

Ele mostra como o conceito de Tragédia dos Comuns, que eu já apliquei para o caso do sistema bancário de reservas fracionárias, é também aplicável para o eurossistema, uma vez que diferentes governos europeus podem explorar o valor da moeda única. 

É uma grande notícia saber que este livro está sendo disponibilizado ao público pelo Mises Institute (e pela Vide Editorial, no Brasil). O futuro da Europa e do mundo depende de uma ampla compreensão sobre teoria monetária e sobre o funcionamento das instituições monetárias.  Este livro provê poderosas ferramentas que ajudam no entendimento da história do euro e de seu perverso arranjo institucional. Torçamos para que ele possa também mudar a mentalidade das pessoas, mostrando a importância de um sistema monetário sólido tanto na Europa quanto em todo o mundo.

Ficha técnica:

  • Título: A Tragédia do Euro
  • Editora: VIDE Editorial (www.videeditorial.com.br)
  • 267 páginas
  • Tamanho 14 x 21 cm
  • Preço: 35,00


Onde comprar:

www.videeditorial.com.br

www.livraria.seminariodefilosofia.org

www.livrariacultura.com.br

PELA IGUALDADE RACIAL E PELA DEMOCRACIA, O RACISMO TOTALITARISTA

 

STATO FERINO

Publicado por Stato Ferino em maio 15, 2012

O episódio recente envolvendo o cantor Alexandre Pires, o futebolista Neymar, o funkeiro Mc Catra e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, despido do ridículo e do absurdo que o envolvem quase por inteiro, guarda um fundo tenebroso, aqui já denunciado à exaustão: a tendência ideológica patentemente totalitária (e agora mais que nunca coativa) que certos conjuntos de entes, grupos de pessoas e malhas de valores ostentam cada vez mais em nosso País. A respeito, vai aqui notícia veiculada pela grande mídia eletrônica.

Um brevíssimo relatório do ocorrido: a dita Secretaria (certamente imprescindível ao bem comum da nação) ofereceu denúncia ao Ministério Público Estadual mineiro contra o cantor Alexandre Pires, autor de vídeo comercial supostamente racista e machista.

Antes de adentrarmos no problema, façamos brevíssimas reflexões genéricas a respeito de alguns valores dos quais qualquer estado democrático de direito se arroga defensor. Trata-se de um simples estabelecimento de parâmetros para aferir o cabimento ou não de tal atitude do órgão estatal.

O falecido Norberto Bobbio, pensador honesto e homem declaradamente de esquerda, pontuou que “Nada ameaça mais matar a democracia que o excesso de democracia.” O jurista torinense chega a essa conclusão em sua obra o  “O Futuro da Democracia”, (o excerto está na pg. 26, 6a Ed., Paz e Terra), coletênea de ensaios cujo tema central é autoevidente, a partir do próprio título que leva.

Referindo-se às “promessas não cumpridas” pela democracia, feitas por seus pioneiros fautores modernos, o professor atinge outra conclusão inafastável: a de que muitas das tais promessas são e sempre serão simplesmente impraticáveis diante da (sempre ela) complexidade do real. Simplesmente não cabem logicamente na “matéria bruta” da realidade, oposta aos ideais reiteradamente ventilados pela fluidez que permeia mesmo a mais rigorosa das teorias. São, em síntese, eternas promessas desde que vieram ao mundo.

A maior delas, vê-se com facilidade, é a efetivação prática da “vontade geral” idealmente configurada por Rousseau. Tal categoria política, moldada nas bases monocráticas do poder principesco, seria o único estado de coisas que permitiria a qualquer coletividade política, bem como a seus integrantes, que vivessem sob regras autonomamente concebidas e aplicadas. Vale dizer, apenas com o império absoluto da “vontade geral” é que o corpo político organicamente legislaria sobre si mesmo, observado um esquema de poder em que se faz extirpada mesmo a mínima distância entre governantes e governados, e bem assim extintas as facetas ascendente e descendente do poder político.

Logo e bem se nota a razão da frase transcrita acima. Afinal, considerada apenas a esfera política, sempre haverá heteronomia enquanto ainda houver dissenso, por mais exigentemente democrático que se queira um qualquer regime. De outra banda, é ainda mais certo que nem tudo é política. E mais certo ainda que nem deve ser. Não se pode cogitar que algum dia eliminem-se por completo todos os múltiplos centros de poder dispersos (família, escola, igreja, associações, sindicatos, empresas, etc.), que ademais não oferecem quaisquer danos à evolução democrática. Evolução que, afinal, imprescinde do respeito ao plural, seja ele apenas disperso, seja, além disso, explicitamente divergente.

Pouco mais à frente, na mesma obra, Bobbio pondera que  (pg. 42), “(…) o cidadão total nada mais é que a outra face igualmente ameaçadora do estado total. Não por acaso a democracia rousseauniana foi frequentemente interpretada como democracia totalitária, em polêmica com a democracia liberal. O cidadão total e o estado total são faces da mesma moeda (…) têm em comum o mesmo princípio: que tudo é política”.

(Parêntese para grifar como é, já a esta altura, evidente que os doutíssimos aspones da tal Secretaria concordam plenamente com isso; respeito ao não-estatal, à pluralidade, à heteronomia, ao não-totalitarismo, e enfim… alguns dos valores que eles cultivam com zelo maternal.)

Genericamente, portanto, podemos dizer que o extrato desses raciocínos, tomados em conjunto, é algo como o seguinte: o sucesso da democracia, embora trate-se ela de um regime essencialmente procedimental, não diz respeito somente ao “como” (procedimento) e ao “quem” (competência) governa, mas também ao “que” e, principalmente, ao “quanto” se governa.

No que atine ao caso, é o que tínhamos de dizer a respeito da política (e da não-polótica) em sua generalidade. Ponhamos em conta agora, despidos de qualquer juízo de valor, os fatos que geraram a polêmica mencionada acima.

Pois bem. Três homens, todos indiscutivelmente vitoriosos naquilo que fazem, participam de um comercial. Este comercial é um pequeno vídeo em que, parodiando o filme King Kong, os três personagens invadem uma mansão, todos fantasiados de gorila. Na mansão tem curso uma festa repleta mulheres muito atraentes, todas em trajes de banho. Os invasores aproveitam a algazarra, enfim, dançam com as garotas, cantam uma música, etc. Fim do videocomercial, e ponto.

É o que se deu, e qualquer pessoa com o mínimo de saúde moral e política, ou que ao menos tenha aprendido a respeitar os outros, pararia por aí. Não há mais nada que dizer, nada mais natural: três celebridades participam de um comercial bem-humorado que se refere a um filme clássico do cinema. É o quanto, respectivamente, têm em comum os personagens do anúncio, e o motivo do enredo escolhido para o mesmo. A idéia do político, bem como qualquer intenção ou sentimento de ódio a ele relacionável, sequer resvalam a situação.

Como dissemos, todavia, isto é óbvio apenas para “qualquer pessoa com o mínimo de saúde moral e política, ou que, ao menos, tenha aprendido a respeitar os outros (…)”. Não é o caso dos agentes da Secretaria da Igualdade Racial. Os funcionários (se é que podem ser designados assim) de dito órgão rotularam como “racista” e “sexista” o videocomercial. Com ares de quem passa pito, dizem eles, do alto de suas próprias intranquilidades morais e de suas mentalidades apodrecidas, que as fantasias de gorila aludem à etnia dos personagens envolvidos (os três são negros), e não ao filme. E dizem que as mulheres, ali em trajes de banho, são tratadas como “objetos”, feitas “submissas”.

Ao invés de um comercial bem-humorado, ali viram uma questão de resguardo da paz pública: enfiaram o estado (pra variar) onde ele não cabe. Ao invés de  identificarem os personagens do vídeo pelo sucesso que fazem (ou mesmo, e mais importante, por serem todos seres humanos), nivelaram-nos pela cor de suas peles. Ao invés de aceitarem que a mulher é sim, entre outras tantas coisas, objeto de desejo, ostentaram essa condição natural como se do fim dos tempos se tratasse um comercial em que algumas modelos dançam de biquíni.

Dizem que o palavrão não é adequado em textos deste jaez, mas não há outra via para designar os membros da tal Secretaria com o mínimo de fidelidade. São, obviamente, imbecis, criminosos, (já que falsamente imputaram crime a  outrem, crime esse aliás  imprescritível), doentes políticos, morais e mentais..

Nenhuma pessoa que se creia igual às demais e que viva em paz com o que escapa à política da maioria, isto é (e especificamente no caso), qualquer pessoa que não seja racista como (eles sim) racistas são os membros da tal Secretaria, e que encare o natural e o não-político como se deve, ou seja, com naturalidade e sem politicicade, enfim, esta pessoa normal, ética e politicamente sã, jamais sequer teria sua mente tangenciada por ideias odientas, segregacionistas, racistas e sexistas, que prontamente permearam os gigantescos vácuos das cabeças de nossos doutos aspones.

Não descartamos, é claro, que possa ser também um simples caso de falta do que fazer. Hipótese aliás em nada incompreensível já que falamos dessa quase-pasta, tão inútil e absurda quanto tantas outras que inflam a máquina do partidão e esvaem o bolso do contribuinte.

Por fim, já começamos com Bobbio, terminaremos com ele.

Na mesma obra supracitada, pg. 62, diz o jurista e politólogo que “(…) para que exista um regime democrático não é necessário um consenso unânime, como pretendem que exista pelo amor ou pela força os regimes de democracia totalitária, os quais (…), ao invés de deixarem aos que pensam diversamente o direito de oposição, querem reeducá-los para que se tornem súditos fiéis.” Inquirindo logo à frente: “Mas que coisa fazemos destes dissentâneos? (…) Devemos suprimi-los ou os deixamos sobreviver? e se os deixamos sobreviver, os aprisionamos ou deixamos circular, os amordaçamos ou os deixamos falar, os expulsamos como réprobos ou os mantemos entre nós?”

Em bom português, para os perturbados chancelatários da tal Secretaria: nós, que graças a Deus nada temos que ver com vocês para a quase total maioria dos assuntos, gostamos de preto e de branco, e achamos que não só devem ser tratados como iguais, mas que de fato são iguais; achamos graça em gente (gente, entenderam?) que se veste de macaco, e que dança vestida de macaco; gostamos de mulher de biquíni, e não achamos que dê pra fazer com que não gostemos.

Em suma: nosso “quanto” de democracia não é “tudo”, e sim “uma coisa ou outra”. E se até nas situações mais despretenciosas, como num comercial desse tipo, a mentalidade desses doentes se volta para figurasa como racismo e machismo (ou para qualquer um desses “ismos” que querem enfiar a política em tudo), a nossa não é assim.

Pobre Alexandre Pires, que tem de dar explicações quase suplicantes a esses digníssimos bandidos. Se vivêssemos em tempos e/ou lugares mais justos, eles sim é que veriam bem mais que de perto a longa trolha da equidade, e não ostentariam como armas exclusivamente suas estas imundícies de nosso porco direito.

O núcleo desse texto é o seguinte: racistas eles, machistas eles, totalitaristas eles. Mesmo por que, de resto, sabemos muito bem de que gente se trata, e de onde é que ela vem.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Demolindo Otávio de Ramalho

 

OLAVO DE CARVALHO

Olavo de Carvalho
Mídia Sem Máscara, 4 de maio de 2012

O sr. Rodrigo Constantino, que estreou no teatro do mundo, uns anos atrás, invadindo comunidades no Orkut (especialmente as minhas) para ali meter à força mensagens em apoio dele mesmo assinadas com nomes imaginários, diz que, ao mencioná-lo en passant nos meus programas de rádio, estou mendigando a sua atenção. Dois dias depois de colocada essa declaração noYoutube, ela tinha 250 visitantes. Bastou aparecerem dois artigos contra ela no Mídia Sem Máscara, e horas depois as visitações tinham subido para 3.763. Quem escreve uma coluna intitulada “Mundo às Avessas” é o dr. Emir Sader, mas em matéria de inversão o sr. Constantino não fica atrás: no universo dele, foi a formiguinha que mandou o elefante baixar as calcinhas.

Algumas das inversões em que ele incorre, no entanto, são menos cômicas do que alarmantes. Ele assegura que descer das suas altas cogitações para prestar atenção ao que digo é um desperdício dos seus talentos, ao qual só se entrega, de má vontade e por brevíssimos instantes, quanto forçado a isso pela minha mórbida insistência. Mas, ao mesmo tempo, informa estar escrevendo um romance que tem entre seus personagens... a minha pessoa. Aparecendo ali sob o nome “Otávio de Ramalho”, sou um religioso hipócrita, um falso profeta que se dá muito mal e acaba sendo socorrido por outro personagem, encarnação, é claro, do próprio sr. Constantino.

A confissão apareceu numa conversa entre o sr. Constantino e seu leitor Eduardo Ribeiro no Facebook, dia 26 de abril (https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=314756478593697&id=100000289514686):

Eduardo Ribeiro: Existe alguma possibilidade de reconciliação entre vocês, Rodrigo?

Rodrigo Constantino: Só na ficção. Devo lançar meu livro novo, um primeiro romance, onde há um personagem religioso chamado Otávio de Ramalho... Ele quebra a cara, claro, mas o personagem principal estende a mão para ele.

Conjeturar motivações neuróticas inconscientes na conduta alheia é algo que se deve evitar o quanto possível, só recorrendo a tão extremo expediente quando a conduta em questão é demasiado incongruente para poder ser explicada por qualquer intuito racional. É precisamente esse o caso. Como é possível alguém deixar sua imaginação ser tão vivamente afetada, seu mundo interior ser tão vastamente ocupado por outro indivíduo ao ponto de querer exorcisá-lo mediante uma criação literária, e ao mesmo tempo, em público, fazer de conta que jamais pensa nesse indivíduo, que o considera insignificante demais para merecer um minuto de atenção? A intensidade da experiência interior contrasta aí de tal modo com a afetação pública de indiferença, que é impossível deixar de enxergar nessa conduta o sinal de um conflito pessoal muitíssimo mal camuflado.

Uma breve análise mostrará a complexidade do problema.

Que alguém aspire a provar sua superioridade moral imaginando o adversário em desgraça e colocando a si próprio no papel da mão generosa que ao mesmo tempo o socorre e humilha, já é uma fantasia pueril de onipotência que uma pessoa normal só vivenciaria, se chegasse a tanto, por um breve momento, desvencilhando-se dela em seguida com um sorriso de auto-ironia, e esquecendo-a para sempre.

Se, porém, a fantasia se torna tão recorrente e obsessiva que já não se satisfaz em expressar-se no recinto modesto da fantasia privada, mas tem de exteriorizar-se em criação romanesca, então é óbvio que se trata de um sintoma neurótico inquietante -- um mecanismo imaginário de compensação de um insuportável sentimento de inferioridade. Tão insuportável que tem de ser camuflado em público mediante a ostentação forçada de indiferença, por sua vez desmascarada logo em seguida pela confissão da fantasia literária.

É fato amplamente reconhecido na psicologia da criação literária que os escritores de ficção tomam como material de base os fantasmas que povoam as suas obsessões interiores. Com toda a evidência, ocupo um lugar considerável no espaço interior do sr. Constantino, certamente maior do que concedo a ele (e talvez até a mim mesmo) no meu. Escrevendo, ele busca domar o fantasma, primeiro levando-o à derrota e ao fracasso, depois montando a cena triunfal em que Constantino, o magnânimo, estende a mão de ateu generoso ao hipócrita desmoralizado. No entanto, o esforço mesmo de elaborar literariamente o personagem leva-o a pensar nele mais e mais, agravando em vez de aplacar a obsessão. Nessas condições, a menor provocação (ser citado de passagem num de meus programas de rádio como autor de um contra-senso lógico) bastou para levar o sr. Constantino a uma explosão de fúria na qual veio a lançar sobre o adversário as acusações mais toscas e fantasiosas (v. adiante). Como a explosão, no entanto, arriscava perigosamente revelar em público a obsessão originária que ele desejaria ocultar, ele precisou recobri-la de uma segunda camuflagem ainda mais postiça, afetando indiferença superior a um objeto de ódio no qual não consegue parar de pensar.

Já vi muita gente ostentar ou fingir recusa de atenção, para se fazer de importante e rebaixar o interlocutor à condição de pedinte. O que é mais raro, e que já sai da esfera da pura hipocrisia para entrar no terreno da simulação neurótica, é alguém usar desse truque e ao mesmo tempo dar com a língua nos dentes, revelando que o tipinho alegadamente indigno da sua atenção lhe remexe os sentimentos e assombra a imaginação ao ponto de fazê-lo perder o equilíbrio emocional.

Desde que apareci no cenário da sua existência, a vida interior do sr. Constantino tornou-se um jogo de esconde-esconde com ele mesmo, caracterizando, sem a menor possibilidade de dúvida, aquele tipo de drama neurótico que, se não for desmascarado logo, arrisca transformar-se em fantasia psicótica.

Se o sr. Constantino já transpôs ou não essa fronteira perigosa é uma pergunta que, tendo em vista o caráter fantástico e alucinatório das acusações que ele me lança no seu vídeo do Youtube, não posso deixar de fazer. Eu não a faria se algo nessas acusações sugerisse a hipótese de mentiras conscientes, maquiavelicamente concebidas para destruir minha reputação. Mas, bem ao contrário, o tom em que as emite indica antes que ele acredita nelas piamente, como quem enxergasse ao vivo, com seus próprios olhos, coisas que nunca existiram nem podem existir.

Com toda a evidência, o Olavo de Carvalho que povoa as fantasias íntimas do sr. Constantino tem pouco a ver com o personagem de carne e osso que tantos conhecem, seja pessoalmente, seja através de seus escritos e aulas.

Cada palavra do sr. Constantino no vídeo que ele colocou noYoutube mostra que ele praticamente nada sabe do que Olavo de Carvalho pensa, escreve e é. Nem jamais procurou investigar nada a respeito. O alvo sobre o qual ele despeja a sua ira é de alto a baixo um personagem imaginário, uma criação de fantasia.

Alguns exemplos bastarão para demonstrá-lo acima de qualquer possibilidade de dúvida.

1. Foro de São Paulo

Segundo o sr. Constantino, criei em torno do Foro de São Paulo toda uma “teoria da conspiração” na qual amplio imaginariamente os poderes dessa entidade ao ponto de descrevê-la como um grupo secreto de meia dúzia de pessoas onipotentes que, a portas fechadas, decidem os destinos... da Nova Ordem Mundial!

Quem quer que tenha lido meus artigos a respeito verá que, exatamente ao contrário, descrevo o Foro como uma vasta entidade de massas, formada por mais de duzentos partidos e organizações, que toma decisões em assembléias plenárias e as publica em atas, em dois idiomas, à vista de todo o mundo.

Mesmo aquilo que pudesse ter havido de mais discreto nas conversações do Foro não permaneceu em segredo por muito tempo, já que o próprio fundador da entidade, o sr. Luís Ignácio Lula da Silva, revelou tudo em dois discursos que pronunciou já na condição de presidente da República e que, longe de ficar secretos por um minuto sequer, foram imediatamente estampados no site oficial da própria Presidência.

Se alguma “conspiração de meia dúzia de pessoas” existiu no caso, não foi do Foro de São Paulo: foi dos diretores de jornais brasileiros que, por medo, por interesse político ou por instinto de proteção paternal para com a esquerda, decidiram nada publicar a respeito e se mantiveram fiéis ao seu voto de silêncio por dezesseis anos.

Para dar às coisas um ar ainda mais demencial, o sr. Constantino imagina que o Foro, no meu entender, decide em segredo não só os rumos da política latino-americana, mas os da Nova Ordem Mundial inteira.

Se eu assim pensasse haveria toda a razão em me chamar de maluco. Na verdade tenho dito e repetido, e meus leitores o sabem de cor e salteado, que, embora nenhuma entidade decida por si os destinos do mundo, os quais dependem de um jogo de forças humanamente incontrolável, existe presentemente uma complexa disputa entre três esquemas de poder global – russo-chinês, islâmico e ocidental – à qual é preciso prestar atenção para compreender alguns dos fatos maiores que se desenrolam no cenário político internacional. O Foro de São Paulo não é nem mesmo visível nessa escala. É um reflexo longínquo, numa área limitada do Terceiro Mundo, de processos globais que provavelmente seus líderes e os participantes das suas assembléias não chegam nem mesmo a compreender.

O mundo conduzido por onipotentes conspiradores secretos fechados numa sala do Foro de São Paulo é, de cabo a rabo, uma criação do próprio sr. Constantino, ou, mais precisamente, de Otávio de Ramalho, que seu criador, após tê-lo inventado, já não consegue mais distinguir da pessoa real que ele diz ter-lhe servido de inspiração remota.

2. Teocracia

O sr. Constantino afirma, com inflamada convicção, que defendo a implantação de um “governo teocrático”.

Ele não pode citar uma única frase minha que comprove, ou mesmo sugira, minha adesão a essa proposta esdrúxula.

Poderia, ao contrário, se desejasse saber o que penso, encontrar várias passagens que apontam a centralização do poder papal, iniciada na Idade Média e consumada no início da modernidade, como uma das causas da decadência da Igreja Católica. O sr. Constantino não enxerga nenhuma contradição entre fazer de mim um apóstolo do governo teocrático e, ao mesmo tempo, um “saudosista da Idade Média”. Isso em si não constitui loucura, apenas ignorância, mas a ignorância da realidade é um componente essencial de qualquer interpretação alucinatória dos fatos. Se algo louvei um dia na sociedade medieval foi justamente a diversidade, a pluralidade de poderes autônomos que na ordem feudal asseguravam, ao menos regionalmente, uma grande independência ante os poderes centrais – o papado e as monarquias. Ora, como qualquer estudante de História tem a obrigação de saber, e como já expliquei mil vezes nos meus cursos, foi justamente a tentativa insana de instalar na Europa um governo teocrático, a partir do século XI, que desmantelou o sistema feudal e abriu caminho para o advento dos governos absolutistas, cada um deles, a seu modo, com pretensões de representar a autoridade da religião (processo descrito em O Jardim das Aflições, que o sr. Constantino mente ao dizer que leu). Só na cabeça de um completo ignorante pode a Idade Média aparecer como sinônimo de “governo teocrático”. Mas nem todo ignorante usa da sua ignorância como instrumento para criar uma interpretação alucinatória das idéias alheias. Para isto já é preciso alguma loucura.

O sr. Constantino, se tivesse algum interesse em saber o que penso, em vez de inventá-lo à imagem e semelhança de “Otávio de Ramalho”, poderia ter encontrado também este parágrafo, que publiquei já em 1998 na “Fórmula da minha composição ideológica” (http://www.olavodecarvalho.org/textos/compideo.htm):

“Acredito que há princípios morais universais, permanentes, que a inteligência discerne por baixo da variação acidental das normas e costumes, e acredito, enfim, que há o certo e o errado. Mas, por isso mesmo, impor o certo é errado, a não ser em caso de vida ou morte. A autoridade religiosa deve se limitar a ensinar o certo, com toda a paciência, sem tentar expulsar o pecado do mundo à força. E se nem os religiosos, que por sua dedicação à vida interior têm autoridade para falar dessas coisas, devem impor regras morais à força, muito menos deve fazê-lo o Estado, que afinal não passa de uma gerência administrativa, a coisa mais mundana e prosaica que existe. As leis devem fundar-se apenas em considerações práticas de ordem, segurança e interesse coletivo, muito corriqueiras, e jamais em motivos pretensamente elevados de ética, que terminam por fazer da burocracia estatal um novo clero, e do Código Penal um novo Decálogo. A coisa mais nojenta que existe é a metafísica estatal.”

Pode haver uma expressão mais clara de oposição radical a toda veleidade de governo teocrático? Pergunto eu que regime teocrático seria concebível sem o poder estatal de ditar normas morais, esvaziando a religião, aliás, de uma de suas missões específicas mais importantes. O curso inteiro de Ética que proferi na Pontifícia Universidade Católica do Paraná em 2003 foi uma longa apologia do aprendizado da moral por experiência, o que implica a liberdade individual de tentar e errar, proibida, por definição, em qualquer Estado teocrático ou simplesmente moralista.

Quando digo que uma norma moral só deve ser imposta pelo Estado “em caso de vida ou morte”, é evidente que a proibição do aborto se inclui nessa categoria. Na imaginação do sr. Constantino isso basta para fazer de mim um adepto do Estado teocrático, mas nesse caso será preciso admitir que o Estado brasileiro, tal como definido na Constituição de 1988 e nas anteriores, já é teocrático, uma vez que proíbe o aborto como um crime contra a vida humana.

Talvez o sr. Otávio de Ramalho seja realmente um teocrata. Não sei, porque não o conheço. Mas a hipótese de que eu o seja também é tão despropositada, tão estranha e hostil a tudo o que escrevi e ensinei, que só pode ter sido calcada no modelo dele, não em algo que eu tenha jamais dito ou pensado.

3. A seita

O sr. Constantino, espumando de indignação, acusa-me de ser um desses pseudo-gurus da Nova Era, um “chefe de seita” rodeado de discípulos fanatizados e servis que me oferecem, além da obediência canina, toda sorte de louvores e rapapés para satisfazer à minha vaidade insana.

Tempos atrás, com o projeto de escrever um livro que nunca terminei, mas de cujos rascunhos utilizei uns pedaços em O Jardim das Aflições, estudei bastante o fenômeno das seitas – Rajneesh, Moon, Love Family e similares – para ter uma idéia de como funcionam e de como conseguem reduzir pessoas normais e saudáveis ao estado de apatetada passividade mental e veneração idolátrica do mestre, que o sr. Constantino atribui aos meus alunos.

Mais recentemente, estudei o caso dos Legionários de Cristo, organização sui generis porque se constituiu não fora a à margem das religiões tradicionais, mas no seio mesmo da Igreja Católica (fato que basta para explicar por que passou despercebida por tanto tempo).

No esforço de coletar material, tornei-me até mesmo membro da International Cultic Studies Association (ICSA), a maior instituição científica destinada ao estudo do fenômeno das seitas.

Não sou, pois, um principiante na matéria.

Em absolutamente todos os casos estudados na bibliografia a respeito, sem qualquer exceção, a técnica empregada pelos chefes de seitas para produzir nos seus discípulos o estado mórbido acima aludido inclui os seguintes itens:

1) Os discípulos são fisicamente separados de seus ambientes familiares e sociais de origem e levados para morar em instalações especiais (como ashrams ou monastérios) onde convivem tão-somente com o guru e seus auxiliares.

2) Nesses locais de residência, são sistematicamente desprovidos de toda privacidade e forçados a viver num ambiente de promiscuidade psicológica (às vezes também física) que destrói neles todo senso de autonomia individual.

3) São submetidos à prática constante e repetida de complexos rituais coletivos e exercícios psicológicos que afetam sua imaginação e suas emoções para além de tudo quanto possam compreender racionalmente.

4) São levados a sentir-se comprometidos para com o grupo e o chefe por meio de juramentos de fidelidade e segredo, bem como submetidos a humilhantes rituais de acusação e autocrítica em caso de desobediência.

Em muitos casos, mas não em todos, o impacto desse conjunto de técnicas é reforçado por medidas especiais, como privação alimentar e dietas debilitantes, ingestão de drogas, sexo grupal etc.

Nos meus cursos, não tenho contato nenhum com meus alunos exceto as aulas expositivas que profiro aos sábados, porinternet. A maior parte deles nunca vi em pessoa e não tenho sequer um arquivo com as fotos dos estudantes matriculados. Não tenho um corpo de auxiliares para fiscalizar a conduta dos alunos, que continuam vivendo em seus ambientes sociais longe de qualquer possibilidade ou pretensão minha de controlá-los ou fiscalizá-los. Não praticamos rituais nem exercícios psicológicos de espécie alguma.

Como posso então exercer sobre eles o tipo de domínio que caracteriza um “chefe de seita”? Ou inventei algum tipo de técnica mágica, que me permite controlar à distância e por meio de simples conferências semanais a conduta de pessoas que nunca vi nem sei quem são, ou então o sr. Constantino é que está vendo coisas.

Mais caracteristicamente ainda, todas as seitas conhecidas envolvem sua atividade numa aura de segredo, mantida à força de juramentos de fidelidade e só rompida, quando vem a sê-lo, longos anos depois, quando algum ex-discípulo resolve contar o que se passou ou algum repórter investigativo consegue furar a barreira de silêncio e descobrir o que se passa entre os muros doashram.

Minha atividade, ao contrário, é toda pública, seja através de artigos e livros, seja através dos meus programas de rádio ou de cursos abertos a quem deseje freqüentá-los. Não só não há juramentos de fidelidade e segredo, como não há nenhuma proibição de revelar o que quer que seja. Há, no máximo, um pedido para que os alunos evitem se envolver em discussões nainternet enquanto não tiverem completado os seus estudos de filosofia, calculados para uma duração de cinco anos. Não há qualquer punição para quem falhe em atender esse pedido, como de fato centenas de meus alunos falham regularmente. Há, ademais, uma multidão de ex-alunos que escrevem a meu respeito, a favor ou contra, embora o simples fato de a maioria escrever a favor baste para que o sr. Constantino a considere composta de teleguiados, vítimas de lavagem cerebral, adoradores fanáticos e coisas do gênero.

Em suma, a diferença entre o que se passa nos meus cursos e em qualquer organização do tipo “seita” é tão patente, tão imensurável, que o simples desejo de denegrir não basta para que um crítico em seu juízo perfeito se esquive de enxergá-la e saia proclamando bobagens que a mais breve inspeção desmente.

Para acreditar que sou um chefe de seita, dominador psíquico imperando sobre milhares de zumbis teleguiados, é preciso jamais ter assistido às minhas aulas e, em vez disso, inventá-las no laboratório de uma imaginação doentia.

4. O astrólogo embusteiro

O sr. Constantino chama-me de “astrólogo embusteiro do tipo Walter Mercado”.

Os trabalhos que publiquei e os cursos que proferi sobre matéria astrológica diferem tanto, situam-me a tão imensurável distância não só dos vulgares astrólogos de mídia, mas também até mesmo dos astrólogos profissionais mais “técnicos” – aqueles que não fazem previsões genéricas para os signos, mas só trabalham com base em horóscopos individuais calculados para o instante do nascimento –, que o sr. Constantino, para me igualar ao supracitado personagem, tem de ignorar por completo tudo o que escrevi e disse a respeito, e inventar-me de novo na base da pura criatividade alucinatória.

Aqui, novamente, ele fala de Otávio de Ramalho e pensa estar falando de Olavo de Carvalho.

Para não me estender em explicações, desnecessárias por demasiado óbvias, reproduzo em apêndice dois escritos meus já antigos, mas bem divulgados na época, nos quais resumo minhas opiniões, até hoje inalteradas em essência, sobre a questão astrológica.

Os leitores farão as comparações necessárias e dirão por si mesmos se é possível, se é razoável, se é normal e são, a alguém que tenha lido esses ou outros escritos meus a respeito do tema, conceber-me segundo o molde e semelhança do sr. Walter Mercado ou tipo similar.

5. O destruidor da direita

O sr. Constantino diz que a direita no Brasil está mal por causa de pessoas como eu. Vejamos se isso é possível, se é mesmo concebível como hipótese.

No Brasil só há dois partidos “de direita”: o DEM e o PP. Algum deles segue a minha orientação, ouve os meus conselhos, presta ao menos alguma atenção ao que digo? Não. Quando não permanecem num estado de total abstinência ideológica, temendo as definições como se fossem promessas de morte certa, abrem-se, na mais ousada das hipóteses, à influência dos “liberais”, como o próprio sr. Rodrigo Constantino. Que se encontrem num estado de debilitação extrema, às portas da extinção, é portanto algo pelo qual sou tão responsável quanto pela explosão de Chernobyl. Já o sr. Constantino não pode dizer o mesmo.

Há também entidades não partidárias, que pretendem influir na política de maneira indireta, ideologicamente. Algumas denominam-se “liberais”:

· Instituto Millenium

· Instituto Atlântico

· Instituto de Cultura da Cidadania

· Instituto Mises Brasil

· Instituto de Estudos Empresariais

· Instituto Liberal

· Instituto Liberdade

· Instituto Ling.

Na primeira, sou, por motivos que não vêm ao caso, persona non grata. A segunda, a terceira e a quarta me ignoram solenemente, como eu as ignoro. Nas últimas quatro fui bem recebido em tempos remotos, mas nunca deram o menor sinal de ter sido afetadas, no mais mínimo que fosse, por qualquer idéia ou proposta minha. Tanto estas quanto as quatro primeiras seguem a mesma fórmula liberal mínima (democracia e liberdade de mercado), com a qual concordo em tese, mas que sempre considerei demasiado fraca para embasar qualquer ação política eficiente, ou até para distingui-las suficientemente do PT ante os olhos do povo. Na esfera cultural, as oito são alheias, indiferentes ou até simpáticas às propostas da esquerda, como abortismo, gayzismo e liberação das drogas. São também entusiastas da globalização, porque a entendem somente como abertura de fronteiras comerciais e culturais, sem querer perceber o risco de uma ditadura burocrática mundial que essa abertura traz consigo incontornavelmente. Em suma: pensam como o sr. Rodrigo Constantino, não como eu.

Dentre essas entidades, a mais poderosa e influente é, por ironia, aquela na qual o sr. Constantino exerce um cargo e é ouvido, não digo com admiração, mas ao menos com a ternura paternal de quem espera, cruzando os dedos, que um dia ele venha a ser alguma coisa. Essa entidade foi fundada com verbas consideráveis e apoio institucional maciço. Tem mais figurões da política, das finanças e da mídia elegante na sua Diretoria e no seu Conselho do que qualquer outra entidade do gênero jamais teve no Brasil. Nascida em berço de ouro, apareceu trombeteando as mais promissoras esperanças de uma renovação triunfal da direita no Brasil. Decorridos sete anos, a direita já nem mesmo existe. E, enquanto os partidos pertencentes ao Foro de São Paulo dominam tranqüilamente o espaço em volta, ali ainda parece predominar a opinião do sr. Constantino, de que falar do Foro de São Paulo é “teoria da conspiração”. Que perigo pode representar, para a esquerda, uma assembléia de socialites que, ciosos das boas aparências, da sua imagem de pessoas polidas, elegantes e “equilibradas”, têm medo até de dizer o nome do inimigo? Não espanta que, numa grande mídia esquerdista, essa instituição e o próprio sr. Constantino sejam aceitos como representantes típicos da direita respeitável. O pior é que eles próprios lêem isso e, lisonjeados, acreditam. Murray Rothbard – o liberal dos liberais – já advertia que não há perigo maior para um liberal do que o desejo de ser respeitado pela Mídia Respeitável. Quando o sr. Constantino se gaba de representar a “direita decente”, ele encarna em pessoa uma das causas do mal que me imputa.

Há também as entidades religiosas, ou associadas de algum modo à religião. Estas apreciam o meu combate contra as propostas culturais da esquerda, mas divergem de mim ou antipatizam com a minha pessoa sob tantos outros aspectos e com tamanha variedade de pretextos, que nenhuma proximidade ou colaboração entre nós é possível, nem mesmo numa esfera puramente intelectual. Algumas, católicas, rejeitam como à peste o liberalismo econômico e político, que para mim é uma condição indispensável, embora parcial e ambígua, da resistência ao totalitarismo revolucionário. Outras não querem ter seus nomes associados ao meu porque abominam toda independência de pensamento e concebem a sua pusilanimidade intelectual como uma virtude cristã. Outras, por fim, católicas ou evangélicas, têm contra mim toda sorte de prevenções supersticiosas, desde a suspeita de que sou um “gnóstico” (coisa da qual têm uma concepção entre mitológica e ginasiana) até o fato de que digo palavrões, o que nos seus sacrossantos recintos ninguém nunca faz, sendo todos os seus membros, nesse quesito, mais santos que S. Bernardo de Clairvaux, S. Thomas More e S. Francisco de Assis.

A única “direita” sobre a qual posso ter exercido alguma influência é portanto a massa anônima e inorgânica dos meus leitores, ouvintes e alunos – ou seja, aqueles brasileiros tipicamente separados por distâncias enormes, socialmente isolados, desprovidos de qualquer canal de ação política, desamparados e órfãos aos quais a direita “liberal” e a “conservadora”, igualmente, nada tem tido a dizer desde há muitos anos.

Esses me ouvem, no mínimo, porque ninguém mais fala com eles ou, quando fala, só lhes desperta bocejos, quando não tristeza e desesperança.

Como essa direita dispersa e muda não é uma organização, nem atua politicamente, nem aliás ambiciona fazê-lo, não pode estar em crise nem em decadência como as direitas institucionalizadas, seja as que dão ouvidos ao sr. Constantino, seja as que os negam a mim, seja as que fazem ambas essas duas sapientíssimas coisas.

6. Porta-voz de quem?

Se existe pena de amor perdida, é a ênfase que o sr. Constantino põe em declarar alto e bom som que não sou um porta-voz legítimo da direita, que não tenho autoridade para falar em nome dela. Pois já não expliquei mil vezes que nunca falo em nome de ninguém, exceto do meu próprio, que não represento nada nem ninguém exceto a minha pessoa? E não tenho feito disso, ostensivamente, quase obsessivamente, um princípio e regra de ação indispensável à minha independência de julgamento?

Para que negar com tanta veemência meu direito de representar entidades e partidos que não desejo representar de maneira alguma, que aliás, se os representasse, morreria de vergonha?

É patente que, ao negar-me um posto que não desejo ocupar, o sr. Constantino se oferece para preenchê-lo ele próprio, se insinua como o porta-voz legítimo e autorizado da direita nacional.

Também são penas de amor perdidas. Até certo ponto, ele já desempenha esse papel, que ninguém lhe nega. Esse é, aliás, o único motivo que posso ter para mencioná-lo de vez em quando em meus artigos e programas. Pessoalmente, por seus talentos, pelo valor da sua obra escrita e a criatividade dos seus pronunciamentos, o sr. Constantino é um zero à esquerda. É somente o posto que ocupa na rede de organizações “de direita” que lhe dá o direito a alguma atenção da minha parte, atenção aliás inevitável em vista da do meu compromisso jornalístico de analisar o estado mental das classes falantes no Brasil à luz das palavras de seus representantes.

A direita no Brasil é uma entidade em plena decomposição, em estado terminal, cuja última esperança de sobrevivência é cavar um lugarzinho de força auxiliar na implantação do programa cultural da esquerda e, em troca disso, obter algumas concessões paternais do governo na área econômica.

Ninguém personifica esse estado de abjeção melhor que o sr. Constantino. Quem lhe negar o posto de representante típico e até máximo da direita brasileira cometerá uma injustiça revoltante.

É, pois, pura fantasia dele imaginar que tem algo a disputar comigo nesse campo. A paixão, o entusiasmo com que ele se entrega a essa disputa é sinal seguro de que o eixo das suas preocupações passa longe da sua situação real.

***

Cinco anos atrás, o sr. Constantino era apenas um argumentador desastrado, ignorante dos princípios mais elementares da argumentação e da prova, que se tornava ainda mais grotesco por apresentar-se como personificação da “razão” em luta contra o “obscurantismo”.

A passagem do tempo e o sucesso obtido em impor-se como representante de uma facção moribunda excitaram-lhe a veia imaginativa ao ponto de levá-lo a duelar com fantasmas de sua própria invenção, acreditando piamente que, ao humilhá-los, inflige derrota acachapante a alguma pessoa de carne e osso.

Não hesito em conceder ao sr. Constantino a vitória triunfal sobre seu arqui-inimigo Otávio de Ramalho, que jaz a seus pés, desmascarado e humilhado, implorando a caridade de um olhar, de um gesto de perdão, talvez de uns trocados para uma média com pão e manteiga. Não era esse o sonho da sua vida? Pois ei-lo aqui, realizado, sem nem mesmo esperar pela publicação do romance, que talvez não venha a ser concluído jamais, ou cujo enredo, depois de o sr. Constantino ler isto, talvez venha a ser modificado para não dar demasiado na vista.[1]

Apenas advirto que, cedendo com demasiada freqüência à tentação de reforçar por esse meio factício um ego perturbado e vacilante, o sr. Constantino arrisca passar do fingimento neurótico à invencionice psicótica. Como vimos no caso presente, parece que já passou. Não é de estranhar que, em tamanho estado de confusão interior, ele perca até as minguadas capacidades que tinha no começo, e termine incapaz até mesmo de compreender o sentido patente de suas próprias palavras, como expus no artigo “Inocente como um feto”. Aqueles que, em volta, aplaudem e reforçam a sua conduta são aproveitadores inescrupulosos, que se servem da autodestruição psicológica de um ser humano para usá-la como instrumento a serviço de seus interesses grupais ou – que seja – de seus projetos políticos.

Richmond, VA, 2 de maio de 2012

Apêndices

Como esse espírito eminentemente idôneo, ilustrado e confiável que é o sr. Rodrigo Constantino andou alertando os incautos quanto aos riscos que correm quando se expõem à minha influência nefasta de astrólogo embusteiro e chefe de seita, decidi reproduzir aqui dois escritos meus, já antigos, sobre o tema da astrologia, que ilustram o fanatismo cego, o fundamentalismo religioso barbaramente anticientífico dos ensinamentos com que impus a gerações de jovens inocentes o culto idolátrico da minha linda personalidade.

1. O debate que entrou em órbita

Ao longo das últimas décadas, a astrologia tornou-se um sucedâneo de religião para as massas de classe média e umhobby “espiritual” para os letrados. Montada na onda do novo paradigma que alguns teóricos reclamam para a ciência no século XXI, ela ganhou mesmo ares de respeitabilidade em muitos círculos acadêmicos. Nada parece deter sua ascensão. Até as reações hostis de alguns religiosos e homens de ciência apenas aumentam sua popularidade. No mínimo, o que é objeto de debate é objeto de atenção.

No entanto, os debates, na sua quase totalidade, têm se limitado aos aspectos mais vistosos e periféricos da questão astrológica, sem fazerem avançar um passo sequer o esforço para responder às perguntas que constituem, ou deveriam constituir, o miolo do problema: existe, objetivamente, uma relação entre os movimentos dos astros no céu e o desenrolar da vida humana na Terra? Se existe, qual a sua natureza e o seu alcance? Quais as causas que a determinam? Quais as possibilidade e os meios de conhecê-la cientificamente?

Em vez de enfrentar essas perguntas, os adeptos e adversários da astrologia preferem discutir o seguinte tópico: “Astrologia funciona?” O debate toma por foco a astrologia como prática divinatória ou diagnóstica, e deixa de lado a questão das influências astrais propriamente ditas. Aparentemente, nenhum dos partidos em disputa se deu conta de que a existência ou inexistência de influências planetárias sobre a vida humana, de um lado, e de outro a eficácia ou ineficácia da ciência ou pseudociência que se gaba de conhecê-las, são questões perfeitamente distintas, e de que não se pode decidir segunda sem haver antes dado à primeira uma resposta satisfatória. Pois o que define e singulariza a astrologia não é a afirmação genérica de que “existem influência astrais” (a qual pode ser admitida até mesmo por quem odeie astrologia, como Sto. Agostinho, por exemplo), mas sim a pretensão de já possuir um conhecimento cabal de suas manifestações e variedades, ao ponto de poder descrever meticulosamente as diversificações da influência de cada planeta conforme o lugar que ocupe no céu no instante do nascimento de cada indivíduo em particular — sem exceções ou dificuldades notáveis. Bem pode ser, é claro, que esta pretensão seja descabida, maluca mesmo, sem que por isto o fenômeno das influências astrais, em si mesmo e independentemente das interpretações que os astrólogos lhe dêem, deva ser considerado inexistente.

Por óbvia que seja essa advertência, os protagonistas do debate astrológico têm preferido omiti-la, confundindo a si mesmos e ao público. Invariavelmente, no calor da polêmica, cada pequeno indício da existência de influências astrais é tomado como argumento legitimador da prática astrológica existente; de outro lado, cada sinal de ineficácia ou erro dos astrólogos é exibido como prova da irrealidade das influências astrais. Isto em lógica chama-se um non sequitur: tirar à força, de uma premissa, conclusões que dela não se seguem logicamente. Por exemplo, a pesquisa realizada por Michel Gauquelin, na França, que numa revisão de 500 mil horóscopos de nascimento encontrou uma correlação estatística altamente significativa entre grupos profissionais e tipos astrológicos (conforme a posição dos planetas na hora do nascimento), é brandida orgulhosamente pelos astrólogos como prova de que “astrologia funciona” (e não somente de que “existem influências astrais”). Inversa e complementarmente, o físico Shawn Carlson, da Universidade da Califórnia, após ter verificado, em testes estatísticos, a incapacidade de vinte astrólogos para identificarem traços de personalidade com base em horóscopos de nascimento, divulgou esse resultado (na revista Nature) como prova de que “não existem influências astrais” (e não somente de que a astrologia não funciona, pelo menos tal como praticada atualmente). Confusões dessa ordem são a regras geral nos debates sobre astrologia, mesmo quando os debatedores são homens cultos e preparados. Numa recente mesa-redonda na UFRJ, confrontado com um sujeito que, para cúmulo, era professor de metodologia científica, não consegui, por nada deste mundo, fazê-lo compreender a inépcia de uma discussão colocada nesses termos. Com os astrólogos, excetuando uns happy few, não tenho logrado resultados melhores. Coisas desse tipo contribuem para fazer do debate astrológico um sinal particularmente enfático da demência contemporânea. No entanto, a questão das influências astrais, em si, e independentemente da polêmica, é da máxima importância para a nossa civilização em seu estágio presente. Se nos lembrarmos de que a geografia se constituiu e se expandiu rapidamente como ciência a partir do momento em que uma Europa culturalmente unificada partiu para as navegações e a descoberta da Terra, é fácil perceber, por analogia, que a humanidade culturalmente unificada de hoje, ao partir para a exploração do ambiente cósmico em torno, se defronta com a necessidade urgente de um nova colocação do problema das relações entre o cosmos e a vida humana, não somente biológica, mas histórica e psicológica; e este é, precisamente, o tema da astrologia. Este tema sugere, inclusive, a oportunidade de uma recolocação global das relações, ainda hoje obscuras, entre ciências “naturais” e ciências “humana”. A nulidade dos resultados que a astrologia tenha até agora alcançado na sua investigação, com os métodos peculiares e um tanto extravagantes que emprega, não justifica que seu objeto mesmo seja negligenciado. Aliás, não foi a propósito da astrologia que Kepler enunciou seu célebre aviso sobre a criança e a água do banho? Se a astrologia tal como se praticou e se prática hoje é falsa, o que temos de fazer é uma verdadeira, ao invés de proclamar, com uma autoconfiança de avestruz, a inexistência do fenômeno astral sob a alegação de falsidade do que dele se diz. Se os historiadores erram em suas interpretações da Revolução Francesa, ou se os zoólogos eventualmente se equivocam quanto à fisiologia das vacas, isto não constitui motivo suficiente para concluir que a Revolução Francesa não aconteceu e que as vacas não existem. Mesmo na hipótese de que nada se salve da astrologia, mesmo na hipótese de que tudo o que os astrólogos disseram a respeito do fenômeno astral seja rematada besteira, isto não desculpa o desinteresse pela perguntas mesmas às quais a astrologia pretendeu oferecer resposta.

Por tudo isso, é espantoso o contraste entre o baixo nível do debate astrológico hoje em dia e as discussões que seis ou sete séculos atrás os acadêmicos faziam a respeito do mesmo tema. Quanto examinamos as páginas que Sto. Tomás de Aquino, Hugo de S. Vitor, John de Salisbury e outros intelectuais medievais consagraram ao problema astrológico, surpreendemo-nos com o rigor e a serenidade de suas colocações, que constituem um exemplo para nós.

Particularmente Sto. Tomás chegou a desenvolver uma teoria completa das influências astrais, que constitui até hoje uma das mais límpidas colocações do problema e pode servir de marco inicial para as nossas investigações.

Tendo tocado no assunto, de passagem, na Suma Teológica e nos comentários à Física de Aristóteles, ele lhe dá um tratamento sistemático em cinqüenta densas páginas da Suma contra os Gentios (1258). Ele não discute a existência das influências astrais, que no seu tempo era geralmente admitida (mesmo pelos que, em nome da religião, condenavam a prática da astrologia divinatória); esforça-se apenas por definir a sua natureza e precisar o seu alcance. É verdade que sua análise se detém no nível meramente conceptual e lógico, sem entrar no campo da investigação empírica. Mas quem não sabe que sem conceitos claros e uma hipótese condutora a investigação empírica é perda de tempo? O que Sto. Tomás sugere, em essência, é que um corpo não pode exercer nenhuma influência causal sobre o que não seja também corpo; e que, portanto, está excluída a hipótese de que os astros exerçam qualquer influência sobre a psique e o comportamento humano a não ser por intermédio de alterações fisiológicas (ou fisiopatológicas). Ele chega a sugerir que os astros afetem a formação do embrião e que, produzindo assim conformações corporais diversas, acabem por agir como causas remotas do comportamento humano. Os movimentos planetários, diz ele, não influenciam a inteligência e a vontade humanas, mas, atuando sobre os corpos, predispõem a distúrbios passionais que podem obstar a livre operação da inteligência e da vontade.

A tremenda importância dessas observações reside em que elascolocam a questão astrológica na linha de uma investigação científica possível, tirando-a da esfera dos argumentos metafísicos e teológicos sobre determinismo e livre-arbítrio. Mas, passados sete séculos, a lição do grande escolástico ainda não foi assimilada, pois tais argumentos continuam comparecendo invariavelmente em toda discussão sobre o problema astrológico, malgrado sua já demonstrada impertinência e esterilidade.

O tratamento que Tomás deu à questão mostra, ademais, que ela pode e deve ser abordada independentemente de quaisquer reivindicações polêmicas sobre a legitimidade ou ilegitimidade da astrologia enquanto prática. Esta lição também não foi assimilada. Em resumo, no século XII estávamos mais perto de uma colocação racional do problema do que estamos hoje em dia, justamente quando ele se revela mais importante e urgente.

De outro lado, é claro que, se em vez de investigar diretamente o fenômeno astral continuarmos polemizando sobre “a” astrologia, não chegaram a nada. “A” astrologia é um amálgama enorme e confuso de códigos simbólicos, mitos e preceitos empíricos, procedentes de épocas e civilizações diversas, numa variedade que se rebela contra toda tentativa de reduzi-la a um corpo unitário de doutrina. Como pronuciar-nos, de um só golpe, sobre a veracidade ou falsidade de uma massa tão heteróclita? Só a ignorância fanática ou o desejo de aparecer explicam que alguém se disponha a tomar partido num debate que se coloque nesse termos. Mas, se os interessados no debate astrológico estão atrasados de sete séculos em assimilar a lição de Tomás, é que estão atrasados de vinte em assimilar a de Aristóteles, o qual ensinava que, de um sujeito equívoco, nada se pode predicar univocamente. “A” astrologia é muitas coisas. Talvez algumas delas sejam verdadeiras, outras falsas, umas valiosas, outras desprezíveis. Quando essa mixórdia milenar se houver transformado num corpo teórico explícito, à custa de depurações dialéticas e metodológicas como as que Sto. Tomás realizou para um aspecto em particular, então e somente então poderemos debater com proveito sua veracidade ou falsidade.

Até lá, tudo o que podemos fazer é declarar, humildemente, se gostamos dela ou não. Quanto a mim, é claro que gosto.

2. Astrologia e ciência

Conferência proferida no auditório do Palácio Tiradentes (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) por ocasião dos festejos do 10º aniversário da Escola Astroscientia, em 22 de outubro de 1994.

A pergunta “A astrologia é uma ciência?” tem obtido as seguintes respostas:

É uma ciência. Assim respondem os adeptos da chamada “astrologia científica”, como Paul Choisnard e Adolfo Weiss. Esta escola caracteriza-se por julgar que, para a astrologia ter direito ao estatuto de ciência, tudo o que é preciso é tomar as afirmações correntes dos manuais de astrologia e submetê-las a uma verificação estatística, que as confirmará em toda a linha.

É uma pseudociência. É o que dizem alguns dos mais encarniçados adversários da astrologia, recrutados sobretudo entre os astrônomos de profissão. Dentre eles destacam-se, como típicos, o falecido diretor do Observatório de Paris, Paul Couderc, e, no Brasil, o diretor do Observatório do Valongo, Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. As razões que fundamentam esta resposta são muitas — algumas perfeitamente impertinentes, como por exemplo a de que é impossível calcular horóscopos de pessoas nascidas no Polo Norte, ou a de que os signos não coincidem com as constelações; mas algumas pertinentes e razoáveis, como aquelas que se alegam o princípio de falseabilidade de Popper ou os resultados negativos obtidos em testes estatísticos. É importante notar que esta corrente entende como critério de cientificidade da astrologia o mesmo, no fundo, que adotavam Choisnard e Weiss, apenas com a ressalva de que sua aplicação dará resultados negativos.

É um saber revelado, superior à ciência — e como tal, furta-se a todo exame científico na medida em que não pode ser apreendida pelas categorias racionais. Esta resposta é defendida ou presumida, em geral, pelos que abordam a astrologia pelo lado da psicologia junguiana, da mitologia e dos estudos de simbolismo e que ao mesmo tempo têm uma atitude crítica face à ciência contemporânea. O famoso astrólogo Charles E. O. Carter é um deles. É um teosofista. Mas igual atitude encontra-se em René Guénon, temível adversário do teosofismo.

É uma linguagem simbólica e, como todas as linguagens, escapa das categorias do verdadeiro e do falso, podendo ser julgada apenas por sua adequação e expressividade.

É a atitude daqueles que, abordando a astrologia igualmente pelo lado do simbolismo, da mitologia, da psicologia — mas também da antropologia, da sociologia —, tomam no entanto como universalmente válidos os critérios da ciência moderna. É o caso de um Gaston Bachelard, de um Claude Lévi-Strauss e, em geral, da comunidade acadêmica.

Alguns encaram a astrologia como um “corpo de crenças” que não cabe à ciência julgar, mas descrever e compreender em suas estruturas, relacionando-as com as da sociedade humana.

Malgrado suas enormes diferenças e malgrado o fato de que parecem abranger totalmente a gama das alternativas possíveis, todas essas respostas são falsas ou, pelo menos, inadequadas.

A primeira delas — a tese da “astrologia científica” — é falsa pelas seguintes razões:

1. Uma técnica não se torna científica pelo simples fato de empregar, mesmo com sucesso, métodos cientificamente válidos para testar os resultados de sua aplicação. É preciso que ela mesma, no seu conteúdo, nas teorias em que se embasa, tenha caráter científico. Não é o caso da astrologia, que se fundamenta em pressupostos simbólicos que escapam a todo critério de verificabilidade.

2. Uma ciência não se limita a registrar correlações estatisticamente, mas busca uma explicação teórica para os fatos. A idéia de que montanhas de fatos estatisticamente comprovados fazem uma ciência é de um primarismo grosseiro.

3. Mesmo assim, os testes estatísticos relativos à eficácia dos diagnósticos astrológicos têm chegado uniformemente a resultados negativos. Todas as tentativas de correlacionar estatisticamente posições planetárias e traços de personalidade falharam.

4. Não há ciência sem contínua revisão dos pressupostos à luz dos resultados experimentais, e a astrologia tem alguns pressupostos imutáveis e dogmáticos.

Mas aqueles que negam todo estatuto científico à astrologia também estão errados, porque:

1. É impossível saber se um conjunto de teorias é científico ou não sem primeiro reduzir esse conjunto a um sistema, a uma teoria unificada. Nunca se fez isto.

2. Os critérios pelos quais se condena a astrologia dariam resultados negativos também se aplicados a uma multidão de ciências atualmente admitidas como tais, como por exemplo a sociologia, a psicologia, etc.

3. Embora seja um fato que a astrologia não atende ao princípio de falseabilidade de Karl Popper, considerado universalmente um critério válido, também é um fato que, com base no mesmíssimo princípio de Popper, não tem cabimento rejeitar como falso aquilo que escapa ao critério de falseabilidade; e os críticos da astrologia aqui referidos não pretendem apenas que ela seja uma não-ciência, e sim que ela seja falsa. Confundem assim ciência e verdade. Um conhecimento essencialmente verdadeiro e não-científico pode transformar-se em científico mediante simples adaptações lógicas e metodológicas.

A hipótese que subtrai a astrologia ao julgamento científico alegando que ela é um saber revelado também é falsa, porque:

1. Saber revelado e saber científico se distinguem somente por sua origem diversa, mas o critério de validade é o mesmo para ambos, e este critério é científico. Alegar origem revelada é eludir a questão.

2. O saber é revelado divinamente só ao primeiro que o recebe. Este o transmite aos demais por meios humanos, que subentendem o uso da linguagem, da razão, etc.

3. Deus nunca enviou uma revelação sem milagres que a acompanhassem ao longo do tempo, para legitimá-la aos olhos dos crentes. Se os astrólogos são profetas, não devem limitar-se a prever o futuro como vulgares vaticinadores, mas deter o movimento do Sol, separar as águas do Mar Vermelho e curar os leprosos.

4. Um saber revelado não se furta ao teste da verdade por meios científicos. Ao contrário: Todas as grandes religiões sempre submeteram as partes testáveis de sua fé à verificação.

Finalmente, não tem cabimento eludir a questão da veracidade mediante a alegação de que a astrologia é uma linguagem simbólica:

1. Uma linguagem é apenas um sistema de signos e símbolos com os quais se podem expressar muitas idéias. A linguagem em si não pode ser verdadeira ou falsa. O que é verdadeiro ou falso é o conteúdo das idéias que o homem expressa com a ajuda delas, as quais, por sua vez, não constituem um sistema de signos, mas afirmações sobre a realidade, com referência extra-linguística. Se a astrologia é uma linguagem, está fora do domínio do verdadeiro e do falso e nada afirma sobre o real. Ora, a prática astrológica universal consiste precisamente em fazer afirmativas sobre a realidade — sobre o caráter e o destino das pessoas, por exemplo.

2. Das regras de uma linguagem é impossível deduzir o conteúdo do que nela se vai dizer. Se a astrologia é uma linguagem, não é um conhecimento, exceto de si mesma. No entanto, a pretensão de constituir um conhecimento é inerente à prática astrológica, antiga ou moderna, Ocidental ou Oriental.

Essas quatro categorias de respostas resumem o essencial do que foi, no século XX, o debate da questão astrológica. Por elas, fica patente que esse debate não levou a nenhum resultado apreciável, e que, portanto, é necessário recolocar a questão desde suas bases, para tentar chegar a um quinto grupo de respostas, na esperança de que sejam mais consistentes. Começo por rever o sentido dos termos.

Que é propriamente uma ciência? Todo estudioso do assunto sabe que as ciências reais (historicamente existentes) não servem, por si, como fundamento para uma resposta. Por indução, os traços que obteríamos seriam demasiado amplos e frouxos para poder abranger a História, a Antropologia, a Matemática, a Biologia, a Física Teórica, etc. Resta a alternativa husserliana de conceber a ciência como um modelo ideal de conhecimento, do qual se podem deduzir, como diferentes possibilidades de realização, mais perfeitas ou imperfeitas, as ciências que se manifestaram historicamente e ainda outras ciências possíveis.

Esse modelo impõe certas exigências para que um conhecimento possa aproximar-se do ideal científico:

I. Todas as ciências historicamente existentes procuram realizar, por variados meios, um ideal de saber fundamentado, firme, oposto à mera opinião. A definição ideal de ciência implica como condições essenciais:

1. Evidência. O termo “evidência” aqui não significa “o dado” ou “o imediatamente apreendido pelos sentidos”. Significa apenas aquilo que é certo e inegável por si mesmo, não requerendo prova. Mesmo as correntes de pensamento que não aceitam nenhum tipo de intuição do dado fundam-se em alguns princípios tomados como evidentes ou ao menos convencionalmente colocados fora de toda discussão. Esses pontos de partida são indispensáveis em toda ciência, e é inconcebível uma ciência que presuma poder prosseguir indefinidamente suas investigações sem referi-las a um ponto de partida.

2. Prova.

3. Nexo evidência-prova.

4. Caráter evidente (e não provado) do nexo mesmo.

II. Como condições existenciais, a ciência requer:

1. Repetibilidade do ato intuitivo referido à “mesma” essência.

2. Repetibilidade do fenômeno cuja essência é intuída.

3. Registro.

4. Transmissibilidade.

III. Esse ideal foi realizado, historicamente, segundo modalidades variadas, calcadas nas ciências que casualmente obtivessem maior sucesso no momento.

1. Geometria (séc. IV a. C.)

2. Biologia [ classificação ] (séc. VI em diante: influência aristotélica tardia).

3. Dialética e Lógica (séc. XII em diante).

4. Matemáticas (séc. XV em diante).

5. Física mecanicista (séc. XVII em diante).

6. Biologia e medicina experimental (séc. XIX). Ao mesmo tempo: História.

7. Física matemática, lógica matemática, linguística, informática e neurobiologia (séc. XX).

IV. A astrologia pode tentar em vão copiar o modelo de alguma delas ou, ao contrário, procurar constituir-se como ciência desde o ideal mesmo que define a idéia de ciência.

V. Só este último caminho é válido, porque o objeto da ciência astrológica é radicalmente diverso do de todas as demais ciências. Que objeto é esse?

1. O estudo das influências astrais? Não.

2. O estudo da personalidade à luz dos astros? Não.

3. É o estudo das relações entre fenômenos celestes e terrestresde qualquer natureza.

VI. Pode a astrologia ser uma ciência?

1. Logo, a astrologia, se houver uma, é uma ciência:

a) Comparativa.

b) De objeto lógico e não fático.

c) Múltipla. A variedade de objetos requer variedade de métodos.

d) Interdisciplinar.

2. Eis a razão pela qual a astrologia perdeu, no Renascimento, seu estatuto de ciência. A astrologia até então existente bastava para dar conta da fenomenalidade terrestre tal como descrita pela física de Aristóteles, mas o súbito avanço das demais ciências as fragmentou de tal modo que uma ciência comparativa, sintética e interdisciplinar como a astrologia se tornou impossível.

3. Hoje, graças ao sistema internacional de intercâmbio de informações científicas, a ciência astrológica se torna novamente possível.

4. Como realizá-la?

1. Enfrentando logo as questões preliminares de delimitação, de métodos investigativos e de critérios de validação.

2. Enfrentando logo o problema da unificação da teoria astrológica, o que implica a reinterpretação de todo o legado da astrologia antiga — trabalho para muitas gerações.

3. Distinguindo para sempre as duas questões que o debate atual confunde:

a) O fenômeno astral em si.

b) A validade das técnicas astrológicas.

4. A resposta sobre a validade ou não da astrologia não pode preceder a resposta sobre a existência ou inexistência do fenômeno astral (chamemos assim as relações entre fenômenos celestes e terrestres).

a) A resposta sobre o fenômeno astral já nos foi dada por Gauquelin.

b) A comprovação da existência do fenômeno não basta para validar a astrologia, mas basta para justificar a necessidade de uma ciência astrológica: resta fazê-la, em vez de proclamar que está feita e cultuar uma imagem de sonho.

P. S.
Como prova de que sou um “astrólogo embusteiro”, o sr. Rodrigo Constantino reproduz no seu blog uma reportagem da Veja, datada de 9 de abril de 1980, na qual, desafiado pelo repórter Luiz Henrique Fruet, analiso o mapa astrológico de uma pessoa desconhecida e, em resultado, forneço um perfil integralmente correto do indivíduo, sem um erro ou imprecisão sequer, e com detalhes que nenhuma especulação divinatória poderia jamais alcançar. Veja deu o braço a torcer.

Que prova maior poderia haver de que, tendo exercido brevemente a profissão de astrólogo entre 1978 e 1980, não me conduzi nela senão com a maior idoneidade possível, não me furtando sequer a um teste que, em caso de fracasso, danaria a minha reputação para sempre?

Não há ali o menor sinal de embuste.

Tentando usar essa reportagem como prova contra mim, o sr. Constantino força o documento a dizer o contrário do que diz.

Não é inútil observar que minha atividade de astrólogo cessou trinta e dois anos atrás, quando o sr. Constantino tinha seis aninhos de idade. Se, decorrido esse tempo que quase coincide com a duração da sua vida, o sr. Constantino ainda insiste em me rotular de “astrólogo”, com repetitividade obsessiva, não é porque tenha algo de sério a alegar contra meu desempenho profissional de então, mas porque julga que a palavra “astrólogo”, por seus próprios poderes mágicos, e não obstante a passagem de três décadas, lançará sobre mim uma imagem negativa e me caracterizará como embusteiro sem que para isso eu precise ter cometido embuste nenhum. Raramente o puro desejo de difamar se revelou de maneira mais patente, mais indubitável.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".